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Edição 143
INSPIRAÇÕES SICOOB

O protagonismo de Bruna

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Bruna Scheidt

Publicado em 24/09/2020


Bruna com suas vacas no campo: sucessão familiar e respeito à história


Com linha de crédito facilitada, coragem e aposta na produtividade, a jovem Bruna Fernanda Pereira resgatou uma tradição familiar e descobriu que é possível empreender no campo 

Olhando da BR 277, o sítio da família Pereira na comunidade de Vista Alegre, em Céu Azul, é como qualquer outro. Só mesmo chegando bem pertinho para entender o que o diferencia. Além dos vários prêmios de produtividade, é ali que vive Bruna Fernanda Pereira, a jovem responsável pela retomada da atividade leiteira na pequena propriedade. 

Há pouco mais de três anos, seus pais, Iarbas e Adriana, pensavam em desistir do negócio quando Bruna os desafiou. “Se vocês me ajudarem eu continuo”, disse a menina à época com 16 anos. Nem o pai, nem a mãe esperavam tamanha ousadia. “Sempre pensamos que o nosso filho, que é médico veterinário, fosse o nosso sucessor, mas aí surgiu uma oportunidade de emprego fora daqui e ele saiu”, conta a mãe. 

Mesmo sabendo da lida dura, sem feriado, nem fim de semana, a jovem propôs uma parceria. Ela e a mãe cuidavam da ordenha e o pai do manejo dos animais. Acordo feito, hora de buscar financiamento para renovar o plantel. Nascida e criada dentro do cooperativismo, inclusive tendo participado de comitês jovens, Bruna começou uma pesquisa em busca de crédito e chegou ao Sicoob. De cara, gostou do atendimento, da confiança depositada, da agilidade na liberação e, claro, das taxas e prazos. 

As 21 vacas compradas com o valor financiado – uma média de R$ 5 mil por cabeça - produzem hoje uma média de 550 litros/dia. Na área de 6,8 hectares, um pouco mais de dois alqueires, a família dedica-se também à suinocultura. Do chiqueirão onde são alojados 500 leitões por lote, sai o adubo para a pastagem, complemento da alimentação das vacas. Eis aí segredo dos bons resultados. “Como a área é pequena, precisa ser muito bem pensada e aproveitada”, afirma Iarbas.

Empreendedora rural
Mesmo cursando o terceiro ano de Fisioterapia em Cascavel, a vocação de Bruna para a pecuária leiteira é nata. “Não me envolvia muito, mas sempre observei meus pais. É um trabalho árduo, porém apaixonante, com aprendizados diários”. O respeito às origens é outra virtude da menina. Primeiro foram os avós. Depois os pais. Agora é ela. No mesmo pedaço de chão em que nasceu e cresceu, pretende continuar produzindo. 

E, se parece impossível vê-la conciliando dois mundos, a estudante dá a dica. “Com o apoio em casa tudo fica mais fácil. É só saber equilibrar e ter foco. Quero atuar na minha área de formação, sim, mas não penso em sair daqui”, reforça. Com seu jeito simples e uma habilidade fora dos padrões de um empreendedor comum, ela não está preocupada em resolver esta equação agora. Aos 19 anos, está determinada em tirar o melhor proveito de seu pequeno tesouro.  

E ela já sabe. Só comida boa não garante alta produção. É preciso, também, ter animais de qualidade, que respondam bem ao trato. Entram aí os aprendizados do pai. Investimento em genética, manejo, cuidados com higiene e gestão na aplicação de medicamentos e controle de doenças. Outro segredinho está no olhar mais sensível. “Os animais têm horário para tudo. É preciso respeitar suas necessidades”, ensina.
 
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Cooperativismo no DNA
Todos os dias, de segunda a segunda, às 5h30 da matina, Bruna e a mãe já estão de pé para a primeira ordenha, às seis da manhã. “Eu chego da faculdade perto da meia-noite, mas no outro dia sei que tenho meu compromisso sagrado”.  E, se não fosse pela cooperação da mãe, ela não conseguiria manter o seu projeto. “Na parte da tarde é ela que toca tudo sozinha”, acrescenta. 

A divisão do trabalho segue a mesma linha nas tarefas de casa. “Desde sempre aprendemos que a melhor forma de crescer é cooperando. Isso se reflete em todas as nossas atividades. Assim, cada um fazendo um pouquinho, tudo fica mais fácil”, diz Adriana.

Educação financeira é outro valor bem arraigado na família. Tudo na ponta do lápis. E, se depender de Bruna, cada centavo será reinvestido no sítio. Ela acredita que vai rentabilizar ainda mais o negócio nos próximos anos, assim que quitar o financiamento. Aí, com certeza, virão novos investimentos, afinal, esta história está só começando...
 

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