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POPULISMO NO TRÂNSITO

Publicado em: 15/04/2019

O homem é o responsável, na maioria das vezes, pelos acidentes de trânsito por desobedecer às regras ou por suas condições físicas em desequilíbrio. Um controle médico do motorista deve ser realizado com perfeição

É preocupante ver em pauta a discussão para que os Exames Médicos de Obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sejam realizados a cada dez anos.
Sabemos bem que as doenças orgânicas que afetam os motoristas são responsáveis por cerca de 12% dos acidentes de trânsito fatais em nossas ruas e rodovias.

Cardiopatias, Epilepsia, Demência, Transtornos Mentais, Hipoglicemia, Apnéia Obstrutiva do Sono e tantas outras enfermidades que interferem na direção veicular, devem ter acompanhamento conjunto com outras especialidades médicas para a avaliação das condições de saúde do motorista.

O homem é o responsável, na maioria das vezes, pelos acidentes de trânsito, por desobedecer às regras ou por suas condições físicas em desequilíbrio. 

Um controle médico do motorista deve ser realizado com perfeição e a concessão da habilitação deve ser referendada por um especialista em Medicina de Tráfego, após um Exame de Aptidão Física e Mental, que contribui, inegavelmente, para a diminuição da morbidade e da mortalidade em acidentes de trânsito.

Como especialista nesta área e também em Oftalmologia, vejo diariamente doenças oculares como Catarata, Glaucoma, Degenerações Retinianas ou simplesmente uma Ametropia, com prescrição de óculos atualizada, que são progressivas e causam a redução da visão a cada ano. 

O que dizer num período tão extenso de dez anos? Certamente haverá deficientes visuais com permissão para dirigir, e o pior, firmadas pelo médico, com todos seus efeitos legais, que lhes darão aptidão para a direção veicular. Discussões em nível médico devem ser realizadas com auxílio dos Conselhos ou Associações de Classe para evitar erros de conduta.

Medidas populistas como as de 1997, que permitiram a passagem das motos no corredor formado entre os carros, revogando a proibição que vigorava até então no antigo Código de Trânsito, e a liberação da velocidade em até 90 km/h nas marginais em São Paulo, quando a Organização Mundial da Saúde recomenda que todas as cidades do mundo adotem velocidades máximas de 50 km/h nas áreas urbanas, demonstram o desrespeito a fatores de risco para a manutenção de um trânsito seguro.

Decisões estimuladas pela perspectiva de aplauso fácil e imediato, sem a orientação especializada e científica é, no caso do trânsito, literalmente, uma receita para o desastre.

Dr. Jack Szymanski
Presidente da ITMA 

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