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Edição 126
CURIOSIDADE

O marketing de “seo” Darci

Marketeiro por intuição, ele reforça o pensamento de que a propaganda é a alma do negócio e não perde nenhuma oportunidade. Nas proximidades da sua borracharia, as plaquinhas já são velhas conhecidas

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Bruna Scheidt

Publicado em 12/04/2019

“Seo” Darci em frente às suas famosas plaquinhas: propaganda é a alma do negócio

“Borracharia: eskina da Brasil com Vicente Maxado!”. Ops! Tem algo errado nesta frase. Eskina e maxado, pode isso? É, digamos que “seo” Darci Pereira, o autor da frase, matou a língua portuguesa, mas, em seu pensamento, salvou a propaganda! Quando alguém reclama dos erros de ortografia, ele tem o argumento na ponta da língua. “Olha o tamanho da placa. Não tem espaço! Quando é maior, escrevo certinho”.

Marketeiro por intuição, ele reforça o pensamento de que a propaganda é a alma do negócio e não perde nenhuma oportunidade. Nas proximidades da sua borracharia, as plaquinhas já são velhas conhecidas. Ele mesmo pensa na frase, pinta e pendura nas árvores e postes. De vez em quando, alguém remove. Ele vai lá e pendura mais alto. 

As plaquinhas trazem algumas pérolas. Numa delas, uma placa pendurada no alto de uma árvore gigante diz: “Favor não ler”. Logo abaixo, a frase: “O melhor borracheiro desta quadra está aqui”. Ele também não se limita a um meio de comunicação. Além das placas, faz divulgação via redes sociais e impressos. Coisas de “seo” Darci, um catarinense de Tangará que chegou em Cascavel no dia 1º de janeiro de 1973 para nunca mais sair. 

Aqui, trabalhou dez anos como recapador, 17 anos na Copel e, quando se aposentou, montou sua borracharia. “Monto e desmonto um pneu em sete minutos”, orgulha-se, creditando tanta expertise aos 54 anos de prática. “Tenho 70 anos e só pretendo sair daqui com 300. Tenho mais 230 para viver e trabalhar. Como amo o que faço, acho que terei esta benção”, brinca.

Filosófico, ele cita os conselhos de seu pai para vender seu trabalho. “Faço bem feito para não ter que refazer e nunca brigo com ninguém. Numa briga, mesmo que você ganhe, ainda assim está perdido”. Outra característica sua é a bondade. “Como já fui muito pobre, de não ter o que comer, gosto de ajudar quem precisa. Aqui, os catadores de papelão, por exemplo, não pagam para consertar o pneu de seus carrinhos. Faço de graça. Como pagamento, só peço oração”. Detalhe: entre um conserto e outro, ele também compõe músicas e escreve poesia. Amém, “seo” Darci! 

 

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