Matérias

Edição 137
CAPA

Inquietude positiva

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Bruna Scheidt

Publicado em 16/03/2020


Para alcançar uma posição de comando, a empresária Juliana Mantovani dispôs de posicionamento e autenticidade. Porém, nunca se afastou de suas origens. É lá que estão suas maiores riquezas!
 
Espere qualquer coisa de Juliana Mantovani. Menos conformismo, aceitação e medo de desafios. Há exatamente dez anos ela começou a investir no ramo imobiliário, mais precisamente investindo no loteamento Jardim Juliana na cidade de Corbélia. O sucesso foi absoluto. Não é difícil entender o porquê.

Com o direcionamento do pai Alexandre e de seu mentor e inspirador, o irmão Fernando Mantovani, Juliana multiplicou sua fração de terrenos em um negócio que se expandiu para outras regiões do estado. E foi além. Do know-how da família Mantovani em loteamentos, teve a visão de construir nos lotes que já possuía. “Comecei com duas casas. Gostei do que vi e do que senti”, conta.

Partindo dessa satisfação, nasceu a Construtora Mantovani. Na sequência, fez um residencial com alguns apartamentos, engajando outras casas ao mesmo tempo. Pronto! Estava aberto o caminho para não parar mais. Atualmente, está em fase conclusiva o projeto para mais residências no loteamento Jardim Mantovani em Cascavel. Investir é com ela mesma. Juliana parece ter nascido para empreender. Como diz ela: “Quando a veia é forte, não tem jeito”.

Essa plenitude não aconteceu de um dia para o outro. Na infância, adolescência e parte da vida adulta, mesmo recebendo uma educação primorosa, com direito a aulas de piano, balé, inglês, pintura e tudo o que se tinha direito, incluindo na bagagem a experiência de uma imersão na Europa, teve seus questionamentos. Criada para várias oportunidades, Juliana optou ser quem é, falando mais alto sua personalidade, sem nunca se afastar de suas origens. E é aí que está a beleza do seu legado...
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Juliana com o marido Júnior e a filha Eduarda: "Amores que plantei em solo fértil, com raiz forte e que cultivamos e cuidamos todos os dias"

ALEXANDRE, UM VISIONÁRIO
“A nossa felicidade depende muito mais do que temos nas nossas cabeças do que nos nossos bolsos”. A frase é de um dos maiores filósofos do século XIX, o alemão Arthur Schopenhauer, mas traduz bem a família Mantovani. “Com um real ou um milhão de reais no bolso, meu pai é a mesma pessoa. Com um senso de justiça e humildade sem igual, ele não admite nenhum desvio de conduta e sempre foi firme nas suas atitudes”.

Até hoje, aos 81 anos, conta a filha, ele vai todos os dias para o escritório. “É um mestre. Não abre mão de estar na linha de frente de seus empreendimentos e sempre nos auxiliando em nossos negócios, aliás, nós é quem vamos pedir direcionamento para ele. Afinal, me espelho em quem deu certo, em quem venceu”, diz a empresária.

Quando chegou em Cascavel, no ano de 1959, para assumir uma serraria juntamente com a irmã, Alexandre Mantovani Neto, o pai de Juliana, nem sonhava com o ramo imobiliário. Após algum tempo, se tornou “motorista de praça”, como dizia na época. E dos melhores. Conhecia a cidade e a região com a palma da mão. Fidelizava clientes sempre com pontualidade e retidão. E foi a bordo de seu belo trabalho que surgiu o primeiro negócio.

No leva e traz gente nas ruas empoeiradas de Cascavel, entre 1965 e 1973, eis que um passageiro lhe pede informação sobre algum terreno na cidade para comercialização. Tarefa fácil para Alexandre, negócio feito! Entusiasmado e determinado, em 1974, fundou a Imobiliária Mantovani Ltda, sendo a primeira imobiliária da cidade, e até hoje, mais de quatro décadas depois, localizada no mesmo endereço. “Meu pai é o estímulo diário de garra, perseverança e visão de negócios”.

Imagina o orgulho ver o nome das netas (Eduarda, Fernanda, Juliana e Carolina) em loteamentos espalhados no Paraná e em Santa Catarina e mais todo um bairro com seu nome na cidade em que acreditou. “O pai é a prova de que sucesso é consequência de muito trabalho”, reforça Juliana com brilho nos olhos. “É tanta história que daria um belo livro...”, destaca.
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Foto 1. 
Transportando madeiras para a serraria 
Foto 2. 
Casamento de Alexandre e Sueli em 1968
Foto 3. 
Colegas taxistas e amigos no Ponto 01, na Av. Brasil, em Cascavel
Foto 4. 
“Seo” Alexandre Mantovani, com seu DKV Vemag


O COFRE DE DONA SUELI
Quando se casou com “seo” Alexandre, em 1968, Sueli era uma mocinha. Apesar de muito jovem, já tinha a clareza de definir prioridades. Foi graças ao seu cuidado com dinheiro que o pai, certa vez, comentou em trocar de carro e dar um up como taxista. Dona Sueli o surpreendeu, mostrando-lhe uma frasqueira com todo o dinheiro que ele deixava diariamente para pagar uma ajudante. Ela não só fez o serviço da casa como guardou suas economias, o que garantiu a troca do carro que o marido queria, do DKW para um Opala.

Referência de elegância, classe e exemplo de uma excelente anfitriã, a mãe é sua inspiração para as delicadezas de casa. “Cresci encantada, observando como ela fazia. Começava cedo os preparativos para os jantares, desde os talheres de pratas polidos impecavelmente até o arranjo de flores sempre frescas e naturais que embelezavam a mesa”.

Preocupações com os detalhes, as louças, o cardápio, as bebidas e até a música eram por conta dela, deixava tudo organizado e exposto antes dos convidados chegarem. “Sentar-se com as pessoas, dar atenção aos convidados e curtir um bom papo era o que fazia ter tanto sucesso os eventos da minha mãe, que, aliás, são comentados até hoje”. Os detalhes não eram moderados. “Os guardanapos, já naquela época, eram personalizados com o nome dela e do meu pai. Desconheço alguém que recebe melhor do que minha mãe”.
 
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ORGULHO DAS ORIGENS
Férias de infância não eram férias se não fossem no interior no Rio Grande do Sul. Deixar a comodidade e o luxo da cidade para vivenciar as coisas simples do interior os aproximavam de um mundo mágico. Ver o avô, Luiz Mantovani, indo até o paiol pegar milho para tratar os porcos, fazer “chimia” em tachos sobre fogo no chão, colher uva debaixo dos parreirais, ou simplesmente assistir a tia Doralina fazendo polenta e fritando os peixes pescados na hora se transformavam em espetáculo. “O rio ficava a poucos metros da acolhedora casa de madeira. Me recordo daquele lugar, onde, ao lado do meu irmão, sentava e ficava ali, vendo ele pescar”.

Essa vivência fez de Juliana uma apaixonada pelas raízes. “Sinto orgulho e privilégio em vivenciar tudo isso. E uma admiração maior ainda pelo meu pai, que para ver outros horizontes além daquele, teve que subir e atravessar o morro, apostando no que iria encontrar do outro lado, e naturalmente mudando seu destino”.
 
“Meu pai é o estímulo diário de garra, perseverança e visão de negócios. É a prova de que o sucesso é consequência de muito trabalho”.
 
VIDA OFFLINE
Um pouquinho da vida de Juliana Mantovani é compartilhada nas suas postagens nas redes sociais. Quem a vê ali, pensa tratar-se de uma madame. “E sou!”, diz, da maneira mais autêntica que alguém pode ser. “Amo ser mulher, tenho força e sensibilidade, que para mim é a junção perfeita: empresária, mãe, filha, esposa e apaixonada pelo lar”.

Para administrar a vida familiar e profissional de maneira leve, aconselha: “As mulheres precisam gerar consciência na sua família (marido e filhos) sobre a importância do seu lugar no mundo do trabalho”. Casada com o médico Clacy Biavatti Júnior, 37, e mãe da Eduarda, 12 anos, Juliana garante que o segredo para conseguir conciliar todos os papéis é transparência, diálogo e parceria. “Meu marido faz toda diferença na minha vida. Ele me apoia, me incentiva e aplaude minhas conquistas. E a minha filha me inspira. É esperta, divertida e sagaz. Protegê-la é o ápice da minha melhor sensação. Sempre digo que quando ela nasceu eu renasci também”.
 
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Juliana com a filha Eduarda: "Minha filha me inspira"


LIBERDADE PARA DECIDIR
Juliana, ao narrar sua trajetória de filha caçula à mulher de negócios, não esconde o orgulho de si mesma. Pode parecer contraditório alguém nascer “em berço de ouro”, não lhe faltando nada, e ainda assim optar em buscar seu lugar. “Empreender me trouxe a satisfação de tomar as próprias decisões, assumindo o ônus e o bônus dessa liberdade. O empreendedorismo não é arte, não é mágica, não é ciência. É planejamento, estratégia e trabalho”, afirma.

Tudo isso tendo o prazer da autonomia e de ter a sua assinatura avalizando cada uma de suas conquistas, da qual não abre mão por nada.  “Nós mulheres, dispondo de nossa independência financeira, não seremos reféns de ninguém. Estaremos sempre no domínio de nossas escolhas”.
E o dinheiro, o que representa?
 “Dinheiro é coisa. Já foi grão, pedra, ouro, prata, cobre, papel e, agora, número digital. Agora, se você me pedir o que é riqueza, eu digo: é prosperidade interior! Somente depois de estabelecer um padrão interno salutar acerca da prosperidade é que poderemos conquistar uma riqueza material autêntica e duradoura. As coisas mais sublimes da vida não estão à venda. As maiores riquezas são compostas por qualidades que o dinheiro não compra, como: amor, serenidade, paz interior, entusiasmo, contentamento, equilíbrio, saúde e sabedoria".

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