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RUBRO MAIO AMARELO

Publicado em: 13/06/2019

Maio é o mês da conscientização sobre a violência no trânsito, para a redução de acidentes e a preservação da vida.
Segundo o Coordenador do SOS Estradas e fundador do ‘Trânsito Amigo’, Rodolfo Rizzotto, https://estradas.com.br:, o movimento está manchado de sangue, pois mata mais do que o crime em nove estados brasileiros.

Segundo Rizzotto, diariamente registramos o equivalente a um avião lotado, com 110 passageiros, de vítimas fatais em nosso trânsito e outras dez aeronaves, do mesmo porte, de feridos. Mas o fato é que combater a violência no trânsito em nosso país não é prioridade, seja no Executivo, Legislativo e Judiciário.

Isto não quer dizer que não existam pessoas em funções públicas, tanto em nível federal, como nos estados e municípios, empenhadas em combater essa chacina diária e que contam com o apoio da maioria dos condutores que dirigem de forma responsável, afinal, estatisticamente, menos de cinco por cento dos motoristas são infratores contumazes.

O esforço de algumas autoridades e da maioria dos condutores não é suficiente para reduzir a tragédia diária no trânsito. Afinal, historicamente, presidentes, governadores e prefeitos sequer mencionam a redução da mortalidade no trânsito como prioridade nas suas gestões. 

Rizzotto tem razão, pelo contrário, nossos governantes frequentemente vão de encontro aos apelos da Organização Mundial da Saúde que indica a necessidade de políticas mais duras, campanhas mais efetivas com o propósito de salvar milhares de vidas em acidentes de trânsito. 

Nossos governantes aumentam os limites de velocidade, vetam a instalação de radares, cuja função é obrigar o motorista a trafegar na velocidade recomendada, tudo em função de, pasmem, ‘compromissos eleitorais combinados com a população’.

E quanto à punição dos condutores imprudentes e infratores contumazes, afinal, qual é a esperança de uma verdadeira justiça para quem tem familiares que foram mortos no trânsito?

No Brasil, sequer quem tem centenas de pontos na carteira é punido de fato. Assim como a maioria dos motoristas flagrados nas operações da Lei Seca, estão dirigindo novamente dias depois e muitos ainda serão beneficiados com a prescrição, geralmente obtidas com o auxílio de escritórios especializados em evitar que o motorista seja punido. 

Esses sim vivem das multas, vendendo a garantia da impunidade.
Por isso, apesar da importância do movimento ‘Maio Amarelo’, que procura despertar a sociedade para a necessidade de preservar a vida e priorizá-la no trânsito, a realidade demonstra que podemos esperar ainda muito sangue, até que um dia o amarelo seja respeitado e a vida receba de fato o sinal verde.

Dr. Jack Szymanski
Presidente da International Traffic Medicine Association (ITMA).
 

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