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Odisseia no espaço

Publicado em: 15/12/2017

O avião deveria ter pousado calmamente em Cascavel. A chuva fechou o aeroporto e o pouso foi transferido para Guarulhos. De Guarulhos a Foz. As barreiras da operação policial ‘Muralha’ tornaram o trecho de 1:40 h em 3 horas. Ao todo mais ou menos 6 horas de viagem para uma palestra de 2 horas.

Tudo pareceria normal e silencioso se o passageiro não fosse Leandro Karnal, que complementou: ‘este é o mundo cheio de glamour em que vivo’. Todos nós vivemos este ‘glamour’. Eu mesmo já vivi o ‘glamour’ de desembarcar em Londrina por três vezes, ou seja, entre avião e ônibus, cerca de 8 horas de viagem. E como diz o ditado: ‘uma imagem vale mais que mil palavras’, e é esta imagem que deixamos aos nossos visitantes, com dificuldades para aterrissar e desesperados para decolar de nossa cidade.

O aeroporto de Cascavel é tido por muitos pilotos como perigoso por sua posição favorável ao “crosswind”, ou seja, vento cruzado, levando o piloto a ‘arremeter’ ou descontinuar o pouso, mesmo em dias com céu de brigadeiro. O que esperar, então, de nosso clima inconstante.

O que leva uma cidade com um crescimento extraordinário, localizada na região mais fértil do Brasil, maior bacia leiteira do Paraná e intensa atividade agropecuária que alimenta sua economia, elevando nosso Estado no cenário internacional, a ter um aeródromo tão minúsculo e modesto?

A cartilha é clara: pistas de pouso e decolagem devem ser construídas levando-se em conta o padrão dos ventos da região: os ventos precisam ser paralelos à pista em pelo menos 95% do tempo, para a segurança de uma operação de pouso ou decolagem, onde ventos laterais nunca são bem-vindos; quando acontecem, criam turbulência na aeronave, aumentando muito as probabilidades de um acidente.

E o principal: quando uma dada região não possuir ventos constantes paralelos à pista de pouso, a construção de uma nova pista, em um ângulo paralelo aos ventos é aconselhada.

Um novo terminal aéreo de atendimento em nossa cidade é importantíssimo, porém mais relevante, é promover a segurança nas aterrissagens e nas decolagens e reparar esta falta de respeito com a nossa população.

Senão, continuaremos a descer em Londrina, Foz do Iguaçu, ou simplesmente teremos nossos voos cancelados, desmotivando novas companhias aéreas, essenciais para que haja uma concorrência saudável onde o maior beneficiário é o passageiro.

São exatos 40 anos de desafiadores ‘ventos de través’ e a morosidade para elucidar a situação que ocorre principalmente em ‘tempus hibernus’, nos leva a parodiar o Evangelho de Lucas: ‘pois mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que aterrissar no aeroporto de Cascavel’.

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