Matérias

Edição 131
CASAMENTO

Alguma dúvida que é amor?

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Dalton Castro 

Publicado em 03/09/2019



Conheça a história de Bianca e Douglas. Eles se casaram num asilo e fizeram deste momento algo mágico e transformador para velhinhos e velhinhas carentes de afeto


Sim! É isso mesmo que você está vendo nas fotos. Bianca e Douglas Medina se casaram num asilo, com direito a bolo, buquê, trilha sonora, noivinho e juiz. Os velhinhos e as velhinhas não eram apenas convidados. Participaram da cerimônia. “Seo” Afonso, com andar típico da marcha parkinsoniana, levou as alianças. “Seo” Natanael foi o juiz. Dona Ana, mesmo cadeirante, decorou o caminho com rosas. A noiva, é claro, atrasou um pouco e chegou de Fusca. 

O casamento de “mentirinha” que, para a maioria ali, foi de verdade, aconteceu no ano passado no Asilo São Vicente de Paulo, em Nova Esperança, a 40 km de Maringá. E tudo aconteceu de forma muito espontânea. Como a intenção era valorizar os idosos e tornar o momento único, a cerimônia ficou restrita, sem convidados de fora. As únicas exceções foram uma tia de Douglas, que fez o bolo, e os pais dele. “Foi um momento de muita pureza e muitos velhinhos fantasiaram o Douglas como filho ou neto deles. Outras velhinhas diziam ser namoradas dele. E acreditavam nisso, algumas dementes já. A maioria, vivendo uma carência afetiva sem fim”, conta Bianca.

Mas tudo tem uma história. E o casamento no asilo não aconteceu por acaso. Dentista, ainda morando em Nova Esperança, Douglas visitava os idosos todas as quintas-feiras. Fazia oração, levava docinho, beijava e abraçava um a um. Era o melhor dia da semana. Nesta época, sequer conhecia Bianca, que à época estava fazendo cursinho para Medicina em Cascavel, mas que igualmente tinha uma afeição pelos mais velhos. E não é que foi justamente isso que os uniu.

Da amizade ao amor
Não foi amor à primeira vista. Bianca e Douglas ficaram juntos depois de muito tempo. Ele morava em Nova Esperança e, de vez em quando, vinha para Cascavel visitar alguns parentes e participar da reunião de jovens da igreja. Sozinha por aqui, Bianca foi acolhida pelos primos e por Glória, tia-avó de Douglas. Desta convivência nasceu um encanto. Do encanto, uma amizade no Facebook, e desta amizade, algo que tocaria Bianca para sempre: a foto dele com um velhinho no asilo. “Eu já o admirava e, quando vi aquela foto, foi a gota d´água, pois eu sempre gostei de idosos”.

Com certo receio, escreveu uma mensagem elogiando a atitude dele. A resposta foi gentil, mas objetiva. A conversa morreu ali. Não era pra ser. Aprovada em Medicina na PUC de Londrina, Bianca foi embora de Cascavel. Um belo dia, abre o face, corre os olhos na lista de aniversariantes e, quem está lá? Douglas. Mesmo tarde da noite e sem expectativa alguma, mandou uma mensagem no privado, algo como “Parabéns, Deus te abençoe”. 

Para sua surpresa, ele respondeu e engataram uma conversa de duas horas. Não demorou muito tempo já estavam namorando. Neste tempo, Bianca passou na Unioeste e transferiu o curso para cá. O casamento no asilo foi uma espécie de despedida de Douglas que também se mudou para Cascavel. Quando visitam familiares em Nova Esperança, a 330 km de distância, dão um jeitinho de abraçar os velhos amigos.
 

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