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Edição 141
PÁGINAS AMARELAS

Uma Margarida, várias mulheres

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Bruna Scheidt

Publicado em 17/07/2020



Pré-candidata à vereadora, Margarida Domingues Carneiro aceitou o convite do empresário Renato Silva para compor a chapa do Partido Republicano nas próximas eleições, com um objetivo bem definido: despertar novas lideranças femininas. Empresária, formada em Administração de Empresas, casada, mãe de dois filhos e avó de duas netas, Margarida aprendeu com os pais, pequenos agricultores que se dedicavam ao plantio de café em Jaguapitã, no Norte do Paraná, valores que a tornaram protagonista de sua própria história. Aos 17 anos, perdeu o pai, seo João. Homem carinhoso e gentil com as pessoas, deixou um legado de amor ao próximo. Com a mãe, dona Rosa, aprendeu a ser guerreira, valorizando o estudo e o trabalho, sempre com muita fé. Conheça Margarida...


Margarida, mulher, nascida em 1960. Qual é a sua jornada?
Morei em Jaguapitã até os meus 17 anos, trabalhei desde muito cedo, fiz curso de corte e costura, datilografia e fui professora da zona rural do município. Desde criança sempre fui muito participativa na escola e na vida comunitária. Concluí o segundo grau em Curitiba, através de bolsa de estudos do Colégio Dom Bosco e, em janeiro de 1979, com 18 anos de idade, casei. Viemos para Cascavel trabalhar na agência recém-inaugurada do IPEM/PR. Comecei como secretária administrativa e, em seguida, fiz concurso para o cargo de metrologista. Fiquei no IPEM por 15 anos. Numa época em que a mulher não era valorizada em determinados segmentos, tive o privilégio de ter como chefe uma pessoa que me incentivou a exercer uma profissão em sua grande maioria formada por homens. No Paraná, eram apenas três mulheres metrologistas. Em 1994, numa decisão difícil, mas em busca de novos desafios, pedi demissão e, junto com o meu esposo, Messias, fundamos a Mirante Distribuidora. 

Cascavelenses desde então?
Sim, adotamos Cascavel como nossa cidade. Nossos filhos, Ariana e Tiago, nasceram aqui e se formaram aqui. Logo que chegamos também fizemos grandes amigos. Esta relação de amor com a cidade me levou a vários movimentos. Participei da transição da Fecivel para Unioeste. Lembro que íamos às passeatas com as crianças. Acompanhei a luta para a implantação dos cursos de Medicina e Odontologia. Nossa filha, inclusive, é da primeira turma de Odontologia. Também presidi o Conselho da Mulher Empresária e Executiva da Acic na Gestão 2007/2008, quando o Conselho comemorou os seus 20 anos de existência. O Conselho da Mulher teve um papel importante para aumentar a representatividade feminina dentro da Acic e foi o precursor para hoje termos um cargo de vice-presidência para Assuntos da Mulher Empresária na diretoria. Participo há vários anos da diretoria. No início, poucas mulheres, mas vejo uma participação crescente.

E quais foram as suas referências femininas?
Todas as mulheres que passaram ou as que hoje estão próximas, pessoalmente ou através do conhecimento, independente de suas profissões ou escolaridade, têm uma referência única e pessoal para mim. Minha primeira inspiração, sem dúvida, foi minha mãe, dona Rosa. A primeira administradora que conheci. Apesar da pouca escolaridade, anotava todos os gastos do plantio de café, as ferramentas que emprestava e as contas de casa. Graças a este controle, mesmo com tão pouco, nunca nos faltou nada. Tenho uma afeição especial também por Princesa Leopoldina e Madre Tereza de Calcutá.  Princesa Leopoldina por sua articulação na Independência do Brasil, em uma época que as mulheres eram ignoradas, e Madre Teresa pelas obras grandiosas, sempre olhando os mais necessitados. 

Aos 60 anos, uma intensa vida empresarial, por que decidiu concorrer a um cargo eletivo? É uma forma de impulsionar a participação das mulheres na política?
Aos 60 anos de idade, me considero uma pessoa em plena saúde física e mental, com conhecimentos que aprendi ao longo da minha carreira profissional e experiência de vida. Posso dizer que me realizei como mulher, empresária e mãe, sempre pautada nos valores éticos e morais. Me sinto preparada e motivada para dar a minha contribuição para a comunidade de Cascavel, cidade em que residimos há 41 anos. Quando recebi o convite do Renato Silva, percebi que ele buscava mulheres não somente para preencher cotas que a lei determina, mas sim mulheres empreendedoras e que tenham conhecimentos das causas de nossa cidade, mulheres que colocariam seus nomes para despertar novas lideranças femininas na política de Cascavel. Tive o apoio integral de minha família, amigos, colaboradores e pessoas que convivo do meu dia a dia.

Na sua opinião, o que afasta as mulheres dos espaços de poder? Das grandes decisões?
Dentre vários motivos: falta de tempo, já que a maioria das mulheres tem jornada dupla de trabalho; falta de apoio da família, pelo meio político ser composto principalmente por homens; e pelo sistema de corrupção do nosso país.  Somos excluídas das grandes decisões por uma questão cultural que vê a mulher mais ligada ao trabalho assistencial. Seus conhecimentos e capacidade de liderança ficam em segundo plano.

Quais são os tipos de mudanças na política e na sociedade que acontecem quando as mulheres ocupam lugares de poder? 
Eu acredito que a mulher não quer competir com o homem, mas sim ocupar um espaço em todos os setores da sociedade. Trabalhamos e tomamos decisões igualmente, então por que somos poucas na política e em cargos mais relevantes na sociedade? A mulher tem capacidade de liderança, está sempre buscando novos conhecimentos e aprendizados, é observadora, detalhista e possui grande sensibilidade, qualidades estas que serão cada vez mais valorizadas no mundo atual. 
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A Câmara de Vereadores hoje é um espaço majoritariamente masculino. Como você se vê lá dentro? 
Eu me vejo como uma mulher que busca o bem comum. Nos lugares em que trabalhei, a maioria do quadro funcional era formada por homens. Na entidade que participo, a diretoria é composta pela maioria de homens e, na empresa que gerenciamos, a maioria dos colaboradores são homens. Nunca tive problemas e gosto muito da palavra “respeito”.  

Qual é a sua proposta no Legislativo?
Trabalhar com assessores voluntários, ou seja, pessoas ou entidades, que tragam propostas para elaboração de projetos viáveis para a comunidade. Acredito que uma cidade se desenvolve quando trabalhamos com políticas públicas setoriais. Como aumentar a geração de emprego e renda? Quais os setores da economia do município que geram empregos e impostos? Como os impostos retornam para a comunidade? Estas são questões que precisam de resposta. A Câmara de Vereadores deve ter como missão integrar a comunidade e prezar pelo coletivo.
 
Mais dados que queira acrescentar...
Uma das partes do poema da Madre Tereza de Calcutá que procuro vivenciar: “O bem que você faz hoje pode ser esquecido amanhã, faça o bem assim mesmo. Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode não ser o bastante, dê o melhor de você assim mesmo. Veja que no final das contas é tudo entre você e Deus, nunca foi entre você e os outros”.

 

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1 COMENTÁRIO(S)

Parabéns Margarida,como Jaguapitaense,amigo e apoiador de ideias que nos leva ao crescimento,ao capacitação e ao livre arbítrio, você tem a minha torcida.Espero que consiga alcançar os seus objetivos,e com eles contribuir para uma sociedade melhor e mais humana.Um afetuoso abraço!
comentado por Ubiratan Coelho dos Santos em 18/07/2020
Agradeço aos amigos pelo apoio, com certeza contribuir para uma sociedade mais humana e justa é o nosso objetivo. Nossa missão é integrar a comunidade e prezar pelo coletivo. Defender os direitos dos cidadãos e fazermos parte da solução dos problemas.
comentado por Revista Aldeia em 20/07/2020
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