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BIOPARK

Por que você ainda não está lá?

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Kauã Veronese e Assessoria Biopark

Publicado em 17/11/2020


A região Oeste do Paraná tem deixado de ser apenas o celeiro do agronegócio e se
transformado num polo de tecnologia e geração de empregos. No centro desta mudança, o Biopark 

 
A pouco mais de 16 quilômetros do centro de Toledo, às margens da PR 182, bate o novo coração do empreendedorismo regional. Aliás, não se trata de apenas um coração. São vários, centenas. Logo, logo serão milhares. E todos pulsam no mesmo ritmo. No ritmo da inovação e da tecnologia. Bem-vindos ao Biopark! 

Ali, nos sulcos abertos na terra vermelha, cresce um movimento que foge a todos os estereótipos de desenvolvimento do Oeste do Paraná. Até então, a região se desenvolvia ancorada principalmente no agronegócio. Mas, desde 2016, este novo ecossistema chamado Parque Científico e Tecnológico de Biociências (Biopark) tem atraído olhares e investimentos. E a economia agradece.

Orquestrado pelo empresário Luiz Donaduzzi, fundador da indústria farmacêutica Prati-Donaduzzi, o projeto é resultado de seu espírito “fazedor”. De tanto ver capital intelectual brasileiro sendo exportado, foi lá e fez a mágica acontecer. É mais ou menos este o resumo da história. Na verdade, foram mais de 40 anos entre o sonho e a execução. Como bom empreendedor, Donaduzzi enxergou o que ninguém viu. 

E, se empreendedorismo não é uma ciência exata, no Biopark encontra a acolhida necessária para se desenvolver. Trata-se de um hub de conexões para o desenvolvimento de pequenas e médias empresas. A meta é chegar a 500 CNPJs e 30 mil empregos em 30 anos. Espaço para isso tem. “São 5 milhões de metros quadrados, uma verdadeira cidade com zoneamento industrial, comercial e educacional”, explica o diretor de negócios, Paulo Victor Almeida.

Conectado à multiplicidade regional, segue o conceito de cidade inteligente, com escritórios, universidades, comércios, residências, praças e parques que se integram perfeitamente com a ideia de receber pessoas (corações) que criem inovação com foco em mercados do agronegócio, da saúde e da tecnologia da informação. Atualmente, o Biopark reúne 98 empresas, gera mais de 300 empregos, e tem quatro universidades, sendo três federais (UFPR, UTFPR e IFPR) e a Biopark Educação/Polo Uniamérica. “Não existe aceleração econômica dessa desenvoltura sem que ciência e educação estejam próximas. Nosso propósito é o de fomentar a pesquisa, produzir conhecimento e converter isso em inovação”, explica Paulo. 
 
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Paulo Victor Almeida: “É hora de reter os cérebros que temos aqui”


EXCEL E SUOR
Por trás da aura de cidade excêntrica do Biopark, muito trabalho. “É Excel e suor”, afirma o diretor. Mas também muitos benefícios, a começar pelo primeiro ano de aluguel, energia elétrica e contabilidade (até dois colaboradores) grátis. “Isso faz parte da acolhida do pequeno empreendedor para que, em um ou dois anos, ele consiga sobreviver”, explica.

As empresas residentes também têm mentorias nas áreas comercial, marketing, financeiro, entre outras, além de acesso a crédito por meio de um convênio de cooperação financeira com a Garantioeste - Sociedade Garantidora de Crédito. “Não é abstracionismo, é realidade. Nós saímos daquela ideia do ´técnico-teórico-consultor´ para um mentor de negócios com foco prático que garante dobrar o faturamento da empresa residente”, ressalta.

Na centelha de propósitos do Biopark, explica, está o de transformar vidas. “É a capacidade de transformar um servente de pedreiro num analista de negócios. É a capacidade de pegar uma empresa gerida por três meninos com menos de 18 anos e fazer ela ter valuation de R$ 2 milhões”, diz. “Nós, do Biopark, acreditamos que o CNPJ é o maior benefício social. A maior distribuição de renda é contratar alguém e pagar salário”.

PROJETO REGIONAL
Embora esteja situado em Toledo, o Biopark é um projeto regional. Prova disso está no grande número de empresas de cidades vizinhas. Uma delas é a MyPharma, de Cascavel, que fez parte do projeto de incubação do Biopark e hoje atende clientes em diversos estados do país. 

Criada em 2016, a MyPharma nasceu com objetivo de levar inovação e novos canais de venda às farmácias independentes, carentes de ferramentas e tecnologias acessíveis capazes de ajudar a disputar “market share” com as grandes redes. “A MyPharma é a única plataforma de e-commerce 100% focada em farmácias e no delivery local”, explica o co-fundador Carlos Henrique Soccol.

Toda tecnologia, usabilidade, integrações com ERPs, banco de itens e adaptações à legislação do sistema, explica, são exclusivamente adaptadas ao segmento de farmácias. “Como temos tudo pronto, a implementação de uma nova loja virtual de farmácia leva poucos dias e é muito acessível. Já em plataformas comuns, pode levar meses e custar até dez vezes mais caro para montar um e-commerce de farmácia”, acrescenta.

Quando lançaram a ferramenta, a maior dificuldade foi a ausência de referências. “Em setores como o food, existem dezenas de plataformas whitelabel de delivery, e no segmento farma, tivemos que criar isto praticamente do zero, sendo pioneiros nesta modal no Brasil”. Estar no Biopark tem sido crucial para resolver gargalos. “Temos mentorias de pessoas altamente capacitadas que nos ajudam no crescimento e gestão do negócio, o que seria muito mais difícil sem este apoio”. 
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Biopark: impulso ao empreendedorismo regional


UM APP CHAMADO LOLITA 
Kamilla Loyane ainda cursava estética quando teve a ideia de criar um aplicativo que facilitasse o acesso a serviços de estética. Imaginou como seria o negócio e foi ao Sebrae. Lá descobriu o que era uma startup. “Não fazia nem ideia do que era isso, mas quando o consultor me falou fui correndo pesquisar”, conta.

Após muito estudo e planejamento, nasceu a Lolita Tickets, um app que faz a ponte entre empresas de beleza e profissionais autônomas com o cliente final, oferecendo cupons de descontos para dias de menor movimento, com agenda geralmente vaga. “É sempre melhor ganhar um pouquinho do que não ganhar nada”, diz.

Com 20 empresas e profissionais cadastradas, Kamilla já tem resultados positivos, mas trava uma luta para quebrar paradigmas. “Nossa maior dificuldade é fazer com que empresas acreditem no novo. A inovação não é um caminho perigoso, mas, sim necessário”, afirma. 

Entra aí a aproximação com o Biopark. “Já tinha ouvido falar do parque tecnológico, inclusive, nossos desenvolvedores são residentes lá. No Show Rural 2020 fui ao estande deles e apresentei o projeto”. Deu tão certo que o Lolita, antes restrito a Cascavel, ganhou uma extensão em Toledo. “Estar no Biopark é estar num ambiente favorável para o empreendedorismo”, conclui. Então, depois de tudo isso, não é de se perguntar: por que você ainda não está lá? 

 
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Kamilla Loyane, da startup Lolita Tickets: “Estar no Biopark é estar
num ambiente favorável para o empreendedorismo”


 

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