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Edição 142
CAPA

Abraço de mãe e filha

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Bruna Scheidt

Publicado em 17/08/2020

INSPIRAÇÕES
SICOOB
 
Apesar da pouca idade, na época com 15 anos, Jhuly Rahmeier mudou completamente a sua vida para ajudar a mãe após a morte do pai
 
O abraço da foto acima não é mera fotografia. É real. Há dez anos, desde que o pai faleceu, Jhuly e a mãe Araci literalmente se abraçaram para tocar o negócio da família. Era tudo ou nada. Vendo a aflição da mãe, a menina, então com 15 anos, disse: “Vamos seguir, eu te ajudo!”. 

Transferiu a escola para o período noturno, mudou algumas rotinas comuns a todo adolescente e encarou o trabalho duro. À frente da distribuidora de bananas Banavel, as duas cresceram juntas, fazendo tudo. Comprando, vendendo, carregando e descarregando caminhão, e, claro, para garantir a qualidade, cuidando de todos os detalhes da climatização da fruta.

Desde pequeninha, a menina acompanhava o pai nas entregas. Nestas andanças, não teve tempo de aprender muita coisa, mas entendeu a nobreza daquela labuta. “Ele era apaixonado pelo que fazia e eu herdei esta paixão”, diz. Isso traduz o crescimento da Banavel. Das 20 caixas de banana distribuídas semanalmente deram um salto para mil caixas. 

E dá-lhe braço para carregar tanta banana. Mãe e filha agora tem a ajuda de Flávio, esposo de Jhuly, e mais um funcionário. Além de pequenos mercados e mercearias em 
Cascavel, elas atendem outros municípios da região. A banana vem de fora. “Buscamos em Santa Catarina, São Paulo e mais próximo daqui, em São Miguel do Iguaçu. A mais vendida é a caturra”, afirma Araci. 


CORAGEM PARA CRESCER
Sempre nas mãos de “freteiros”, dona Araci seguiu o conselho do genro e procurou uma cooperativa de crédito com a ideia de financiar um caminhão. O primeiro contato foi no Sicoob. Na primeira tentativa não deu certo. Desistiu do sonho.

Passado algum tempo, o próprio gerente entrou em contato, sugerindo alguns caminhos. Para maior garantia, migrou dos bancos comerciais para a cooperativa, e, cumprindo todos os requisitos, conseguiu o financiamento de R$ 168 mil para a compra do tão sonhado caminhão. “Deu um medo, sim, porque tudo o que vem da agricultura tem um risco”, conta Araci. Novamente, entrou em cena a firmeza da filha. “Vai dar certo”, disse. Abraçaram-se e assinaram o contrato. 

Para o segundo caminhão, também financiado pelo Sicoob no valor de R$ 80 mil, colocaram um pequeno sítio como garantia. “Apesar de todas as dificuldades, como quebra de safra, aumento de preço e negociações difíceis, estamos cumprindo nossos compromissos”, afirmam. “Entrar para a cooperativa foi uma benção. Eles olham e valorizam o trabalho dos pequenos”, comenta Araci.

SAFRA PERDIDA
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Antes de investir em frutas, a família Rahmeier tentou outros ramos: marcenaria, distribuição de feijão e arroz. Nada deu certo. Após os conselhos de um amigo, descobriram a banana. Empolgado, seo Danilo, pai de Jhuly, comprou dois alqueires em São Salvador e plantou metade da área. 

O bananal estava lindo quando uma geada queimou tudo. “Não sobrou um pé”, diz a filha. A frustração trouxe várias lições, a principal delas, o foco. “Nosso negócio é distribuir, não produzir. Quando entendemos isso, nos organizamos melhor e tomamos decisões mais assertivas, crescendo degrau a degrau”. Mesmo concluindo a faculdade de Direito, a jovem empresária não pensa em mudar de área. “Gosto do que faço”.


MULHERES NO COMANDO
 
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Mal completou 18 anos, Jhuly fez a carteira de motorista. Primeiro a B. Esperou um ano e partiu para a C. Depois, já vislumbrando uma carreta, fez a E. No dia do teste, um rapaz entrou na sala e disse-lhe que estava no lugar errado. “Estou no lugar certo!”, encerrou a conversa por ali, fez a prova e passou. 

Desde que assumiram o negócio, fizeram uma espécie de pacto. Transformar os “nãos” em força de trabalho. “Hoje o pessoal nos respeita, mas no começo muita gente disse que não aguentaríamos. Trabalhamos com um produto que é ganhar ou perder, não tem meio termo, mas sobrevivemos”, conclui a mãe.

 

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