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Estágio de ser árvore

Publicado em: 17/09/2020

“Penso que os leitores deste fim de século têm, sim, nostalgia do simples, do ingênuo, talvez até da tolice, do ilogismo”
Manoel de Barros


O poeta Manoel de Barros tem um poema lindo chamado “Árvore”. Nele, conta a história de um passarinho que pediu para seu irmão ser sua árvore. O irmão aceitou ser árvore daquele passarinho. No estágio de ser essa árvore, o irmão aprendeu de sol, de céu e de lua mais do que na escola. 

No estágio de ser árvore, o irmão aprendeu para com a natureza o perfume de Deus. E, sendo árvore, até fez amizades improváveis. Ficou amigo das borboletas e das formigas. Apurou o olhar para o vazio. Formou-se em paciência e generosidade. 

E qualquer um pode chegar a este estágio. Basta permitir-se. Eu já fui árvore. Na infância, fui um pé de cinamomo. Integrava-me de tal maneira em seus galhos que às vezes ficava invisível. Quando queria fugir de gente, virava árvore. Ser árvore é um exercício profundo. É um encontro consigo mesmo. 

Sendo árvore, nos reinventamos, nos permitimos outras identidades e possibilidades. Nos livramos um pouco da vida cotidiana. Dos afazeres comuns. Das hipocrisias. E é neste momento de “ser apenas” que está a nobreza. Entregue-se. Seja árvore um dia e sinta a visceralidade da vida. 

Vai chover, vai ventar, vai esfriar, vai anoitecer... e você estará ali, inteiro ao que se propôs, sendo árvore. No cair das folhas e no florescer, aprenderá sobre ser forte, sobre ser humilde e sobre ter esperança! É dessa sabedoria que estamos precisando. Sabedoria de ser árvore. Seja, simplesmente!


 

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