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Edição 127
EXPRESSÕES na política

Paranhos, você é corrupto?

A pergunta pode soar pesada, ainda mais para um prefeito. Mas, é uma pergunta que deve ser feita sim, sem medo, até para nós mesmos! E é sempre bom questionar sobre a lógica da corrupção

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Bruna Scheidt

Publicado em 22/05/2019


A pergunta pode soar pesada, ainda mais para um prefeito. Mas, é uma pergunta que deve ser feita sim, sem medo, até para nós mesmos! E é sempre bom questionar sobre a lógica da corrupção, sobre o papel dos líderes, o que pensam, o que falam, como agem. Igualmente, sobre o nosso papel enquanto cidadãos. Afinal, não há corruptos sem corruptores? Como indagou o Padre Vieira, lá atrás, em 1654: “O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção?". Passados mais de 350 anos, as causas são as mesmas: contradição de quem deve salgar e a incredulidade do povo diante de tantos atos que não correspondem às palavras. Por isso mesmo, perguntar não ofende. Com a palavra, o prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos.

O que lhe assusta como prefeito? Talvez a incompreensão de algumas pessoas que querem levar vantagem em tudo no poder público. Acho isso horrível. Nós estamos diminuindo essas questões. Já existe uma compreensão, uma participação dos fornecedores. Nós colocamos um programa de compras que nos proporcionou uma economia muito grande e não afetou a qualidade do produto. Estamos com um programa de fiscalização de obras também. As coisas estão acontecendo. O que tem me deixado mais feliz é a participação da população, existe uma torcida para a cidade dar certo. Isso me anima.

Qual o seu maior arrependimento? Não sei se tenho algum arrependimento. Eu me preparei para ser prefeito, mas claro, tenho fragilidades e erros porque sou um ser humano. Acredito que tenho acertado em muitas decisões. Abrir o governo para ouvir mais as pessoas foi um grande acerto. Dividir a responsabilidade com o setor organizado também. Na medida do possível tenho desempenhado meu papel sem ter do que me arrepender.

Como você analisa o atual momento político em termos de Paraná e de Brasil? É um momento ímpar. Um momento de esperança, de expectativa e de contribuição mútua. Não é só olhar para o governo federal e achar que ele deve resolver tudo do dia para a noite. É uma mudança de concepção, uma mudança de costume, uma mudança para o bem. Não tenho dúvidas de que será um ano positivo. Para nós que estamos nos municípios há um pouco mais de dificuldade, pois pegamos dois governos (estadual e federal) iniciando. Mas são dois governos que tem pressa e isso me anima.

Qual a sua meta mais audaciosa para Cascavel? Oferecer uma saúde humanizada. A gente tem caminhado para isso. Nós saímos de 25 equipes do PSF e hoje temos 52. Reformamos 28 unidades de saúde, criamos o Centro Especializado de Odontologia, contratamos 89 médicos, estamos reformando três UPAs, compramos um hospital. Estes investimentos nos proporcionam o primeiro lugar do Brasil em aumento de equipes do PSF, o primeiro lugar do Brasil em aumento da atenção básica e, agora, uma notícia fantástica: zeramos a morte materna e baixamos para 6.4 a mortalidade infantil. É a mais baixa da história de Cascavel.

Como se conseguiu isso? Isso não se faz apenas com investimento físico. É uma decisão. Nós criamos um programa chamado internamente “Tudo pela vida”, que se caracteriza pelo acompanhamento desde o início da gravidez. O Brasil fez um pacto há dez anos para ter a mortalidade em um dígito, menos de 10, hoje está em 13. O Paraná está em 12 e Cascavel 6.4. Então, é de fato, um grande avanço.

O Paranhos que entrou é diferente do Paranhos de hoje? Sim, a gente muda porque governar uma cidade é governar expectativas diferentes. Eu não falo tudo que eu gostaria de falar. Às vezes eu me controlo porque não é um pronunciamento do Paranhos, é de uma autoridade. Às vezes tenho que engolir muitas coisas e não posso ceder. Eu não faço corrupção, não aceito corrupção, eu tenho nojo de corrupção. Isso é uma questão minha e acho que estou conseguindo impor dentro da prefeitura. 

Por fim, já que você comentou sobre o assunto, você é corrupto? Eu sou um homem temente a Deus. Eu acredito num plano maior. Eu fui boia-fria fria, fui criado sem pai. Acho que o que Deus me proporcionou é muito. Tenho uma boa casa pra morar, um carro, uma família. Tenho três filhos que serão aquilo que eu sou. Se eu quero que meu filho seja um homem reto, eu preciso ser um homem reto. Se eu quero que minha filha seja uma mulher decente, que valorize as coisas, eu preciso ser assim. Eu não preciso educar com palavras, eu preciso educar com postura.

Corrupção é um assunto que lhe angustia muito? Muito mesmo. Eu tenho minha mãe com 84 anos. Às vezes, ela assiste esses jornais e pede: “Filho, tá tudo bem aí?”. Ela vive com o coraçãozinho apertado. Este mundo da política é um mundo ruim, mas em que é possível ser bom. Aliás, a política é a única ferramenta não espiritual capaz de fazer justiça. Ser justo não é só ser justo com os pobres, é ser justo com todos. Ser justo com as minorias, com os empresários, com as pessoas que precisam de políticas públicas... 


Leonaldo Paranhos, 53 anos, é prefeito de Cascavel. Foi deputado estadual do Paraná pelo Partido Social Cristão, presidente do Instituto de Pesos e Medidas, vice-prefeito e vereador do município de Cascavel. É casado com Fabiola Paranhos e tem três filhos.

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1 COMENTÁRIO(S)

É um ótimo prefeito e voto novamente nele ...Abraço. ..
comentado por Luiz Gustavo Mattos em 09/06/2019
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