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Você sabe o que é selfie financeira?

Para você, dinheiro é pecado? Dinheiro é sujo? Ambição é algo ruim? Veja o que pensa o consultor Marcio Araújo. Saiba também o que é a self financeira e como ela pode te ajudar

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Divulgação

Publicado em 11/06/2019

Consultor Marcio Araújo
As selfies já fazem parte do nosso dia a dia. Fazer autorretratos e postar nas redes sociais tornou-se um hábito diário. Mas, você já ouviu falar no termo “selfie financeira”? Se ainda não, deveria. Selfie financeira nada mais é do que fotografar o seu orçamento diariamente e, através disso, fazer um diagnóstico de sua vida financeira. “Se a partir de hoje você não recebesse mais o meu ganho mensal, por quanto tempo conseguiria manter meu atual padrão de vida?”, indaga o consultor Marcio Araújo. “A self financeira é o exercício que leva a pessoa a chamada de consciência diária, levando a priorizar seus sonhos  e controlar as compras por compulsão”, acrescenta.

Com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro e formação em Administração de Empresas e Ciências Contábeis, além de MBA em negociação empresarial e gestão comercial pela FGV e cursos na Fundação Dom Cabral, Araújo decifra, nesta entrevista à Revista Aldeia, alguns pontos sobre educação financeira. Acompanhe.


Somos uma sociedade mal educada financeiramente?

Sim, infelizmente somos uma sociedade sem educação financeira e isso não é exclusividade dos brasileiros.  A Organização das Nações Unidas (ONU) descreve em diversos documentos que a população mundial é analfabeta financeira.




O que é alfabetização financeira?

Alfabetização financeira é a consciência da gestão financeira, de crédito e de dívidas e o conhecimento necessário para tomar decisões financeiramente responsáveis​, decisões que são essenciais para o nosso dia a dia. A alfabetização financeira inclui entender como uma conta corrente funciona, o que realmente significa usar um cartão de crédito e como evitar dívidas. Em suma, a alfabetização financeira impacta as questões diárias que uma família comum faz ao tentar equilibrar um orçamento, comprar uma casa, financiar a educação das crianças e garantir uma renda na aposentadoria.


Economias desenvolvidas também padecem?

Sim, a falta de educação financeira não é um problema apenas nas economias emergentes ou em desenvolvimento. Os consumidores em economias desenvolvidas ou avançadas também não conseguem demonstrar uma forte compreensão dos princípios financeiros para entender e negociar o cenário financeiro, gerenciar os riscos financeiros de forma eficaz e evitar armadilhas financeiras. Nações como Coréia do Sul, da Austrália à Alemanha, enfrentam populações que não entendem o básico financeiro. Os EUA ocupam o 14º lugar em Alfabetização Financeira, a propósito.


A crise despertou a necessidade desta educação?

Em períodos de crise simplesmente é apontado um holofote para os dados gerados por esta falta de educação financeira. Já há cinco anos que a inadimplência apresenta números ente 22% e 32% na média do país, com alguns estados com 37%. O desemprego, consumo acelerado e inconsciente não é de agora. Também a negligência com o futuro financeiro só realçou os números.
 

Como tornar educação financeira algo agradável?

Reprogramando as crenças ou as experiências que estão incutidas em nossas mentes. Passando por um processo de ressignificação sobre o dinheiro, compreendendo as todas as benesses que o dinheiro pode realizar em nossas vidas e o principal é que o dinheiro não é o fim, mas sim um meio para realizarmos nossos sonhos.  E que no mínimo você tenha três sonhos  (de curto, médio e longo prazo) para que você possa poupar e aproveitar as coisas boas da vida no hoje e no futuro de forma equilibrada.


Fomos criados numa cultura de que “dinheiro” é quase um pecado. Como analisa isso? 

Pergunta fantástica! Em nossa formação cognitiva ainda na infância, ouvimos muitas coisas que ficam gravadas em nosso subconsciente, como por exemplo, de que dinheiro é sujo e não traz felicidade. Isso pode ser agravado quando se adiciona o fator fé, ou seja, religião. No versículo Mateus 19:24, temos o seguinte: “E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”. Eu já possuo uma concepção pré-estabelecida de quando eu morrer eu vou para o céu ou para inferno, qual você quer ir? Se eu me tornar milionário para onde vou?

Infelizmente, estas crenças que ficam em nosso subconsciente são acionadas sempre quando temos contato com dinheiro, por isso, estes comportamentos financeiros inadequados.

Em minhas palestras, treinamentos e workshops pelo país falo da reprogramação financeira, pois sofremos uma programação que nos deixou como muitas crenças e estas devem ser excluídas ou ressignificadas. Outro exemplo é a palavra “ambição”, que é tratada de forma pejorativa e pecaminosa, você já viu alguém crescer sem ter ambição?


Afinal, o que é a selfie financeira?

Como seria se você criasse o hábito de diariamente visualizar e registrar sua vida financeira no presente para o futuro. A selfie na essência é um autorretrato, um fenômeno que milhões de pessoas diariamente realizam. Desta forma criei a analogia da “self financeira”, para que de forma diária as pessoas tirem 1 minuto e se concentrem e invistam este tempo para mentalizar seu estado  atual (extrato do banco hoje, quanto aplicado?). E o estado desejado no futuro  (quanto quero ter investido em 25 ou30 anos, com quantos anos alcançarei minha independência financeira). Ou como seria meu filho de dois anos de idade chegar as 18 anos com a faculdade paga?
 

Quais são as principais características das pessoas bem-sucedidas financeiramente? 

Eles se cercam de pessoas positivas
Você não pode mudar as pessoas, mas se a negatividade delas está minando sua confiança, você pode ter que abandoná-las da sua vida. Carregamos muitas dúvidas e isso gera de certa forma insegurança, que gera o medo  e consequentemente nos travas. Não precisamos que as pessoas ao nosso redor reforcem isso.
 
Eles não são desconcertados pelo fracasso
Pessoas bem sucedidas falham. Muito. Contanto que você aprenda com os erros do passado e tome medidas práticas para evitar os mesmos erros no futuro, isso é tudo que você pode fazer. 
 
Eles gerenciam seu tempo de forma eficaz
Existem muitos livros e ferramentas on-line para ajudá-lo a aproveitar ao máximo seu tempo. Se você acha que tudo o que faz é trabalhar, há etapas que você pode adotar para otimizar seu dia, para que possa ganhar mais dinheiro sem gastar mais tempo.
 
Eles ignoram as opiniões dos outros
Isso é um pouco de uma declaração geral. Ninguém precisa se meter em todas as decisões, mas deve haver pessoas em sua vida cujas opiniões você valorize e busque antes de tomar decisões importantes. Se não, veja a primeira característica.
 
Eles têm direção e agem com propósito
É importante ter um objetivo, sonhos. É mais importante ter uma meta e etapas práticas para atingir esse objetivo.
 
Eles se concentram em grandes vitórias
Uma grande vitória pode ser uma promoção no trabalho, pagando seus empréstimos estudantis ou seus cartões de crédito.
 
Eles fazem o que é difícil
Em outras palavras, não procrastine.  Ao procrastinar , você fica sem tempo e lembre-se tempo é dinheiro.
 
Eles fazem sua própria sorte
Sorte é a reunião de preparação e oportunidade. Você pode conseguir uma ótima entrevista de emprego através de um amigo que trabalha na empresa. 

Essa é a oportunidade
Você conseguiu o emprego porque pesquisou a empresa e a posição e impressionou o entrevistador. Essa é a preparação.
 
Não há sorte na loteria
Eles acreditam que são responsáveis ​​por sua fortuna. Existe um lócus interno de controle. Um mantra "faça sua própria sorte".
 
Eles crescem e mudam com o tempo
Às vezes você tem que perceber o porquê de um fracasso, deixar ir e mudar de direção. Ou para poder mudar sua opinião diante de novas informações. Há 20 anos, muita gente achava que a mudança climática era besteira. Agora, diante da esmagadora evidência científica, você é um idiota se não permitir que a ciência irrefutável mude sua opinião. Porém a grande lição destes é que o “Rico não é o que ganha mais, rico é o que poupa mais”.
 

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