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O que podemos melhorar?

Publicado em: 18/11/2020

Será que vivemos permanentemente numa epidemia de mortes no trânsito?
Apesar dos altos números de vítimas, a prevenção desta “doença” é muito mais fácil

Estamos no segundo ano do atual governo, prejudicado em suas funções pela pandemia da Covid-19 que, pelo visto, não tem data para terminar. Pelos debates na Câmara dos Deputados tomamos conhecimento de inúmeras discussões e ações para o desenvolvimento da nação e esperamos que a agenda do Congresso também beneficie outras prioridades, como o problema do trânsito em nosso país.

Segundo estimativas baseadas em dados do Datasus, do Ministério da Saúde, só neste século, ou seja, do ano 2000 até agora, já morreram mais de 800 mil pessoas e milhões de outras ficaram sequeladas em acidentes de trânsito. O custo material dessas milhares de vítimas ultrapassa 700 bilhões de reais. 

Será que vivemos permanentemente numa epidemia de mortes no trânsito? Apesar dos altos números de vítimas, a prevenção desta “doença” é muito mais fácil. A primeira grande ação seria, simplesmente, a mudança de atitude por parte dos motoristas e por parte do governo. Por parte do motorista, dirigindo preventivamente, respeitando a sinalização e as leis vigentes no Código de Trânsito Brasileiro.  

Por parte do governo, uma detalhada análise das falhas do nosso tráfego, para promover mudanças importantes no Sistema Nacional de Trânsito e montar um plano de ação de 10 anos, para que os resultados apareçam. Se o governo acenar positivamente, o setor privado virá junto, assim como a sociedade. Os países que hoje lideram a segurança no trânsito no mundo iniciaram seus projetos há 50 ou 60 anos, e desde então não pararam de aperfeiçoá-los.

Vejo com otimismo a assinatura, no último mês de setembro, do Protocolo de Intenções sobre a Segurança no Trânsito entre o Ministério da Infraestrutura e a Embaixada da Suécia, baseado no programa Visão Zero daquele país. Este programa é desenvolvido desde a metade dos anos 90, e seu modelo tem sido adaptado em dezenas de países e em centenas de cidades importantes no mundo.

No ultimo Congresso Mundial de Medicina de Tráfego, que organizamos em novembro de 2018 na cidade de Curitiba – PR, o Dr. Ulf Bjornstig da Suécia proferiu o sobre os avanços após 20 anos do Programa Vision Zero de segurança no trânsito. 

É importante que nosso governo siga a experiência de outras nações, no que diz respeito à segurança no tráfego, tomando muito cuidado com determinadas ações que têm modificado nosso Código de Trânsito Brasileiro (CTB), como o aumento da pontuação nas carteiras de habilitação, beneficiando infratores contumazes ou a retirada de radares que controlam a velocidade de nossas rodovias, já que o excesso de velocidade é sabidamente a maior causa de acidentes nas estradas do país.

Haverá muito por fazer no campo da infraestrutura com a recuperação de ruas, pavimentação e duplicação de rodovias, melhorias nos sistemas viários urbanos nas maiores cidades, modernização da sinalização e qualidade na fiscalização com monitoramento avançado, pesquisas e estatísticas no trânsito.

Com esforços conjuntos do governo, setor privado, comunidade e uso de novas tecnologias será possível alcançar expressivos resultados em pouco tempo. Precisamos, enfim, olhar o trânsito com uma visão sistêmica, onde todas as peças formam um todo e cuja principal função é preservar a vida.
Dr. Jack Szymanski

 

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