Matérias

Edição 136
VIDA

Ah! A amizade!


Foto(s) Bruna Scheidt

Publicado em 14/02/2020


Certa noite, depois de um dia atribulado, Guida chega em casa cansada e é surpreendida por um belíssimo jantar preparado por sua vizinha e amiga. Isso tem preço?

Guida Oliveira tem 46 anos. Mafalda Doratioto tem 75. Enzo tem 7. Entre eles uma grande diferença de idade e também uma grande amizade. Como bem descreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade, “a amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas”.  Vizinhas de porta, Guida e dona Mafalda sabem muito bem o valor deste sentimento capaz de dividir tristezas, histórias, vivências, segredos, risadas, memórias, silêncios e dores.

Como em toda amizade pura, entre os três há um cuidado especial. E, de vez em quando, uma surpreende a outra com atitudes inesperadas como o preparo de um prato de comida, um bolo ou um chá. “Em uma ocasião, dona Mafalda percebeu que meu dia estava muito corrido e, sem que trocássemos uma palavra, fui surpreendida por um delicioso jantar. São pequenos gestos como estes que tornam nossa vida mais bela e nossos dias mais felizes”, diz Guida.

A recíproca é verdadeira. “Quando fiquei doente, ela e o Enzo fizeram o mesmo. Não passava um dia sem que fossem me ver. Isso é muito precioso”, acrescenta Mafalda. “Encontrar amigos na minha idade é mais complicado. O idoso já tem uma tristeza própria, a solidão, a síndrome do ninho vazio, e não é todo mundo que tem paciência. A Guida me escuta muito. Temos uma relação de confiança e transparência”.

Esta disposição de se abrir e revelar coisas mais pessoais sem medo algum é o segredo da longevidade da amizade. “A reciprocidade é essencial. Tudo o que eu conto para a Guida é segredo. E conto sem preocupação. E ela da mesma forma”. Mas não é só “chororô” não. Entra aí a positividade para que a amizade prospere e faça bem para os dois lados. 

E quem mais ganha com isso é o pequeno Enzo que está crescendo num ambiente de afeto e de respeito ao próximo, aprendendo desde cedo a viver com as diferenças e desenvolvendo habilidades socioemocionais tão necessárias para a sobrevivência no mundo atual. Tudo isso sem perder a própria identidade e sem precisar fingir para agradar o amigo ou a amiga. “Sempre digo a ele que um bom amigo pode ser para sempre, mas, para que isso aconteça, é preciso cultivar esta amizade, dia após dia”.
 
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Dona Mafalta, Guida e Enzo: três gerações e uma grande amizade

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