Matérias

Edição 139
PÁGINAS AMARELAS

Fé, simples assim!

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Eron Zeni

Publicado em 27/05/2020


Aos 16 anos, a fisioterapeuta Marinês Toigo Gottlieb descobre um problema renal crônico. Aos 36, é diagnosticada com um câncer de estômago. Mesmo após várias sessões de quimioterapia, consegue viver mais dez anos com as funções renais alterando lentamente, mas sem entrar para a máquina de hemodiálise. Aos 47, porém, os rins cessaram e a vida ficou restrita a uma máquina de hemodiálise. Começava aí a busca incessante por um rim. Faz o primeiro transplante, retirado após 15 dias, devido a uma trombose arteriovenosa. Sem nunca perder a esperança, mesmo em momentos de completa desilusão, conseguiu o grande milagre: o rim que salvou sua vida. Por trás deste rim, uma história de amor e compaixão. Uma história de desapego e altruísmo que ela narra no livro “Fé, simples assim”. Com lançamento previsto para o mês de abril e cancelado devido à Covid-19, Marinês resolveu fazer uma ação solidária. Veja como ajudar no final desta entrevista.

 

“Fé, simples assim” é um testemunho forte de sua vida. O que lhe motivou a escrever o livro?
O que me motivou foi a fé que encontrei no momento mais angustiante da minha vida. Eu pensei que conhecia Deus, mas não. Eu corria atrás de outras opções para poder melhorar e não focava no único, onipotente, Deus. Quis fazer do meu jeito, e somente quando entreguei a Ele minha vida, os caminhos foram se abrindo e o milagre aconteceu. Por isso quero compartilhar com pessoas que têm alguma doença, seja emocional ou física, esta experiência de como agir, como tentar superar tudo sem olhar para trás, sem lamentar e somente agradecer pelo que virá.

Você é um exemplo de superação pela fé e pelo amor. Que legado quer deixar com o livro?
Minha proposta neste livro é ajudar as pessoas a enfrentar com otimismo, aceitação, resiliência, esperança e muita fé suas provações, pois a aceitação e o agradecimento fazem parte da fé que inunda meu coração, tanto do câncer, quanto dos problemas renais e outros que vieram e foram superados. Nunca duvide, acredite.

Você viveu experiências extremas desde a descoberta do problema renal. Falar sobre isso no livro é também uma forma de ajudar outras pessoas?
Acredito que sim, somos movidos por exemplos. A maneira como o outro age ou agiu para conseguir êxito em algo pode nos ajudar. Espero que neste livro eu consiga iluminar e ajudar de alguma forma quem precise e esteja perdido sem saber para onde correr. Fé, simples assim.
 
De onde vem tanta fé?

Da minha mãe que sempre nos ensinou a acreditar em Deus, orar, agradecer, pedir. Desde pequena a primeira coisa que faço ao levantar é falar com Deus.

O quanto conviver com uma doença renal na adolescência impactou a sua vida?
O que mais me entristecia era acordar inchada. Fora isso, eu procurava levar minha vida normal, cuidando da proteína, do sal, e não tendo nenhum machucado que precisasse tomar anti-inflamatório, que são vilões para renais crônicos.

E o câncer? 
Para superar o câncer tive muito apoio da minha família e, principalmente, do meu amor, Caio, que sempre esteve ao meu lado. No início ficava um pouco cansada. Também fiquei careca e sem poder ter filhos devido à grande dose de quimioterapia. Aceitei tudo isso, cumpri o tratamento e superei. Sigo uma vida normal.

Pode resumir sua experiência na hemodiálise?
Quando fui pela primeira vez, vi aquelas pessoas amarelas e sem ânimo, e a primeira coisa que pedi para a enfermeira: “Eu não estou assim, né?”. Minha veia estourou e o braço ficou roxo quando foram me puncionar e ligaram a máquina. Foi a primeira vez que fiquei com pena de mim. Com o tempo não procurei pensar muito. Me programei no horário. Criei uma rotina. Fazia três vezes por semana durante três horas e meia. Saía, ia trabalhar e indo dirigindo.  Com o tempo fui tendo cãibras e hipotensão. Desmaiava, mas nunca me fragilizei. Vida que segue.

E o quanto ser transplantada impacta atualmente?
Nada, sou uma pessoa normal, vivo como qualquer outra pessoa, tomo água, um bom vinho com moderação, comida normal e saudável, pratico corrida, bike, pilates, caminhada, viajo sem precisar procurar uma máquina para sobreviver. Tomarei imunossupressores para o resto da vida, mas e daí? Minha linha de vida aumentou muito graças a Deus que me presenteou com uma irmã maravilhosa, minha irmã Giovana, minha doadora.

Nesta sua jornada você encontrou muitas pessoas. Gente disposta a ajudar e até a doar um órgão... O que mais lhe emociona quando lembra destas pessoas?
Sim, me emociono do desprendimento e da bondade que estas pessoas tiveram em doar um pedaço de si para alguém que nem mesmo fazia parte da  família. Só tenho que agradecer a todos. Me senti amada, amparada. Isso me ajudou muito.

Pode falar sobre o quarto 321?
Neste quarto conheci o verdadeiro Deus e as transplantadas que ficaram comigo este tempo todo. Primeiro Regina, Maria José, Ana Bruna (in memorian), Maria Francisca (nossa Ellen) e Renata. Formamos uma família unida, em que eu abracei a causa e as cuidava com os recursos que eu tinha de aprendizado na área da saúde, como dicas de higiene, alimentação e maneira de enfrentar situações, etc.

Bem, depois de vencer um câncer, um transplante rejeitado, um internamento de 60 dias, um procedimento complexo e, finalmente, um transplante bem-sucedido, porém com várias intercorrências posteriores, quem é a Marinês hoje?
Sou uma mulher feliz, bem resolvida pessoal e profissionalmente, menos ansiosa, mais calma e compreensiva do que eu era. Problemas? Tudo se resolve. O mais importante na vida é Deus, a saúde, a família e os verdadeiros amigos. Continuo minha vida normal, trabalhando com RPG Souchard na Clínica Santa Rita de Cássia e no Instituto de Reabilitação Marinês Toigo e Associadas, me divertindo, viajando, e vivendo em plenitude. 

LEIA UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO E AJUDE QUEM PRECISA
Ao adquirir o livro “Fé, simples assim” você estará participando de uma ação poderosa para minimizar os efeitos causados pela pandemia aqui na cidade. Todo o dinheiro arrecadado com a venda do livro será direcionado para o movimento Fortes Cascavel, grupo que está desenvolvendo ações sociais pontuais. Para adquirir o livro entre em contato pelo fone 45 9129-9260, com Marinês. 


 

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