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Onde está a esperança pelo Brasil do Futuro?

Uma geração inteira de brasileiros está desmotivada e literalmente desistindo de enfrentar o establishment!


Quantos amigos você conhece que deixaram o Brasil nos últimos anos? Até bem pouco tempo eu conseguia lembrar de dois, talvez três. Hoje, não cabem nos dedos das duas mãos! Vimos recentemente a divulgação de uma pesquisa apontando que mais de 60% dos jovens iriam embora do país se pudessem. E quando penso nesses que conheço, vejo engenheiros, matemáticos, analistas de sistema, administradores, entre outros. Ou seja, profissionais prontos que foram buscar fora a oportunidade que não viram aqui. Que desalento! 

As razões apontadas são a falta de perspectiva. Não se consegue fazer planos. E quando se tem um termo de comparação, esse cenário fica nítido: em vários países a receita obtida com o trabalho é suficiente para viver razoavelmente.  Aqui, o poder de compra do nosso salário é corroído nas entranhas do nosso custo Brasil. 

Não porque se pague pouco, e sim porque o que se ganha vale pouco, ou porque “sobra” pouco depois de descontados os impostos, pagos os boletos do plano de saúde, da escola, do seguro do veículo e de vida, do plano de previdência; custos redundantes, que deveriam estar garantidos por aqueles impostos. Uma geração inteira de brasileiros está desmotivada e desistindo de enfrentar o establishment!

E eu penso ainda que esses jovens têm mais chance de não voltar; saindo cedo daqui, a chance de criarem raízes fora aumenta; possivelmente formarão família. Certamente uma parte voltará, pois não é um êxodo fácil, e deixar pai e mãe com saúde, em condições de viajar pra lá e pra cá é uma coisa. Muda quando envelhecem, quando passam a precisar de ajuda. Essa perda tende a ser irreparável a médio prazo. 

Nossos índices de pesquisa, de desenvolvimento científico e tecnológico também já são extremamente baixos e irão piorar. Como mudaremos isso? Inevitavelmente, pela política, que reflete na economia, e pela (agora na moda) segurança jurídica, ou pela falta dela. Será preciso encarar as mudanças necessárias, quebrar o velho jeito de fazer política, tornar o ambiente econômico mais amistoso ao empreendedor, fortalecer o poder de compra do trabalhador; deixar de ser o país do futuro para nos transformamos logo no país do presente. Passa também pelo ensino, pela valorização dos cursos técnicos e pelo ajuste da escola pública. Enfim, precisamos de esperança! 

 

Anaide Holzbach é economista e
sócia-proprietária da Maxicon Sistemas, em Toledo (PR)

 

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