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Quero envelhecer velha!

Publicado em: 24/09/2019

“Qualquer idiota consegue ser jovem. É preciso muito talento pra envelhecer”
Millôr Fernandes

Não conheço a Brigitte (a Macron), nem ela me conhece. Mas, bem antes do tal episódio do “kkk”, eu já a admirava, assim como admiro quem sabe envelhecer. Saber envelhecer não é fazer mil procedimentos, encher a cara do botox, desfigurar o rosto a ponto de não se saber mais quem é!

Tudo bem um retoque suave aqui e ali, mas estar na casa dos 60 ou 70 com um rosto de 20, e, o pior, sem expressão alguma, é coisa doentia. Somos mortais. Nascemos para morrer. Os privilegiados envelhecem. Então, por que tanto medo de ruga? Por que tanto artificialismo? Sofrimento até?

Quero envelhecer, velha! Bem velhinha. Com rugas, pele flácida, cabelo branco e tudo o que se tem direito ao desapego próprio da idade. Não que isso represente desleixo, nada disso. Quero uma velhice natural. Tão natural que me dê tempo para viver outras coisas, muito mais importantes. 

Quem sabe, escalar uma montanha? Conhecer outras estradas? Ler livros que nunca li? Caminhar sem pressa? Cruzar outros mares? Mas nunca, nunca mesmo passar horas e horas enfiando agulhas no rosto para disfarçar o tempo. O meu tempo, este vivido cada segundo por mim, terá em minha face a sua marca para quando eu me olhar no espelho sentir-me tão bela quanto foi minha vida. 
E pouco importa como estará o meu rosto, tudo estará na minha mente.

E o mais importante, antes que a noite chegue por completo, quero ter olhos serenos para o entardecer e partir sem culpa alguma do tempo não perdido em exigências fúteis. Quero envelhecer velha! 

 

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