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Fábrica de traumas

Publicado em: 08/11/2017

As cidades de médio e grande porte estão vivenciando, nos últimos anos, um fenômeno sem precedentes. Trata-se da invasão das motocicletas. Não é uma invasão no sentido pejorativo da palavra, mas de um aumento vertiginoso do uso deste ousado meio de transporte. Elas estão em toda parte e surgem de todos os lados, no já conturbado trânsito das grandes cidades. Para uns, solução, rapidez e economia. Para outros, problema, acidentes.


Baixo custo, aumento do crédito, desoneração fiscal e o precário serviço de transporte público são fatores que levaram a um aumento de 260% da frota de motocicletas nos últimos 10 anos. Nosso sistema viário não estava preparado para este aumento. Aspectos como fiscalização precária ou inexistente, péssimas condições das vias e imprudência fizeram com que o número de mortos em acidentes envolvendo motocicletas chegasse a uma legítima situação de guerra com um salto na mortalidade para inacreditáveis 850% entre 1996 e 2010.


Análise estatística demonstra que a motocicleta é um veículo extremamente vulnerável e perigoso. As ocorrências mais frequentes são a queda e a colisão e as partes mais afetadas dos motociclistas são os membros inferiores e superiores, mas crânio, face, olhos, coluna e quadril são comprometidos com incidência significativa. Contusões, escoriações, lacerações e perfurações somam- se a fraturas, luxações, lesões de órgãos internos, esmagamentos e traumatismos cranianos como resultados de acidentes com motos.


Os usuários de motocicletas estão sujeitos, portanto, a altos índices de morbidade, com lesões físicas relevantes. São cerca de 5 feridos graves para cada vítima fatal, com sequelas incapacitantes, a um custo econômico elevadíssimo para a sociedade.


Esquecem-se as agências de propaganda de pôr em seus anúncios a advertência sobre os riscos dos usuários de motos ficarem descerebrados, amputados ou mutilados, quadros que habitualmente frequentam nossos exames médicos periciais para condutores, portadores de deficiência física.

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