Matérias

Edição 136
ENTREVISTA – Felipe Machado

Expectativa positiva para fusões e aquisições

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Bruna Scheidt

Publicado em 12/02/2020


O mercado de fusões e aquisições no Brasil bateu recorde em 2019. O segmento movimentou R$ 307 bilhões, uma alta de 58,6% se comparada a 2018. A tendência para 2020 é que as operações envolvendo a compra e venda de empresas, incluindo pequenas e médias, mantenha este ritmo.

Embora não existam dados regionalmente, o mercado de fusões e aquisições vem crescendo. Porém, ao contrário dos grandes centros, por aqui ainda não há uma cultura pela busca de uma assessoria especializada. “Periodicamente, vejo em nossa região “empresa” comprando “empresa” o tempo todo e sempre me pergunto: será que foram assessoradas? Será que fizeram o melhor negócio?”, explica o contador e consultor empresarial Felipe Machado, da Evolua Consultoria. É ele quem fala sobre o assunto:


As empresas brasileiras foram às compras em 2019?
Não só em 2019. Em 2011, tivemos o ápice, até então, das operações de M&A (mergers and acquisitions) ou fusões e aquisições, traduzido do inglês. Entre 2011 e 2016, as negociações envolvendo empresas tiveram uma queda nos números de transações, porém, a partir de 2016, o total de operações no país cresceu ano a ano e bate recordes. Em 2019, o segmento de fusões e aquisições movimentou R$ 307 bilhões, uma alta de 58,6% se compararmos com 2018. 

O que motivou este alto número de fusões e aquisições?
Aqui teremos que dividir a resposta em três etapas para uma melhor explicação. Primeiro, as questões econômicas. A maior clareza como um todo no ambiente econômico, incluindo a já aprovada Reforma da Previdência e as novas agendas de reformas, o crescimento do PIB pelo terceiro ano consecutivo, a melhora de indicadores econômicos, o aumento do nível de confiança dos empresários, os juros e inflação nas mínimas históricas. Esses fatores foram e são determinantes para que o país conseguisse essas marcas nas operações de compra e venda empresas.

Em segundo lugar, seriam os interesses de mercado?
São as motivações, tanto do vendedor quanto do comprador. Mas o que leva um empresário a vender o seu negócio? Dinheiro? Talvez a recompensa financeira seja uma forte razão para a realização do negócio, mas inúmeros outros fatores motivam o empresário a considerar a venda de sua empresa, podemos destacar: (I) dissolução entre os sócios; (II) falta de uma sucessão planejada; (III) mudança nos planos de vida; ou até outros fatores como o desapego e o cansaço, por exemplo. No que tange ao comprador, primeiro precisamos separar entre os “estratégicos” e “financeiros”. 
Os compradores financeiros são os Fundos de Private Equity (investimentos em empresas de grande porte e consolidadas) e Fundos de Venture Capital (investimentos em empresas em desenvolvimento e de menor porte), por exemplo. Para esses compradores a motivação, em geral, é por ativos (empresas) que tenham grande potencial de valorização futura, comprar barato “hoje” para vender mais caro “amanhã”, obtendo altas taxas de retorno.

E há também os compradores estratégicos?
Sim. Os compradores estratégicos são, em regra, outras companhias que buscam (se motivam) por fatores relacionados a um plano estratégico de crescimento e que envolve temas como: busca de sinergias operacionais por aumento de escala e/ou complementar seu portfólio; compra de ativos, seja de tecnologia ou capital intelectual, que poderia ser mais complexo e demorado desenvolver por conta própria; e entrada em novos mercados, segmentos, localização, etc.

 E as perspectivas para 2020?
Acredito que esse movimento deve se repetir, talvez com ainda mais força.

Fusões e aquisições não se restringem aos grandes negócios, correto?
Absolutamente, não. Existe um dado demonstrando que a grande maioria (cerca de 60%) do volume de transações de fusões e aquisições no Brasil é inferior a R$ 50 milhões. Nesse indicador, estamos falando apenas das transações que são, de alguma maneira, formalizadas e registradas para estatísticas. Todas as demais operações que se realizam entre particulares, com cifras menores, não entram nesses dados. Hoje em nossa carteira de clientes de M&A temos negócios em andamento que variam entre R$ 1 milhão e R$ 75 milhões pelo valor da companhia. Eu brinco algumas vezes que muitos empresários estão deixando “dinheiro na mesa” quando realizam operações de compra e venda sem a presença de um assessor com experiência.

Regionalmente, como está o cenário neste quesito?
Olha, aqui temos um ponto interessante. Trabalhei em São Paulo com avaliação de empresas (valuation) e fusões e aquisições, e lá, a informação e o acesso a um profissional para assessorar este tipo de negociação é muito desejado e, sem dúvidas, somam diretamente na melhor concretização do negócio.  Venho trabalhando muito com a propagação da informação para a busca de um profissional qualificado no auxílio dos processos de uma operação de M&A. Periodicamente, vejo em nossa região “empresa” comprando “empresa” o tempo todo e sempre me pergunto: será que foram assessorados? Será que fizeram o melhor negócio?

A agenda de privatizações e concessões dos governos federal e estaduais influencia?
Acredito que o impacto nas pequenas e médias empresas aconteça através de um efeito cascata, pois as privatizações e concessões devem influenciar diretamente a entrada de dinheiro do exterior no país e, principalmente os investidores financeiros, como fundos de investimentos em grandes empresas. Posteriormente, impactando as pequenas e médias empresas quando aquelas “forem as compras”.

Quais cuidados tomar na hora de decidir por uma fusão ou aquisição?
De modo geral, alguns cuidados são iminentes e necessários ao se negociar uma empresa, dentre eles, destaco: analisar a viabilidade legal (jurídica) da transação; valuation (quanto vale o negócio?); due diligence (auditoria prévia) para evitar surpresas, seja tributária, fiscal, legal, etc.; pensar no processo de transição; condições de governança corporativa; e levar em conta a integração de culturas. 

De que forma a consultoria pode auxiliar?
A consultoria prestará serviços à companhia e aos sócios a fim de viabilizar a melhor transação estratégica. Nós da Evolua Consultoria temos equipe especializada nas áreas financeira, tributária, societária e jurídica para o desenvolvimento de todo processo de uma operação de fusões e aquisições. Somos especialistas em avaliação de empresas (valuation), due diligence, busca de investidores estratégicos ou investidores financeiros, preparação dos documentos legais necessários para apresentação da empresa e fechamento do negócio.
 

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