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EMPREENDEDORA DA ALDEIA

Só bolachinhas!

Texto Rejane Martins Pires

Publicado em 24/03/2020

 
Aos 82 anos, dona Irma fabrica mini bolachas para os principais bufês da cidade. Mesmo sem saber ler e escrever, mesmo sem nunca ter feito um curso de gestão, ela dá aula de empreendedorismo

O que é empreender? É abrir uma portinha? É ganhar dinheiro? É ter um CNPJ? Para dona Irma Schenkel, de 82 anos, empreender é a possibilidade de transformar vidas. Mesmo sem saber ler e escrever, mesmo sem nunca ter feito um curso de gestão, ela dá aula. Intuitivamente, segue à risca a cartilha dos mestres em empreendedorismo. Primeiro porque atua numa área que domina. Segundo porque tem uma estratégia e, ainda, porque não tem medo de ousar, cuida dos clientes e tem um planejamento financeiro. O mais importante: encoraja o empreendedorismo!

 
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Para conhecer dona Irma e sua fantástica fábrica de bolachas, é preciso tirar um tempinho e ouvi-la. A história é longa. Mais longa quando se olha de dentro. O início de tudo foi há 23 anos quando o marido, “seo” Hilmar, teve um aneurisma, ficou acamado e não pôde mais trabalhar. De uma situação de desespero e necessidade de sobrevivência, ela convidou a neta Mayara, na época com sete anos, para ajudá-la na primeira fornada de bolacha. Para sua surpresa, a menina topou.

Os “bolachões” que saíam da cozinha de dona Irma foram conquistando clientes e mais clientes. Atenta ao mercado, sempre pedia opinião. Certo dia, a dona de um bufê sugeriu que fizesse “bolachinhas”. “Fui diminuindo o tamanho até chegar ao que tenho hoje”, explica. São 17 sabores, entre eles manteiga, nata, nata com limão, amendoim, goiabada, maracujá, nata com coco, café, fubá, palito de mel, polvilho e até de cerveja, que é vegana. “Estou sempre inovando e se alguém insiste em pedir bolachão, mando comprar no mercado. Não posso mudar meu padrão”, diz. 
 
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INSPIRAÇÃO OCTOGENÁRIA
Quem degusta as mini bolachas servidas nos principais bufês da cidade, nem sonha que saem das mãos de uma octogenária. Pois acredite, é verdade! Tem mais. Nestas duas décadas, a jornada inclui também os cuidados com “seo” Hilmar, hoje com 83 anos. “Até aqui minha vida não foi fácil, mas meu médico disse que de agora em diante vai melhorar”, brinca. 

É com este espírito jovial que ela encara uma produção semanal de mais de 20 quilos de bolacha. Para ajudá-la, o “anjo” Ivanir, que há três anos aprendeu com dona Irma o segredo da massa perfeita: ingredientes de primeira qualidade e “boa mão”. Inspirada em sua mentora, Ivanir montou sua própria “fabriqueta” no bairro onde mora. Para conciliar o extenuante trabalho de diarista com a venda das bolachas, só mesmo com o encorajamento da amiga mais velha. “Uma ajuda a outra, seja com a troca de ingredientes, receitas ou uma palavra de ânimo e coragem. Quero que ela cresça. Ela merece. Ela chega sempre com sorriso no rosto e isso é uma benção”, diz dona Irma. “Outra benção é minha filha Vera, uma grande incentivadora, meus netos e o bisneto Vicente”.
 
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