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Caramelos Embaré

Publicado em: 13/06/2019

“É como se a infância não fosse um tempo, mas um lugar, com seus cumes, seus esconderijos, suas pequenas clareiras. Um lugar, aquele onde cometemos nosso primeiro crime”
Ana Martins Marques


Quem foi criança na década de 1980 deve se lembrar dos caramelos Embaré. Eram escassos. Raros. Quase uma preciosidade. Chegavam lá em casa pelas mãos de uns compadres dos meus pais, seo Urquiza e dona Jesus. Eles moravam em Santa Rita, no Paraguai, onde tinham um armazém, e, quando pernoitavam lá em casa, era um acontecimento.

Bastava ouvir o ronco da camioneta ecoando lá longe pelas estradinhas de chão, meu coração saltitava. Ficava na espreita, esperando os caramelos. Dona Jesus descia sorridente com duas ou três “balinhas” na mão e nos brindava. Era uma alegria! Felicidade tinha nome: Embaré.

Isso se repetiu por muitos e muitos anos até eu ficar mocinha e não ter mais direito a doce. Só criança tinha este privilégio. Fiquei tão aborrecida que prometi me vingar. Quando dona Jesus entrasse no banho (ela demorava muito, mas muito mesmo...) eu iria desligar a chave de luz. Nunca deu certo. Nunca tive coragem.

Mas, por obra do destino, eis que meus pais resolvem ir a Santa Rita e levam as duas “capetinhas”, eu e minha prima Eronildes. Chegando lá, sabe como é, casa pequena, poucas camas, nos colocaram para dormir no armazém! Meus olhos brilharam. Foi o mesmo que colocar as raposas para cuidar do galinheiro. Nunca comi tanto caramelo Embaré na minha vida! Realmente, uma doce vingança...
 

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