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Por que reclamamos tanto?

Estamos ficando mais ranzinzas? Nossa tolerância tem diminuído? Se for pra reclamar, estamos todos a postos. Já do que gostamos, ou para o que dá certo não nos sentimos tão compelidos a transmitir a emoção positiva
 

Andamos mais mau humorados de uns tempos pra cá. Sinal dos duros dias que atravessamos? Possivelmente. Sobreviver com alegria tem sido uma tarefa cada vez mais árdua, exigindo doses adicionais de esperança e fé! Fé no próximo, no indivíduo, no coletivo, mesmo quando estes nos decepcionam. Por vezes, me espanto com atitudes de algumas pessoas com as quais convivo. E certamente assusto a outros.

E temos reclamado cada vez mais. Há algumas semanas li uma matéria num grande jornal brasileiro sobre um programa implantado no Metrô de São Paulo que disponibilizou música ambiente nos vagões. Foram selecionadas músicas de compositores/intérpretes brasileiros, consideradas relaxantes, calmantes, tranquilizadoras. E o resultado foi uma enxurrada de reclamações! Foi então realizada uma pesquisa geral, e nessa pesquisa a maioria aprovou a nova ação. Humm, interessante. As reclamações aumentaram muito. No entanto, a grande maioria gostou da nova medida.

Que coisa, não? Fui ler algo mais; realmente, nos movimentamos pra reclamar, e poucas vezes nos movimentamos pra elogiar. Estamos ficando mais ranzinzas? Nossa tolerância tem diminuído? Se for pra reclamar, estamos todos a postos. Já do que gostamos, ou para o que dá certo não nos sentimos tão compelidos a transmitir a emoção positiva. Essa consciência pode ajudar a melhorar isso. Lembro de uma frase que ouvi de um amigo há muito, muito tempo: ‘Não basta não fazer o mal..’. 

É, parece simples. Fazer algo de bom, elogiar, sorrir, dar bom dia pode se tornar um hábito. No começo talvez soe estranho, até piegas, no nosso atual mundo líquido e apressado. Depois, incorporado ao dia-a-dia pode contagiar! Podem até estranhar, mas tem tudo pra funcionar! Em casa, então, já pensou que máximo elogiar o marido/esposa? Filhos? Nossas incansáveis assistentes?

Não estou sendo ingênua e afirmar que não devemos reclamar ‘nossos direitos’, querer que os serviços funcionem, que contratos,  acordos, pessoas e diferenças sejam respeitados, mas sim das sutilezas do cotidiano, das pessoas que encontramos, das coisas que funcionam. Bora exercitar, como diz a galera? Ah, e obrigada pela leitura.

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