Matérias

Edição 146
CAPA - PERFIL

O sucesso planejado do professor Régis

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Bruna Scheidt e Kauã Veronese

Publicado em 08/12/2020



Mestre, doutor e PhD pela UNICAMP, Roberto Régis Ribeiro não tinha muitos planos até entrar na faculdade. Pensava em ser chaveiro a vida toda até que resolveu virar a chave!

Ele é mestre, doutor e PhD pela Unicamp, mas se lhe perguntassem na adolescência o que seria, a resposta era uma só: chaveiro. E havia uma razão para isso. Filho de seo João Pedro, do Chaveiro São Pedro, o menino Roberto Régis Ribeiro não gostava de estudar, pulava de colégio em colégio, vivia metido em encrenca, e, claro, adorava uma festa. “Eu entendia que ia ser chaveiro a vida inteira”, conta. 

De fato, seria o caminho natural. Mas quis o destino que ele virasse a “chave”. Estimulado pelo caratê, esporte que praticou dos seis aos 16 anos e, também pelo bodybuilding, cursou Educação Física. Já formado, o esporte o alçou a outros horizontes. Foi presidente da Federação Paranaense de Fisiculturismo, diretor-secretário da Confederação Brasileira, e chegou a montar uma indústria de treinamento funcional e equipamentos. 

Paralelamente, seguia seu trabalho na empresa da família em que coordenou um plano de expansão, abrindo mais três lojas na cidade. A esta altura, era atleta, professor universitário, empresário, palestrante e, claro, estudante e chaveiro! 
 
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Régis com a mãe Luzia e os irmãos Ronaldo, Sueli e Samara


TUDO É PROCESSO 
Da prática de “michar” chaves, abrir cofres e fechaduras complexas, o professor Régis aprendeu que tudo na vida é processo. É preciso respeitar os ciclos. Fazendo uma analogia à profissão de chaveiro, entendeu que não podia pular etapas. “Imagine um cofre. Quando você vai abri-lo, não há nenhuma garantia de que isso aconteça. Você tem um caminho, mas é preciso pensar, planejar e achar saídas conforme os obstáculos vão aparecendo”, explica. 

O simples ato de abrir um carro, por exemplo, exige muito planejamento. “Quebrar um vidro é fácil, mas solucionar o problema sem danos é um trabalho meticuloso”, diz. “Ao longo da vida, desenvolvi esta capacidade de observar sob diferentes pontos de vista”, acrescenta. 

A profissão de chaveiro também lhe ensinou os valores da confiança e da humildade. “Confiança porque você acessa locais privados das pessoas, e humildade porque você precisa de ajuda sempre. É um trabalho em equipe, afinal, ninguém consegue carregar um cofre sozinho”.
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CHAVE DA MUDANÇA
Ao ingressar na faculdade de Educação Física, em 1999, Régis se identificou tão bem com o curso que logo cativou um mentor, o professor Evandro Roman. Foi ele, a partir da realização de vários projetos juntos, que o incentivou a seguir a carreira acadêmica. “O Roman estava fazendo doutorado na Unicamp e serviu de espelho pra mim”. 

Concluída a graduação em 2003, começou o mestrado. E, na sequência o doutorado. Uma verdadeira odisseia. Embarcava no ônibus domingo à noite, viajava 16 horas, estudava o dia todo, e à noite voltava. “Foram seis anos. Dois anos praticamente morei dentro do ônibus”, diz. 

A distância era o menor dos obstáculos. Havia outros. “Quando entrei no mestrado percebi que eu era o pior aluno. Aí pensei: ‘Como resolver isso?’. Só havia uma saída: administrando o tempo, ou seja, dormindo menos”. Se o tempo era escasso, as obrigações se multiplicavam. “Eu tinha que estudar, cuidar dos negócios e da família”.

Com esta simples mudança de atitude, corrigiu defasagens históricas no aprendizado. “No doutorado já estava bom. Confesso, foi muita superação, mas consegui”. Parte dos 16 anos em que deu aula na FAG, faculdade em que se formou, Régis ainda lidava com um conflito interno. 

A vida acadêmica não se alinhava à rotina de chaveiro. “Não combinava ser professor e ser chaveiro. Foi uma decisão difícil, mas precisei abrir mão das empresas. Era uma coisa que eu gostava, mas aí eu fiz mestrado, doutorado, pós-doutorado. Estar ali não fazia mais sentido”.

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ALÉM DO BURACO DA FECHADURA
Régis nunca se limitou a olhar a vida apenas pelo buraco da fechadura. “Sempre quis mais”, diz. Esta aspiração lhe levou a empreender em outras áreas. Deste desejo nasceu o instituto de pós-graduação e a Limit Training, ambas iniciativas focadas em treinamento de profissionais ligados à saúde e fitness. “O instituto nasceu de uma brincadeira e ganhou muita força. Fizemos um bom plano de negócios e conseguimos expandir em todo o país”. 

A Limit Training, por sua vez, deu envergadura aos cursos de pós, no início chancelados pela Faculdade Uniguaçu, que hoje, numa ousada tacada de mestre, pertence ao próprio Régis. Trocando em miúdos: em 2017, ele e o sócio Daniel Ribeiro incorporaram parte da faculdade. 

Com a expertise de anos e anos administrando a empresa da família e a maturidade adquirida na sala de aula, estabeleceu uma nova cultura na instituição. “Estancamos o que estava sangrando e agora estamos ampliando. Atuamos no presencial e no online, então não há fronteiras”.

Atuando como diretor de expansão na Uniguaçu, Régis tem uma receita simples para transformar um cenário ruim em ótimos resultados: trabalhar muito (mas muito mesmo), saber gerenciar pessoas e estar atento à rede de relacionamento. “Quando você tem isso, você descobre que pode conquistar o mundo”.

UNIGUAÇU: PROJEÇÃO NACIONAL
À frente da Uniguaçu, Régis, Daniel Ribeiro e outros colaboradores têm se empenhado em superar alguns gargalos do ensino superior. Com 13 cursos de graduação, seis de pós-graduação, além de cursos de extensão, o grande desafio é oferecer um ensino conectado à realidade, com tecnologia e inovação. 

Nesta perspectiva, foi implantado o acelerador de carreira. “É uma forma de traçar um perfil do aluno ainda na graduação e direcioná-lo na profissão escolhida”. Atualmente, a Uniguaçu tem 3,5 mil alunos e polos em várias regiões do país. 
 
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UM SEGREDO, VÁRIAS MUDANÇAS
Obsessivo com os negócios, considerado workaholic, Régis vivia sua ascensão profissional quando perdeu o pai há três anos. Também há três anos, terminou um casamento de quase duas décadas. Decidiu então pelo afastamento das empresas da família. No mesmo período, literalmente quebrou. O sofrimento deu-lhe maturidade. “Ganhei paz”, diz, fazendo uma reflexão sobre a vida.

Aos 43 anos, atualmente casado com a personal e atleta Fernanda Silvestro Ribeiro, e pai da Vitória, fruto de seu relacionamento anterior, Régis não esconde seus medos e fracassos. Ao contrário, é deles que vem a força para seguir. Por duas vezes, tentou suicídio. Por várias vezes, questionou suas escolhas. “Eu reaprendi a viver. Fui educado na fé, mas achava que eu tinha muito poder. Quando me fortaleci espiritualmente, compreendi minha fragilidade e meu egocentrismo. Hoje, antes de qualquer decisão, peço a Deus. Tem coisas que não dá para resolver sozinho”, revela. 

Esta era a chave que estava faltando. A chave da espiritualidade. “Aprendi a não julgar, a esperar o tempo certo, a entender as pessoas, a falar e a calar. Se não é para edificar uma pessoa, por exemplo, não falo”. Toda esta jornada de aprendizado se refletiu positivamente na vida em família e, em especial, com a filha Vitória. “Comecei a ser pai depois da separação. Eu não ficava com minha filha, sempre priorizando o trabalho. Nossa relação melhorou muito”.

PROJETOS FUTUROS
A partir de fevereiro de 2021, a Uniguaçu traz para Cascavel um polo inovador. O Centro de Ensino Saúde Fitness, além de ser um espaço para as aulas das pós-graduações também irá contemplar academia, estúdio de pilates, salas de consulta para nutricionistas e osteopatas, e coworking fitness. Além disso, serão realizados diversos cursos de aperfeiçoamento voltados para a área de marketing, saúde e performance pessoal. A expectativa é atender mil alunos por mês. “Depois de implantado em Cascavel, vamos expandir esta experiência nacionalmente”, diz Régis.
 
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