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Aprendendo a dirigir na fazenda

Publicado em: 18/03/2020

E por falar no Tio Sam, a taxa que o governo americano cobra de impostos sobre a venda de veículos para a sua população é de 7,5%. No Japão a taxa é de 5%

Mais uma PL está tramitando no Congresso Nacional e deve ser colocada em votação brevemente. O Projeto de Lei 3781/2019 prevê o fim da exigência de fazer autoescola para tirar a habilitação, ou seja, as aulas nos Centros de Formação de Condutores (CFC) não serão mais obrigatórias para quem deseja obter sua CNH nas categorias A e B. Será necessário apenas pagar uma taxa no Departamento de Trânsito e em seguida fazer os testes de aptidão, teórico e prático.

Tudo porque o salário mínimo chega aos cerca de R$ 1.050 e o custo médio para a obtenção de uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é de aproximadamente R$ 2.500.

Parece ser tão fácil em nosso país riscar do mapa estes nossos professores dos CFCs, cuja função é a de transformar um candidato a motorista num condutor consciente de suas responsabilidades nas ruas e respeito às leis. Que desenvolvem um trabalho intenso de prevenção, segurança e valorização da vida e que são, talvez, o único contato que o candidato à primeira habilitação tem com a educação para o trânsito, tornando-o responsável e olhando os outros usuários das vias com respeito, compreensão e dignidade.

Há 120 anos, no ano de 1901 foi fundada a primeira autoescola do mundo, em Liverpool, na Inglaterra. 

A mais antiga do Brasil foi criada em 1º de janeiro de 1932, em Porto Alegre: a autoescola São Cristóvão, que foi fundada por Levino Moura Borges. Quantos motoristas não teriam passado por essa escola de direção veicular, prestes a ser extinta porque o salário mínimo do país é de pouco mais de 260 dólares, valor suficiente para comer a impressionante soma de dez hambúrgueres nos Estados Unidos. 

E por falar no Tio Sam, a taxa que o governo americano cobra de impostos sobre a venda de veículos para a sua população é de 7,5%. No Japão a taxa é de 5%.
No Brasil, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) essa taxa chega a 54,8%, ao somar todos os impostos como o IPI, ICMS e PIS/Cofins.

Um Toyota Corolla que custa, no Brasil, R$ 101.990, nos EUA tem o valor, convertido em nossa moeda e após a incidência de suas taxas, de R$ 65.384,19; e, no Japão, de R$ 63.863,63. Como vemos, há outras maneiras de ajudar a população.

Deixando para lá as PLs do trânsito que ameaçam milhares de empresas e seus investimentos, assim como instrutores e seus empregos, em 14 de janeiro do corrente ano foi anunciado em cadeia de rádio e televisão um impressionante reajuste do salário mínimo de R$ 1.039 para R$ 1.045. Pouco mais de um dólar. Talvez dê para o molho do hambúrguer.
 

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