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Novos velhos tempos

Publicado em: 18/04/2020


 
Consumíamos muitas coisas e éramos também consumidos, sem perceber, sem nos darmos conta nos afastamos da família e dos amigos

Nesses tempos em que o isolamento deixou de ser voluntário ou opcional, deparamo-nos com uma nova realidade capaz de nos deixar perplexos.

Se faz necessário desacelerar “na marra”, rever conceitos, paradigmas e valores tão cristalizados. Consumíamos muitas coisas e éramos também consumidos, sem perceber, sem nos darmos conta nos afastamos da família, dos amigos. 

Tudo estava muito perto, mas ao mesmo tempo a muitos quilômetros do que era essencial. Desaprendemos muita coisa, aprendemos mais do que era necessário, perdemos a noção do que é cultivar, do que é parar e respirar fundo, com calma, deixamos de observar e compartilhar muito da simplicidade que há em viver.

Mal podíamos parar e observar uma planta, uma flor, uma árvore, sem a sensação incômoda de estar perdendo tempo, de estar fazendo coisa nenhuma. E plantar, então? Esquecemos como a interação direta com a terra é importante, alienados do cultivo mais básico, deixamos de ver as maravilhas e ter os benefícios de sujar as mãos de vida na sua manifestação mais generosa. Lembro das tamareiras (que já falei por aqui) que demoram quase oitenta anos para produzirem seus primeiros frutos. 

Alguém teve esperança e a fé de cultivá-las para as próximas gerações colherem. Foram essas palmeiras as geradoras de muita riqueza no Oriente. É importante resgatarmos essa coisa de cultivar pensando em nossos filhos, em nossos netos e não mais só em nós, nas nossas necessidades imediatas. Enxergar mais adiante, além de nossa ganância. 

Estamos vivendo um tempo de angústia e medo, a terra pode nos trazer um equilíbrio emocional importante. Você sabia que os astronautas, em tempo de isolamento, plantam, mexem com a terra para manterem-se emocionalmente saudáveis? 

É fato sabido que quando plantamos atingimos um estado próximo à meditação em termos de harmonia e equilíbrio, uma energia boa toma conta da gente. Nesses tempos de isolamento social, cultivar um jardim, uma horta, um pomar, é uma chance e tanto de nos acalmarmos, lidar melhor com nossa ansiedade, observar os ciclos naturais da vida, valorizar um pouco mais o essencial. Precisamos de muito pouco, precisamos recuperar a nossa ligação com a Terra, nossa casa, nossa amável Terra.


 

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