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Edição 126
EXPRESSÕES da política

A verdade de Guto

Por seus valores cristalinos, boas conexões e visão de mundo, Guto Silva, chefe da Casa Civil do Paraná, suscita imensas expectativas. Filho de professores do estado, ele se destoa dos figurões da velha política, mas não se considera inocente. Tem plena consciência das renúncias, da transitoriedade e das limitações. Seu cargo atual, aliás, poderia ser tranquilamente encarado como o de uma “startup”: precisa de criatividade para vencer barreiras históricas, tem que realizar mudanças de impacto e conta com enormes desafios pela frente.

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Bruna Scheidt

Publicado em 11/04/2019


Guto, afinal, o que é a verdade?

Eu diria que na atualidade nós temos um divórcio entre a sociedade e o processo político. As urnas demonstraram isso, e talvez faltou verdade nesse processo. Contar a verdade é dizer o que está acontecendo. Há muita desinformação. O governo, às vezes, quer esconder muitas coisas. O governo precisa informar melhor, se comunicar melhor. Precisamos, de fato, trazer os veículos para nos ajudar nesse processo, dar transparência aos atos e não só tomar decisão ouvindo políticos. A partir desta escuta tenho convicção que nós poderemos ter qualidade nas ações. A verdade é isso: transparência. É chamar todos para o diálogo, visando a construção do Paraná que a gente imagina.


Essa carência de representatividade afasta as pessoas da política? Em que isso nos prejudica?

Infelizmente, o processo político foi jogado no lixo. Pela má prática, pela desconexão com a realidade, por estar isolado nos palácios e assembleias que não compreendem o sofrimento da população, que não compreendem que a população fique irada, e com razão. Precisamos dar um passo para trás, sentar, ouvir e compreender. Acho que esse momento de esperança, que o país também sente, momento de resgatar os valores e de resgatar o pensamento ético, coincide com o colapso de liderança que nós temos. Temos um déficit de liderança e é preciso estimular, seja na área empresarial, seja na área política, seja na área eclesiástica. Precisamos complementar diferentes formas de liderança para que o país possa avançar. Nenhum país avança sem líderes.


Que valores você traz da sua família e qual a importância de se preservar esses valores?

As tradições é que nos carregam para o futuro. Minha mãe e meu pai são professores do estado e uma das coisas mais sagradas pra mim é não envergonhá-los. Se eu não envergonhar meu pai e minha mãe eu não vou envergonhar a sociedade. Então, a família dá essa tradição, essa segurança, esse resgate de quem você é, o que você sonhou, de onde você veio, quais são seus ideais. Nesse mundo conturbado, com muita informação e muita tecnologia, voltar à casa, voltar à sua origem, te prende um pouco no chão, te dá senso de realidade, e isso faz sentido também para os governos. É isso que nós estamos tentando fazer: esse resgate da essência do Paraná, esse resgate das cidades, das pessoas. O governo tem que olhar para as pessoas de verdade, olhar e enxergar, enfim, construir uma agenda positiva.


Como político, qual a sua utopia?

Eu não sou um político inocente. Já fui vereador, já fui deputado, mas é preciso um pouco de romance, é preciso sonhar. Se não tiver o sonho de querer transformar o dia a dia da população, não tem sentido. O governador Ratinho Jr. fala muito isso. Nós precisamos olhar para as pessoas. Um governo que não enxerga o seu povo não tem sentido de governar. Isso é uma constante e a gente faz essa revisão sempre, toda semana. Pensando no Paraná, pensando em estrutura, pensando nisso e naquilo. Mas nós temos que olhar “como é que a dona Maria que vai hoje no posto de saúde vai se deslocar e deixar sua família? Ela tem como se afastar do seu emprego?”; o governo tem que olhar isso. Precisa olhar pra quem tem necessidade. O governo precisa olhar para o seu patrimônio, que é a população do Paraná. 


E você aprendeu tudo isso com seus pais?

Sim. Meus pais são professores do Estado e eu tenho o maior orgulho. Eu sou o filho mais velho de quatro irmãos. Meu pai brincava desde cedo: “filho de professor tem que ir atrás do conhecimento, estudar e ir à luta”. Sempre fui incentivado, dentro de casa, a estudar e seguir essa luta, estimulado a ganhar bolsa de estudos. Morei um tempo fora do Brasil, na Inglaterra, Portugal e Espanha, e essa visão de fora também me ajuda hoje. A educação iguala a todos e dá oportunidades, e há uma preocupação, sim, em valorizar os professores. 


QUEM É GUTO?

É professor universitário, doutorando em Gestão de Negócios. Aos 41 anos, é casado com Karina Amadori e pai de Francisco e Mariana. Também é empresário na área de comércio exterior e consultor internacional de empresas e do Sebrae/PR. Pós-graduado em Gestão de Recursos Humanos, tem MBA em Gestão de Negócios pela FAE Business School. É autor de dois livros pela editora Aduaneiras: Logística no Comércio Exterior e Gestão Global.

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1 COMENTÁRIO(S)

Guto Silva um político moderno, muito capaz e que terá um futuro brilhante se continuar com a dedicação e humildade que apresenta. Sucesso sempre!!
comentado por Hernani Bergossi em 12/04/2019
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