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Memórias no fogão à lenha

Publicado em: 21/10/2019


Vejo como essas crianças tecnológicas também gostam de plantar, de aprender sobre a natureza e suas maravilhas. É animador ver as crianças, com mais consciência e respeito, transformar o mundo num lugar melhor

Nesses últimos dias desse último inverno o frio intenso fez lembrar de quando eu era criança. No sítio, nós nos levantávamos cedo. Fizesse frio, chuva ou calor. Depois do café, feito no fogão à lenha, das quitandas, assadas no forno, íamos para lida, muito trabalho.

Lembrei com carinho dessa época. Parecia que o frio não era tão intenso, tudo parecia mais tranquilo, mais suportável. Não, não é nostalgia, é uma saudade boa, de coisas simples, fáceis. O mundo não corria tanto, as pessoas tinham tempo de olhar nos olhos e sorrir para qualquer bobagem.

Comíamos frutas, legumes, verduras frescas, colhidas na hora.

A vaquinha magra dava um leite gordo, saboroso, os leitões na engorda, cresciam para o Natal. Galinhas poedeiras ciscavam para todo lado.

Plantar, cuidar, colher, todo dia, essa era a rotina, essa era a vida. A alegria ficava misturada com o suor e a companhia dos familiares. Lembro desse tempo com felicidade. Meus pais ensinaram aos filhos o valor do trabalho, do respeito, do cuidado, do capricho nas pequenas coisas. Daquele tempo aprendemos a cultivar a vida. 

Da infância vem muita coisa importante. Hoje vejo minha neta, outras crianças, tantos recursos, tanta vivacidade e curiosidade, tanta fome de vida. Vejo como essas crianças tecnológicas também gostam de plantar, de aprender sobre a natureza e suas maravilhas. É animador ver as crianças, com mais consciência e respeito, transformar o mundo num lugar melhor.

 

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