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Covid-19, estacionamento é evidência de crime?

Publicado em: 19/08/2020

A negligência por parte do Poder Executivo, com suas ações sem lastro científico, demonstra situação semelhante à de há 100 anos, durante a ‘gripe espanhola’

Carros parados em estacionamento podem levar a buscas na Internet envolvendo as palavras ‘diarreia’ e ‘tosse’? O que isso tem a ver com a pandemia da Covid-19? É o que responderam pesquisadores da faculdade de medicina da Universidade de Harvard, que decidiram investigar as imagens de satélite dos estacionamentos dos principais hospitais de Wuhan, cidade mais populosa da China Central, com mais de 10 milhões de habitantes, a partir de onde o vírus causador da pandemia, que conhecemos hoje como Covid-19, se espalhou para o resto do mundo.

As fotos pesquisadas entre janeiro de 2018 a abril de 2020 foram analisadas e observou-se que entre agosto e dezembro de 2019 o número de carros estacionados nos hospitais aumentou consideravelmente. Também foi verificado que neste período, no servidor ‘Baidu’, que é equivalente ao ‘Google’ na China, as palavras ‘tosse’, ‘diarreia’ e ‘problemas respiratórios’ dispararam. 

A descoberta é explosiva, já que, de acordo com estes dados, o surto endêmico começou meses antes de o governo chinês informar ao mundo, apenas em dezembro de 2019, sobre um conjunto de casos de uma ‘pneumonia misteriosa’ que começou em Wuhan e se espalhou para o resto da China e posteriormente para outros países asiáticos. 

O resultado da pesquisa de Harvard demonstrou que a omissão chinesa reduziu o tempo que os governos de outros países tiveram para se preparar, levando a doença a tornar-se uma pandemia global.

Os primeiros casos na América do Norte foram relatados nos Estados Unidos em janeiro de 2020. A África apresentou seu primeiro caso em 14 de fevereiro no Cairo, Egito. Em 21 de fevereiro ocorreu um grande surto relatado na Itália, principalmente no norte, onde os casos cresceram rapidamente e se espalharam pela Europa. Já o primeiro caso confirmado na América do Sul foi em 26 de fevereiro, na cidade de São Paulo.

Houve, portanto, quase 60 dias para o Brasil se preparar, pois apesar do apagão chinês na informação dos casos iniciais, detectados pelo estudo de Harvard, ações poderiam evitar que nosso país se tornasse a segunda nação mais acometida no mundo, com mais de 100 mil mortes, seguindo no encalço dos Estados Unidos, cujo presidente igualmente subestimou a doença, tomando decisões tardias e submetendo a população a uma mortandade sem precedentes.

Nosso presidente teve uma atuação desastrosa e, antes mesmo do primeiro caso registrado em São Paulo, sempre relativizou os efeitos da Covid-19, dizendo que a pandemia era uma ‘fantasia’, ignorando recomendações de órgãos da saúde, composto por médicos, cientistas e estudiosos.

A negligência por parte do Poder Executivo, com suas ações sem lastro científico, demonstra situação semelhante à de há 100 anos, durante a ‘gripe espanhola’, que deixou cerca de 50 milhões de mortos no mundo.

Nada evoluímos politicamente, portanto, em um século.           

Jack Szymanski
 

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