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Respeito ou lei da bandeira vermelha

Publicado em: 29/08/2019

Com os avanços tecnológicos atuais, os automóveis e as motos tornam-se cada vez mais perfeitos. Alguns carros até falam. Porém seus condutores não acompanharam esta evolução


Existem pessoas que gostam tanto de seus carros e motos que cuidam melhor deles do que de si próprios, equipando, personalizando, sonorizando e devotando-os. Modificam os escapamentos, rebaixam-nos, instalam rodas de alumínio, enfim, os preparam para “falar mais alto” e demonstrar o vigor das centenas de cavalos de força instalados nos motores “envenenados”, relacionando-os à força de seus músculos, de sua virilidade.

Em competições, disputam para provar quem é o mais forte, o melhor guerreiro, o ‘rei das ruas’, buscando, na verdade, uma autoafirmação de sua força, de seu poder. Com os avanços tecnológicos atuais, os automóveis e as motos tornam-se cada vez mais perfeitos. Alguns carros até falam.
Porém seus condutores não acompanharam esta evolução em relação ao respeito e cidadania. Dirigir um veículo, simbolicamente, representa ter a direção, a liderança, mas tem que se buscar o equilíbrio e o seu uso racional.

A direção perigosa e a velocidade excessiva estão diretamente ligadas à limitação humana. A correlação entre velocidade e segurança é uma das relações mais bem conhecidas na área de segurança viária, tanto teoricamente, como empiricamente.

No início dos tempos do automóvel, no século XIX, parece que a preocupação com o ser humano era maior. E seus algozes no trânsito, os veículos mecânicos, estavam muito mais sujeitos à reação pública do que nos dias atuais. 

Nos anos de 1839, por exemplo, após um atropelamento com morte, a pressão popular aprovou uma lei que hoje pareceria inacreditável: impunha o limite de 12 km por hora para veículos automotores. O rigor da lei exigiu, em seguida, que os veículos automotores fossem precedidos por um homem a pé, acenando uma bandeira vermelha e tocando uma corneta. Foi a famosa “lei da bandeira vermelha”.
O principal fator acidentógeno, dos dias atuais, nos leva a crer que motoristas se transformam quando estão na direção do veículo. Indivíduos pacatos se tornam agressivos, imprudentes, intolerantes. Veem pessoas que se locomovem a pé, de bicicleta ou de transporte coletivo, como cidadãos de segunda categoria ou menos que isso.

Se o carro ou a moto é um patrimônio individual, as ruas e estradas onde eles se movimentam são um bem coletivo e, como tal, devem ser respeitadas. Acredito que aqueles indivíduos que têm a necessidade de se autoafirmar e se sentir o “rei das ruas”, deveriam simplesmente deixar o carro em casa e, para aparecer, deveriam sair por aí correndo, tocando corneta e tremulando uma bandeira vermelha em suas mãos.

Jack Szymanski
 

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