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Viaje com a Julia

Publicado em: 12/02/2021

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Sou advogada, blogueira sem blog e uma viajante mão de vaca. Resolvi escrever na Revista Aldeia sobre o assunto para democratizar o acesso a viagens. Estreio esta coluna com a experiência em Fernando de Noronha e olha que não sou a Bruna Marquezine!
#Noronhe-se!
@juuliapaixao

Viajei com minha família para Fernando de Noronha em março de 2019. Foram sete dias na ilha, tempo mais que suficiente para conhecer tudo. Recomendo uma viagem de quatro dias. Primeira dica importante: cuidado com a época de chuvas (março a julho), pois realmente chove muito e atrapalha a viagem. Outro fenômeno que pode atrapalhar é o “swell”, que deixa o mar muito agitado de dezembro a março, impossibilitando passeios de barco e visitação a algumas praias. 

Ficamos hospedados no Bairro Floresta Velha, a 700 metros da Vila dos Remédios, local muito bom mesmo, perto de restaurantes, pontos de ônibus, bem central. Ao contrário do que eu pensava, a ilha não tem nada de glamour. Tornou-se uma viagem de ricos mais pelos preços do que pelo local. Até mesmo os restaurantes mais famosos são simples, as pessoas se vestem de forma simples, tudo em clima de praia, supertranquilo.
 
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Se quer ir para Noronha, se prepare. A viagem é uma verdadeira eco camelagem: muitas trilhas, muito barro e muita pedra. Não recomendo para crianças, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção. Em compensação, as praias tem mar calmo, água cristalina e bem morninha... uma delícia! Tem também muita vida marinha, peixes, golfinhos, tartarugas, arraias, tubarões... você vai ter a oportunidade de ver tudo de muito perto.

Ah, tem muito mosquito, leve muito repelente e nunca esqueça de passar... o mosquito da ilha é o maruim, muito pequeno e não faz barulho. Pica e você nem sente! Nem toda praia tem estrutura de guarda sol e todo guarda sol se paga caro. Então, um chapéu e muito protetor solar é essencial. Se for a Noronha, não esqueça de levar sapato aquático, camisa com proteção UV e mascára + snorkel.

É CARO MESMO
Os preços de fato assustam na ilha. Acreditem, é realmente caro. Mas tem saída. Levamos uma mala de comida (que foi despachada), com pão integral, Nescafé, leite em pó, bolachas, barrinha de cereal, miojo e outras coisinhas). Lá tem vários mercadinhos, mas prepare o bolso. Almoçamos vários dias no restaurante do Tio João. Outras dicas baratezas: Lanchonete Mabuya, Restaurante Edilmar, Fitness Food e Restaurante da Mãezinha. 
 
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INGRESSOS
Para entrar tem que pagar a Taxa de Preservação Ambiental (TPA). Para sete dias pagamos, na época, R$ 467,50 (por pessoa). Pode-se comprar pelo site www.noronha.pe.gov.br/turPreservacao.php ou no aeroporto. Para ir a algumas praias também é preciso um ingresso do ICMBIo: R$ 106 por pessoa, e também é possível comprar pela internet no site www.parnanoronha.com.br/ingressos. 
 
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IMPERDÍVEIS
  • Passeio dos Golfinhos
Passeio de barco, onde se vê muitos golfinhos. Dica importante: muita gente passou mal de enjoo no nosso barco, então tome um Vonal ou um Dramin.
  • Praia do Atalaia 
Tem que agendar com antecedência no ICMBio (tem fila para agendar). Para se chegar às piscinas naturais é preciso fazer uma trilha. O tempo para fazer a trilha e a flutuação na piscina, em dias normais, é em torno de duas horas (90 minutos de trilha ida e volta e 30 minutos de flutuação). Vá de tênis. Pode ter alguns atoleiros. É preciso alugar colete e snorkel obrigatoriamente. Na entrada na trilha tem um quiosque que aluga e também vende água e comida (é o último ponto de apoio). Na minha opinião, o melhor passeio de Noronha. A paisagem é magnífica. Vimos peixes, tubarões, arraias, moreias, simplesmente um berçário da vida marinha impressionante. Dica: não pode usar protetor e repelente, e nem tocar nos corais. Tudo é bem orientado por uma guia.
 
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LOCOMOÇÃO
A ilha possui 17 km², com cerca de 10 km de comprimento e 3,5 km de largura máxima, então para se locomover existem as opções de buggy, moto, ônibus ou táxi. A melhor opção é buggy, que leva até cinco pessoas. Pagamos R$ 250 a diária. A moto sai por R$ 150. Lembre-se: é preciso abastecer (gasolina na faixa R$ 7,19 o litro). Com meio tanque, de buggy, você roda tranquilamente dois dias. Outra opção bem em conta é ônibus. Passa de meia em meia hora e liga todas as praias. Um porém, o ônibus deixa nos pontos, alguns um pouco distantes das praias. A passagem é R$ 5. Mas é muito fácil andar de ônibus lá. Tem uma única rodovia e o motorista grita o nome da praia nas paradas. Todas as estradas que levam às praias são de chão, com muito barro, muitas pedras, além de muitas subidas e descidas. Existe uma empresa de táxi, chamada NORTAX, tem aplicativo para ver os preços. Financeiramente é o que menos compensa.

O que fizemos?
Alugamos um buggy por dois dias, conhecemos as praias mais distantes. Depois, de ônibus, conhecemos as praias mais próximas. Também pedimos carona. É só gritar e pular no buggy. De boa!
 
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DIA 1
Praia da Conceição
Praia para banho, muito bonita. Fica aos pés do Morro do Pico. O Bar Duda Rei, apesar dos preços altos, garante certa estrutura de aluguel de guarda sol e compra de bebidas/comidas. Pôr do sol lindo! 

Praia do Meio
Praia ruim e com pedras. Não é praia para banho.  Famosa apenas pelo Bar do Meio, cujos preços são absurdos. É o lugar mais badalado, com bastante ostentação, champanhe, etc.

Praia do Cachorro
Praia bonita, mas com pedras. Impossível para banho. Famosa pelo Buraco do Galego, que só pode ser acessado na maré baixa, por uma trilha entre as pedras. Dificuldade média para chegar. É preciso olhar a Tábua das Marés e tentar ir num horário que tenha menos turistas, pois a fila é grande.

Fortaleza N S dos Remédios
Tem uma subida enorme para chegar lá. É um forte famoso pelo pôr do sol. Realmente lindo lá em cima!

DIA 2
Praia do Sancho
Primeiro lugar disparado no TripAdvisor. O ônibus deixa na trilha e é preciso andar 20 minutos. Eleita várias vezes a praia mais bonita do mundo. Lá tem o mirante para o morro Dois Irmãos e Baía dos Golfinhos. Todas as trilhas são ótimas, feitas com madeira ecológica e os percursos são fáceis e rápidos. Só para descer à Praia do Sancho precisa descer por uma escadinha entre as pedras, é bem tranquilo. Na Praia do Sancho só pode ficar uma hora. Tem horário para descida e horário para subida pela escada. Leve snorkel, a praia é cristalina com muita vida marinha. Já o mirante Dois Irmãos é o cartão postal de Noronha. E na Baía dos Golfinhos se o mar longe. Se chegar cedo, às seis da manhã, pode ver golfinhos. Mesmo sem golfinhos, a paisagem compensa.

Praia Cacimba do Padre
Segundo lugar no TripAdvisor. É a praia que dá acesso à Baía dos Porcos. Lembre-se: observe a Tábua das Marés e só vá à praia no horário indicado. Ou seja, maré baixa.

Praia do Bode
Próxima da Cacimba do Padre. É o mesmo visual da Cacimba, mas menos movimentada. Tem uma estrutura de guarda sol e bebidas. 

DIA 3
Praia do Sueste 
Também precisa do ingresso do ICMBio. Imperdível! Lá se vê tubarões bem de perto e também tartarugas. Existem guias que te levam tirar foto com a tartaruga no mar, custa R$ 60. Se não achar a tartaruga, devolvem o dinheiro. Praia com estrutura de bebidas, comidas e aluguel de cadeira e guarda sol.  Lindíssima!

Praia do Leão
Não é famosa, mas na minha opinião, é a mais bonita de Noronha. O caminho até lá é de muita subida. A pé é sofrido. Vá de buggy ou peça carona para alguém. Funciona das 8 às 18h30 e precisa da carteirinha do ICMBIO. Não é indicada para banho, pois o mar é muito agitado, mas tem algumas piscinas naturais ótimas e seguras. 

DIA 4
Projeto Tamar
Funciona diariamente, das 8 às 22 horas. Não tem nada demais, infelizmente...

Praia do Boldró
Adoramos essa praia. O pôr do sol no mirante do Boldró é lindo. Bom para passar o dia. Tem um barzinho muito tranquilo e maneiro. Não é uma praia badalada. É para relaxar.
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Custo total, incluindo hotel, taxas, passagem, passeios e alimentação: uma média de R$ 6 mil por pessoa.
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