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Pensata

Rejane Martins Pires
É jornalista e editora da Revista Aldeia.

Mataram nossa rua e ninguém ouviu nossas crianças!

Publicado em: 18/03/2022
“Grande é a poesia, a bondade e as danças… Mas o melhor do mundo são as crianças”
Fernando Pessoa

Todos os dias quando eu chegava em casa, à tardinha, gostava de ouvir o burburinho das crianças brincando na calçada da Rua Capitão Leônidas Marques. Riam contando histórias, pulando corda, fazendo adivinhas ou apenas se balançando no lindo pé de flamboyant.

De repente, silêncio total. Todas trancadas em casa. Os homens chegaram. Colocaram placas. Pintaram a rua. Nasceu um binário. Vieram os carros e, com pressa, muita pressa, afugentaram todo mundo. A rua morreu para as pessoas que moram nela e nasceu para os loucos, os apressados.

Para os carros, total liberdade. Para os moradores, nem a chance de serem ouvidos. “Se adaptem. É assim mesmo”!

Até o balanço do velho flamboyant sumiu. Ninguém tem coragem de pôr o pé pra fora. Fico pensando, quem sabe pudesse chamar os “homens do trânsito” para viver a rua, ouvir as crianças, e até sentar-se no balanço. 

Se nada mudasse, pelo menos se sentiriam leves e com vontade de rir. Quem sabe, entendessem que o mundo não precisa de mais pressa, mais velocidade, mais gente chata e pesada. Precisa de mais afeto, mais amor... mais criança brincando, mais paz! 

Encerro com um dos “Dez Direitos Naturais das Crianças”, o Direito à Rua, retirado de uma crônica de Rubem Alves.
 

“Toda criança tem o direito de brincar na rua e na praça e de andar livremente pelos caminhos, sem medo de ser atropelada por motoristas que pensam que as vias lhes pertencem”.

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