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TRÂNSITO

Por que nossos jovens estão morrendo?

Publicado em: 19/06/2020

É próprio dos jovens quebrar barreiras, ultrapassar limites, exibir-se para os amigos, sempre com a certeza de que nada de mal lhes acontecerá

Não existe algo mais traumático para os pais do que enterrar um filho. É um fato, porém, que se repete com mais frequência nos dias de hoje. Os jovens estão morrendo. E não apenas os usuários de drogas ou praticantes de atos ilícitos. No início do ano, um estudante de medicina de Cascavel morreu na PR 182 em Ampére, quando perdeu a direção do veículo. Uma estudante de agronegócios de Toledo também perdeu a vida na PR 182, num choque com uma carreta. Quatro moças jovens estudantes de Dois Vizinhos morreram em acidente na BR 282, em Santa Catarina. Foi uma sequência aterrorizante.

Por que morrem tantos jovens no trânsito? Em relatório da Organização Mundial da Saúde publicado em março de 2019, as lesões provocadas pelo trânsito causam anualmente a morte de 1,35 milhão de pessoas no mundo. E são a principal causa de morte de crianças e jovens entre os 5 e 29 anos. 

Segundo estudos internacionais, numa mesma quantidade de quilômetros percorridos, os jovens condutores se veem envolvidos três vezes mais em acidentes fatais do que os condutores mais velhos, além de serem os responsáveis pela maioria dos acidentes que sofrem.

E por que isso? Quais são as razões para sua vulnerabilidade? Não é uma questão de habilidade. Os jovens se encontram num ótimo momento de seu desenvolvimento físico. Suas respostas perceptivas, motrizes e reflexas estão ótimas. Na verdade, nossos jovens se acham num estado psicobiológico que gera instabilidade emocional. Certas características atentam contra a sua segurança. 

A rebeldia, a má influência, onipotência, menor tolerância hepática ao álcool, razões hormonais, cérebro em desenvolvimento, fatores sociais, enfim, podem ser causas de conduzir seus veículos com mais frequência em excesso de velocidade, muitas vezes alcoolizados, cometendo mais erros ao volante.

Uma pesquisa divulgada no “Journal of the American Medical Association” revela que o jovem corre duas vezes mais riscos de provocar acidentes graves do que motoristas mais experientes. Se ele estiver acompanhado de outros jovens da mesma faixa etária, o perigo aumenta. Um motorista jovem acompanhado de três amigos jovens tem três vezes mais probabilidade de se envolver em um acidente grave do que se estiver dirigindo sozinho. O motivo, segundo a pesquisa, é impressionar os colegas com velocidade e manobras. Seu comportamento ousado é característica dessa fase da vida. É próprio dos jovens quebrar barreiras, ultrapassar limites, exibir-se para os amigos, sempre com a certeza de que nada de mal lhes acontecerá. E este é um problema que ocorre em todos os países.

Na Argentina, por exemplo, há um chamado desesperado para cuidar dos jovens através de ações públicas imprescindíveis. Programas educativos de ONGs, como o ‘Conduciendo por la Vida’, são apoiados e difundidos por todo o país, assumindo um compromisso ativo e integral para o cuidado da vida deste grupo  mais sujeito a sinistros  no sistema de trânsito.
 

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