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Edição 127
PROPAGANDA

O highlander dos jingles

Luciano Veronese criou seu primeiro jingle para a Casa Sport na década de 1990. Agora, impulsionado pelas novas tecnologias, retoma com força total a produção de peças que aliam publicidade e arte

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Bruna Scheidt

Publicado em 08/05/2019

 O multi-instrumentista Luciano em seu estúdio: novas tecnologias trazem mais possibilidades para a veiculação de jingles

 
“Pratique muito bem, pratique bem melhor, pratique sempre mais, pratique Casa Sport”. Quem viveu nos anos 1990 e ouvia rádio deve se lembrar deste jingle. Quem não viveu, vamos à história. Foi o primeiro jingle criado pelo músico Luciano Veronese. 

Depois de uma temporada na Europa, Luciano voltou a Cascavel decidido a empreender no ramo musical. Sabia tudo de música, mas não tinha dinheiro suficiente para montar um estúdio. E foi com um videocassete emprestado do irmão que fez suas primeiras produções. 

Claro, um processo bem mais complicado que hoje. Errar no meio das gravações significava começar do zero. Cantar tudo novamente. Na era dos jingles, Veronese fez muitos. Alguns rodam até hoje a exemplo do “New York School, um jeito fácil de aprender inglês...” ou “Verduras bem fresquinhas e frutas com sabor, Muffatão traz pra você a feira do produtor”. 

Por uma demanda de mercado à época, afastou-se dos jingles e investiu na produção de bandas e gravação de CDs. Centenas de artistas passaram por suas mãos. Melhor dizendo, por seu ouvido musical. Agora, com a revolução tecnológica e possibilidade de qualquer pessoa gravar, de maneira experimental, em casa, os jingles voltaram à cena. “E as possibilidades de distribuição hoje, com a internet, são infinitas”, diz Veronese. 

A volta dos jingles tem um significado especial para o músico. Além de ser autoral, é uma peça que possibilita trabalhar com todos os elementos que aperfeiçoou nestas três décadas. “Faço toda a criação da letra, música e melodia. Depois faço a gravação, o arranjo, a edição e a mixagem. Exerço todas as funções que estudei e que me fazem feliz, sem falar que criar e tocar o que criei é maravilhoso. É um trabalho pleno”.


Memória afetiva

Fazer um jingle com a sutileza de envolver as pessoas, sem aquele “blá-blá-blá publicitário” é tarefa para “maestro”. O grande desafio é equilibrar arte e publicidade, condensando tudo o que um briefing pede em apenas 30 segundos, com uma melodia forte, agradável, bem resolvida em métrica e rima. “É preciso construir uma narrativa para atender uma necessidade comercial sem perder o lado artístico. Tem que ser uma peça útil comercialmente, mas que me satisfaça musicalmente”.

Para acertar o tom sem ser “chiclete”, muita técnica, sensibilidade, intuição e criatividade. “O segredo é ouvir. Quando eu ouço no dia seguinte e vejo que ficou agradável, eu apresento. Tenho que chegar na alma das pessoas de uma forma sensível, mais pela emoção do que pela repetição”, explica. A repetição facilita os mecanismos de fixação no cérebro, mas não adianta só ter quantidade. A propaganda precisa criar uma memória afetiva. “Não faz sentido, por exemplo, repetir milhões de vezes e não ter uma boa lembrança”. 


Caminhada na música

Para quem estuda música e vive de música há mais de 30 anos como Luciano Veronese, criar jingles que realmente façam uma conexão entre as pessoas tem sido uma de suas alegrias. Foram muitos anos para chegar neste processo criativo. “Cada peça traz um pouco da minha experiência com as bandas, com outros músicos, produtores e até das minhas viagens pelo mundo. Tudo isso criou meu DNA musical, que se reflete diretamente em cada trabalho”.


CURIOSIDADE

O primeiro jingle nasceu nos anos 1930, na época de ouro do rádio, por iniciativa de Adhemar Casé (avô da apresentadora Regina Casé), que veiculou em seu Programa Casé, na Rádio Philips, uma composição de Antônio Nássara para a padaria Bragança.

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