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Quem se preocupa com as crianças?

Publicado em: 10/12/2020

Para termos uma ideia da dimensão do problema, no ano passado morreram em acidentes de trânsito quase 32 mil pessoas no Brasil, das quais 3.800 crianças. No mundo morrem 500 crianças por dia

É prazeroso ver o interesse e os cuidados que países avançados têm com as crianças no trânsito. E é preocupante a forma como em nosso País não há a mesma atenção. Na Suécia a revolução no ensino de trânsito nas escolas foi instituída no início dos anos 70, quando estudos no desenvolvimento do cérebro de crianças demostravam suas limitações cognitivas, fisiológicas, psicológicas e sociais, demandando, por isso, cuidados especiais.

Em razão destes estudos a educação infantil, relativa a trânsito, mudou sua linha de atuação: ao invés de informar, treinar e educar as crianças, passou a protegê-las, por não terem capacidade mental de identificar a complexidade do tráfego por conta própria. Problemas de audição, visão em desenvolvimento, onde as crianças não conseguem determinar com exatidão a distância dos carros, naturais da primeira idade, devem ser levados em conta quando se vê uma criança no trânsito. E o papel principal nesta questão é destinado aos pais, em casa, na correta orientação a seus filhos sobre os cuidados a tomar.

A recomendação, nestes países, é que as crianças já tenham noção de trânsito nas creches e jardins da infância antes de chegarem à escola. E até os 14 anos, elas precisam estar sob observação dos adultos. Para termos uma ideia da dimensão do problema, no ano passado morreram em acidentes de trânsito quase 32 mil pessoas no Brasil, das quais 3.800 crianças. No mundo morrem 500 crianças por dia.

Há necessidade de um Plano Nacional de Educação para o Trânsito, pois no Brasil o tema é muito pouco debatido nas escolas. Há cerca de 10 anos, a tentativa de inserção da educação para o trânsito nas escolas em alguns estados não foi adiante, pois para os professores era mais uma carga sem incentivo. A Década Mundial de Ações de Segurança no Trânsito 2010/2020 da ONU e OMS demonstrou que grande parte dos países do mundo, entre eles o Brasil, não atingiu a meta de reduzir em 50% as mortes no trânsito.

Faço apenas uma pergunta, que pode ser apresentada de duas formas diferentes. A primeira forma é: ‘quanto custa para desenvolver a educação para o trânsito no Brasil’? E a segunda: ‘quanto custa NÃO desenvolver a educação para o trânsito no Brasil’? A primeira pergunta trata de dinheiro a ser gasto e a segunda trata das vidas que são perdidas pela falta da atenção ao trânsito. Estamos chegando ao fim de um ano atípico, que mostrou o despreparo do nosso Poder Executivo em tornar nosso trânsito mais seguro, mais humano.

Por pouco o Governo Federal não retirou, entre outras resoluções lamentáveis, a obrigatoriedade do uso das cadeirinhas para o transporte de crianças nos veículos, num País onde a maior causa de mortes de crianças de zero a 14 anos é o acidente de trânsito. Desejo, para o novo ano que se aproxima, dias melhores com mais responsabilidade e respeito à nossa população. Afinal é de se esperar que alguém neste País se preocupe com a sorte das nossas crianças.
 

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