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Coronavírus, há benefícios indiretos?

Publicado em: 16/07/2020

Desfrutar de uma cidade sem congestionamento, altos ruídos e poluição tem surpreendido tanto, que muitos se perguntam se não chegou a grande oportunidade de incorporar estes benefícios de forma permanente

A pandemia do coronavírus ficará na história da humanidade por muitas razões. Suas consequências negativas para a vida e a saúde, assim como econômicas, sociais, políticas e tantas outras. Porém, de todas as experiências, boas ou más, devemos tentar resgatar algumas derivações positivas para tirar proveito de seus benefícios, permanentemente.

Para os que vivem nas grandes cidades, a experiência da quarentena nos tem surpreendido com algo positivo. Temos visto as ruas da cidade quase vazias, sem automóveis, o que tem nos permitido desfrutar de um ar mais puro, do silêncio e do canto dos pássaros nessa selva de pedra. Para muitos, o perigo do contágio e as restrições para o uso do transporte público têm obrigado a caminhar para fazer as compras.
Desfrutar de uma cidade sem congestionamento, altos ruídos e poluição tem surpreendido tanto, que muitos se perguntam se não chegou a grande oportunidade de incorporar estes benefícios de forma permanente. Até o número de acidentes de trânsito, segundo as estatísticas, caíram pela metade.

Há muitas medidas urbanas que podem ser implementadas e reduzir a circulação de veículos é uma das mais importantes. Gerar infraestrutura para a circulação de bicicletas, oferecer um transporte público confortável e eficiente para aqueles que o necessitem e, sobretudo, revalorizar o mais antigo meio de transporte que é andar a pé, a única e primeira maneira natural de que todos nós dispomos para se locomover.

O caminhar deve ser redescoberto, não como uma atividade relegada a quem não tem recursos para ter um automóvel, ou pagar um uber ou táxi, senão como uma atividade saudável, desportiva, livre de estresse e relaxante.

Atualmente, os pedestres são considerados usuários com menor importância em nosso país, a tal ponto que quando se fala em política de transporte ou de segurança viária, imediatamente pensamos em automóveis, caminhões, ônibus e normas de circulação dos mesmos. Pouco se pensa na segurança dos pedestres, que é o alicerce principal dos países desenvolvidos. 

A vida humana e a saúde são fundamentais e têm prioridade sobre a mobilidade e qualquer outro objetivo do sistema de tráfego. No dia em que pensarmos assim, combateremos mais facilmente pandemias como esta e consequentemente aprenderemos com sua sinistralidade. Nenhuma perda de vida é aceitável. 
 

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