Matérias

Edição 134
ARTE

André, o arquiliterário!

Texto Rejane Martins Pires

Publicado em 29/11/2019


Fundador do movimento Arquiliteratura, cuja proposta une arquitetura e literatura numa nova concepção de arte visual, André Braga tem convite para expor em Nova York

Se José Saramago escrevesse seus livros utilizando a arquitetura como linguagem, como seriam eles? E Anne Frank? E Fernando Pessoa? E Hemingway? Jorge Luis Borges? Parece estranho. Inimaginável. Agora, preste atenção nas fotos que ilustram esta matéria. Um olhar minucioso vai levá-lo à memória recente de alguma leitura. As obras integram o Projeto Arquiliterário do artista plástico André Braga. Numa tradução livre, algo como a arquitetura dos livros.

A autenticidade de seu trabalho tem chamado a atenção de curadores do Brasil e do exterior, inclusive, já tem convite para expor em Nova York no próximo ano, bem como na Bienal Internacional de Veneza e Bienal Internacional da Amazônia. Após conhecer a obra de Braga pelas redes sociais, o marchand brasileiro Louis Ventura, sócio da Saphira & Ventura Gallery, formalizou o pedido via email. 

Estar no mercado internacional significa muito trabalho por aqui. Cada projeto exige a leitura e a releitura de todas as obras do autor. “Eu procuro entender como o autor viveu, qual a relação dele com o mundo e de que maneira eu posso transpor isso para obra”, explica. Além disso, é preciso entrar na história para ser fidedigno ao texto e ao autor. Para isso, conta a ajuda da esposa, a professora de literatura Margarete Nath. 

A própria história deles daria um romance. Mestre em Letras e doutora em Linguística, Margarete conheceu André no Ceebja. Ela professora. Ele, um aluno com histórico de defasagem escolar comum a muitos brasileiros. Da paixão pelos livros, nasceu o afeto e o amor mútuos. Braga formou-se em História e atualmente é funcionário do Instituto Federal de Educação (IFPR). Casados há 11 anos, ambos vivem numa espécie de santuário, num sítio em Rio do Salto. 

É lá, nas horas vagas, que ele entra numa espécie de imersão. O silêncio só é quebrado pelos sons da natureza. A calmaria aparente esconde um turbilhão interior. André não para. Está sempre criando. Pensando em novas possibilidades. Enxergando além. Simples materiais como madeira, papel, metal, cola, barbante, tecido, galhos e outros pequenos objetos se transformam em arquitetura literária.

O leitor
Se você já leu algum livro de Edgar Allan Poe, conseguirá compreender o impacto que este autor teve na vida de André. Ele conheceu Poe aos 13 anos, na biblioteca da escola. Houve ali uma espécie de arrebatamento tão intenso que o menino fugia da sala de aula para ler em casa. Nunca mais parou.

Até mesmo no zoológico, onde trabalhou por alguns anos, concluía suas tarefas e corria para os livros. Toda esta entrega à palavra fez nascer o movimento Arquiliteratura, a união da arquitetura e da literatura como uma nova forma de arte. “É um trabalho muito recente. Há um ano, eu estava tentando criar uma árvore do conhecimento num pé de jabuticaba com o máximo de autores”, conta. Desmembradas da árvore, surgiram as primeiras construções baseadas em Saramago, Fernando Pessoa e Borges, e expostas despretensiosamente no Museu de Arte de Cascavel (MAC). 
 
Gesiane Sluzarski é acadêmica de 
Jornalismo da Univel e participou como
estagiária na produção deste material 

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