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Edição 124
Entrevista

Pelo bem comum

com Vilson Basso

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Bruna Scheidt

Vilson com a esposa Amanda e os filhos Luiz Felipe, 13 anos, e Enzo Riccieri, 11 anos: aprendizado diário

 
O empresário Vilson Basso, 50 anos, é uma pessoa de portas abertas. Desde que começou sua trajetória profissional como vendedor na empresa dos irmãos, a Geriba Alimentos, aos 19 anos, fez um planejamento financeiro para montar o próprio negócio. Antes de abrir a Seven Têxtil, fábrica de cortinas e capas para colchão, em 1997, montou um mercado com o pai e foi dono de uma locadora de vídeo.


Formado em Economia e pós-graduado em Gestão Empresarial, sempre liderou iniciativas de inovação e, principalmente, de associativismo. Casado com Amanda e pai de Luiz Felipe, 13 anos, e Enzo Riccieri, 11 anos, Basso também tem um trabalho efetivo na Apae, entidade que conheceu melhor após o nascimento dos filhos.
 
Aproveitou o aprendizado e a vivência no Sindicato da Indústria do Vestuário, na Federação das Indústrias e na Associação Comercial de Cascavel, e reuniu alguns para implantar uma gestão empresarial na Apae, hoje referência no Paraná e no Brasil. Deste trabalho na Apae, veio o convite para candidatar-se a suplente de Flávio Arns ao Senado Federal. Como de costume, sua porta estava aberta. Acompanhe a conversa.

Qual a motivação para ingressar na política? Em primeiro lugar, como nunca disputei nenhum cargo público, quando recebi o convite do Flávio Arns para ser primeiro suplente de senador, que é um cargo majoritário, eu e Amanda, minha esposa, entendemos que só podia ser encaminhamento de Deus. E, em segundo lugar, estávamos em um momento político muito ruim no Brasil, todos desanimamos com a corrupção na política. Só tínhamos duas coisas a fazer, também criticar e sair do país, ou fazer a nossa parte para ajudar a fazer a mudança que almejamos e precisamos. Com a ajuda de Deus escolhemos a melhor opção. 

O que aprendeu durante a campanha, especificamente com Flávio Arns? Aprendi, principalmente, que ainda é possível fazer a verdadeira política, aquela do bem comum, em que as pessoas escolhem alguém que confiam para representá-las nos cargos políticos. Fiquei surpreso que a campanha foi maravilhosa, pois foi feita no Estado inteiro somente com voluntários, nenhum cabo eleitoral contratado.
 
“Me identifiquei muito com o Flávio Arns, porque ele faz a política do bem comum, da união de pessoas por uma causa e não a política partidária”
Como analisa o resultado positivo nas urnas? Foi resultado de uma vida inteira do Flávio dedicado ao bem comum e à defesa das pessoas com deficiência, principalmente às Apaes. As pessoas votaram nele pelos seus valores, integridade na política, ética. Votaram com convicção baseada em seu passado. Também foi positivo porque utilizamos a credibilidade dos dois suplentes para conquistar mais votos. Eu, pela minha caminhada aqui no Oeste e Sudoeste do Paraná, e o 2º suplente, Flavio Vicente, da região de Maringá e Londrina.

Qual sua maior ambição como político? Não tenho ambição como político, somente quero que o Brasil seja um país desenvolvido, que tenha políticas públicas que tragam dignidade à seu povo, que tenhamos um Estado mais enxuto, menos impostos para a população e para quem gera emprego. Também, através do exemplo da minha família, poder contribuir com as pessoas com deficiência do nosso Brasil. Contribuindo para que estas mudanças aconteçam, ficarei muito feliz, independente de chegar a ser senador ou não. 

A política pode ser diferente? Sim, como diz o Papa Francisco, a política é o melhor caminho para a construção do bem comum. Acontece que nos últimos anos ela foi desviada para atender interesses próprios e para se manter no poder. A maioria dos escândalos de corrupção que tivemos foi para manter as mesmas pessoas no poder. Por isso, precisamos urgente de uma reforma política mais profunda. 

O papel de um bom político é engajar pessoas com diferentes necessidades e isso requer habilidades que você têm de sobra. Como construiu isso em sua vida? Desde que eu estudava no primário sempre gostei de estar envolvido nas apresentações, grêmio estudantil, na diretoria da igreja do bairro, sindicato têxtil, etc. Sempre gostei de ajudar para alguma causa e aí fui fazendo amigos, conhecendo pessoas, aumentando minha rede de contatos. E o meu caráter, graças a Deus, recebi na educação de meus pais e convivendo em casa com meus irmãos. Sou muito grato a eles por isso. 

Vivemos momentos de ódio, intolerância... Como reverter esses sentimentos? Simplesmente dando exemplos de amor e tolerância. Nestas eleições houve muito radicalismo, tanto de esquerda como de direita, isto não é bom, mas agora precisamos entender que somos todos brasileiros e queremos o melhor para o Brasil e seu povo, cada um com sua forma diferente de pensar. Entendo que este exemplo terá que vir de cima, do próprio presidente eleito; afinal, agora ele não é mais candidato de um grupo, mas sim presidente de uma nação. 

Qual é o melhor conselho que já recebeu e que, de fato, seguiu? O melhor conselho que recebi foi o exemplo que tive em casa com meus pais, de integridade, humildade e respeito ao ser humano. Tenho me esforçado para segui-los e passar isso a meus filhos.
 
Por que, na sua opinião, em alguns aspectos, Cascavel sempre empaca? Por que não avançamos? Se formos considerar a média das cidades brasileiras, ou até mesmo paranaenses, Cascavel sempre despontou como destaque, sempre esteve entre as 100 melhores do Brasil ou entre as dez melhores do Estado; seja na qualidade de vida da sua população, seja no resultado do IDEB, ou, mais recentemente, sendo a 23ª melhor cidade para se fazer negócios. Então temos mais resultados positivos para comemorar do que negativos para reclamar. 

Faltam propósitos comuns? Em alguns pontos cruciais concordo que empaca, quando falamos em Aeroporto Regional e duplicação da BR 277. A meu ver, isso ocorre por problemas políticos; temos cinco deputados federais e quatro estaduais, e cada um pensando no seu reduto político. Não há uma junção de forças para destravar estes gargalos que há muito tempo acabam sendo uma trava para o maior desenvolvimento de nossa cidade. Entendo que este papel de exigir de nossos deputados a defesa destas bandeiras é principalmente do prefeito, ele foi escolhido para fazer a gestão de nossa cidade e a infraestrutura tem um papel fundamental para que pessoas e empresas queiram investir nela. Neste ponto, concordo plenamente que faltaram propósitos comuns; digo mais, acho até que por diferenças políticas alguns grupos fizeram de tudo para atrapalhar este processo... Pensamento muito pequeno e desprezível.

Falta protagonismo? Sim, nestes aspectos que estão empacados faltou protagonismo, faltou dizer “Eu vou resolver este problema e não descansar e também não deixar ninguém sossegado até que o mesmo não esteja resolvido”. Mas também acho que faltou gestão administrativa de alguns prefeitos que passaram por nossa cidade, tiveram boa vontade e boa intenção, mas foram muito ruins em gestão e formação de equipe de secretários.

É difícil desenvolver um senso de comunidade nas pessoas? Não, temos muitas pessoas dispostas a ajudar para o bem comum, podemos ver a quantidade de voluntários que temos envolvidos, nas festas de igreja, Pastoral da Criança, Rotarys, clubes de serviço, Apaes, tratamento de câncer, ONGs em defesa dos animais, meio ambiente, etc. Cada um ajudando onde se identifica mais. E na realidade estes trabalhos voluntários fazem mais bem a quem realiza do que a quem recebe. Está faltando este senso de comunidade no meio político, geralmente ele vem com algum interesse por trás. Neste ponto me identifiquei muito com o Flávio Arns, porque ele faz a política do bem comum, da união de pessoas por uma causa e não a política partidária que tem afundado o Brasil.
“Está faltando este senso de comunidade no meio político, geralmente ele vem com algum interesse por trás”

A construção de uma sociedade justa depende muito mais da retidão dos cidadãos comuns do que da postura dos políticos? Se considerarmos que todos os políticos foram ou são cidadãos comuns eleitos para administrar as nossas riquezas, sejam elas sociais, econômicas, culturais e naturais, poderíamos dizer que precisamos mudar o cidadão. Mas, com certeza, o brasileiro não é mais corrupto do que as pessoas de outros países; o que precisamos é que a justiça seja mais ágil e rígida nos julgamentos de desvios de conduta. Precisamos ter orgulho de nossas instituições como acontece com o juiz Sérgio Moro, a equipe da Lava jato, o Ministério Público, a Polícia Federal, as Forças Armadas, etc. Todos são excelentes exemplos para nós, o que não acontece com o STF, por exemplo. Todos nós temos receio do que é decidido por lá. Mas estou muito confiante que, com o juiz Sérgio Moro como Ministro da Justiça, tem uma tendência de melhorar muito esta conduta no Brasil, seja pelo exemplo (amor) ou pela punição (dor).

Você acha que é impossível que a sociedade brasileira, que tolera essas pequenas infrações, livre-se da corrupção? É difícil conseguir se livrar totalmente da corrupção, precisamos que este índice caia para exceção, não seja regra. Se observarmos que após as decisões do juiz Sérgio Moro tivemos vários outros juízes que se destacaram também no combate à corrupção, então vemos que temos muitas pessoas boas no Brasil, inclusive na política. O que precisamos é multiplicar estes bons exemplos e criar um ciclo virtuoso onde as pessoas tenham orgulho de estar fazendo a coisa certa.
 
“É difícil conseguir se livrar totalmente da corrupção, precisamos que este índice caia para exceção, não seja regra”

Se tivesse o poder de mudar o mundo, o que mudaria? Gostaria de mudar aqueles países onde seu povo é escravizado, passa fome, são dominados por ditaduras cruéis, onde as pessoas não têm liberdade, não têm nem o direito de escolher sobre sua vida, enquanto que seus ditadores vivem na maioria das vezes em palácios com muitas regalias e exageros. Isto é uma crueldade e falta de sensibilidade, afinal de contas não percebem que a vida é curta e não levaremos nada disso. Fico pensando como pode uma pessoa destas deitar e dormir tranquilo. Isso com certeza não é de Deus.

Qual foi o último livro que você leu e o que te fez refletir? Apesar de não ser muito disciplinado com a leitura, gostei muito dos últimos dois livros que li. Um foi "Como se tornar um líder servidor", de James C. Hunter. Ele nos mostra que o líder tem que ter em primeiro lugar caráter, uma base espiritual muito forte e a consciência de que liderança não é poder e, sim, autoridade. E que precisamos praticar diariamente, através de exemplos, as habilidades da liderança servidora até que ela se torne um hábito. O outro livro foi uma coleção de "O vendedor de Sonhos", de Augusto Cury, em que relata a vida de um homem muito influente, e sua preocupação maior era com as coisas materiais e não tinha tempo para a família. Só foi perceber isso depois de perdê-la em um acidente. Muito bom para refletirmos sobre nossas fraquezas e nos faz pensar o que realmente é importante em nossas vidas.

O que você mais aprende com seus filhos no dia a dia? Eu e a Amanda, minha esposa, consideramos que o Luiz e o Enzo são uma benção que veio em nossas vidas para aprendermos diariamente com eles, seja em aproveitar mais o hoje, o que eles podem fazer, e não ficar pensando muito como será o amanhã. O amanhã pertence a Deus, precisamos nos planejar, sim, se queremos um futuro melhor, mas se quisermos que eles estejam melhor amanhã precisamos trabalhar bastante hoje. Estimularmos, dar oportunidade para que eles aprendam. Também, através da vida deles, conhecemos a realidade das pessoas com deficiência, tivemos a oportunidade de dar a nossa contribuição na Apae; e foi através deles que tivemos o convite para dar a nossa contribuição na política. 

Deixe uma mensagem para 2019. Otimismo. Otimismo e muito trabalho. Ser protagonista de nossas vidas. Se queremos um futuro melhor para nossas vidas, nós somos os responsáveis por construí-lo. Se queremos um futuro melhor para nossa pátria, nós também precisamos dar a nossa contribuição para que isto aconteça. Se procurarmos fazer tudo com amor, estaremos melhorando nosso ambiente, nossos resultados e, através de nosso exemplo, poderemos ir transformando o mundo.
 

UMA DECLARAÇÃO DE AMOR

“Conheci a Amanda, minha esposa, em 2002, quando ela trabalhava de vendedora na Gráfica Tuicial e veio me atender para fazer catálogos para a Seven. O atendimento foi tão especial que já no ano seguinte nos casamos e eu a trouxe para cuidar da parte de marketing e vendas na nossa empresa. Deu tanto resultado que a empresa cresceu e a família também. Nossos filhos são nosso orgulho!”

 

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