Matérias

Edição 133
MULHER

Forjada pelo tempo

Texto Rejane Martins Pires

Publicado em 28/10/2019


Através de instalações, vídeos e fotografias, as artistas mostraram como as mulheres foram forjadas pelo tempo. Deusas e heroínas de diversas mitologias transitam neste universo místico e enigmático

O fascínio pelo oculto e pelos territórios desconhecidos não é novo. No universo feminino isso ganha proporções ainda maiores como mostrou de forma surpreendente, mais uma vez, o Coletivo Duas Marias (Malu Rabelato e Nani Nogara) com a exposição “Forjada pelo tempo”, realizada no Museu de Arte de Cascavel (MAC), com curadoria de Luiz Carlos Brugnera, dentro de uma extensão da 14ª Bienal Internacional de Curitiba. 

Através de instalações, vídeos e fotografias, as artistas mostraram como as mulheres foram forjadas pelo tempo. Deusas e heroínas de diversas mitologias transitam neste universo místico e enigmático. Em seu texto curatorial, a artista plástica Nani Rabelo destaca as deusas, santas e pecadoras do submundo que alcançam, no mundo dito real, a essência de mulheres comuns. “Na trama ilusória do tempo, o ser feminino personifica e protagoniza histórias arquetípicas de seres mitológicos”.

Para Brugnera, "tal qual as parcas tecendo a carne humana, o Coletivo Duas Marias nos apresenta o destino; a sequência da existência num tempo que atravessa o presente, rege a consciência anterior e o inimaginável aguardado. Linha consciente da vida!". O escritor José Luiz de Carvalho, em sua crítica, acrescenta: “Assim é o caso desta obra em movimento. Ela é real e concreta, contém os traços marcantes deixados pela natureza e pela cultura do feminino: do feminino que se engendra, se constrói e se reconstrói ao longo da história”.

CRÔNICA

Ser Mulher

“Feitas de carne, guiadas pela emoção, diferentes entre si, mas iguais em coração. Não procuro sua razão, pois para mulheres não existe definição.” O pequeno poema “Carne, emoção, mulher” (Mundo das Mensagens), apesar de não ser conhecido, traduz em simples versos o que vivi ao visitar a exposição “Forjada pelo Tempo”, do Coletivo Duas Marias, no Museu de Arte de Cascavel (MAC). O primeiro olhar sobre as obras causou-me um sentimento curioso. 

As criações, carregadas de significados, revelaram um novo mundo. Um mundo mitológico, povoado por deusas, santas e pecadoras que se entregaram de corpo e alma ao amor que sentiram. Desde as primeiras telas da exposição fica evidente a luta da mulher para mostrar que é mais que apenas algo belo. Mostrar que é um ser real, que ama, sofre e luta por aquilo que anseia. 

Para dar luz a esse ideal, as artistas Malu Rabelato e Nani Nogara conduziram um novo olhar sobre o Ser Feminino. A idolatria a deusa nórdica Freya, o pecado de Eva e a santidade de Maria deixam de serem reféns dos imaginários valores humanos para construírem suas próprias definições. Como as Moiras – da mitologia grega –, essas damas tecem o fio de seus destinos, buscam por suas próprias essências e se tornam carne, emoção, mulher. Distintas umas das outras, mas forjadas na mesma chama da vida, sejam guerreiras como as Valquírias, esposas como Penélope, ou amantes como Ariadne, ser mulher é mais que apenas existir.

Ser mulher é criar, dar luz e conduzir uma nova vida. É lutar pelo que está perdido. Viver uma dúvida cheia de certeza. Esperar o inesperado. É doar-se de corpo, alma e coração. Ser mulher é um presente... Uma dádiva que poucos podem desfrutar.

Raquel Schandeski de Souza, 
estagiária de Jornalismo da Univel 
em pauta especial para a Aldeia



 

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