Matérias

Edição 146
PRIMATO

Primazia até no nome

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Antoniella Signor

Publicado em 16/12/2020



Com um quadro de cooperados bem diverso, sendo 40% de mulheres, investimento em tecnologia e alicerces firmes na diversidade, a Primato representa a evolução do cooperativismo em nível regional 

“Não podemos prever o futuro, mas podemos criá-lo”. Esta frase, de Peter Drucker, um dos gurus da administração moderna, está impressa na parede da sala de reuniões da Primato Cooperativa Agroindustrial. Ela não está ali por acaso e, de certa forma, é o que a distingue de outras cooperativas da região. Fundada em 1997 como Cooperlac e, mais tarde, redesenhada para Primato, não só criou o seu futuro como respeitou, e respeita, o seu passado. 

Prova disso está na sede da cooperativa, às margens da BR-163, em Toledo. Quase todas as salas foram batizadas com os nomes dos fundadores. “É uma forma de respeitarmos a história”, explica o diretor-presidente Ilmo Werle Welter. E que história! Em apenas duas décadas, a Primato saiu de 29 para mais de 8 mil associados e um faturamento anual de R$ 737 milhões. 

Seguindo a crença de que é preciso se concentrar em oportunidades decisivas e soluções simples, a Primato traz em seu DNA a cultura da diversidade. Nas pessoas e nos negócios. Gerada a partir do setor de leite e suínos, inclusive com fábrica de ração, passou a atuar fortemente em outras áreas, como supermercados, restaurantes, farmácia humana, recebimento de grãos, postos de combustível e até corretora de seguros. “Por ser assim, diferente, é muito cobrada”, afirma o diretor-executivo Anderson Sabadin.

E este movimento começou lá atrás, olhando para o pequeno produtor, na maioria das vezes desamparado e desprezado. “Muitas cooperativas estavam fechando unidades e nós enxergamos nisso uma solução. A Primato fez o inverso, abriu unidades e, onde não abriu, criou unidades móveis, com entrega programada de ração e medicamento para o produtor. Na época, isso era algo extraordinário”, acrescenta Anderson.

Neste mesmo formato, passaram a vender animais para os pequenos produtores. Disso veio o melhoramento genético e a evolução dos plantéis, tanto do rebanho leiteiro como da suinocultura. “O produtor viu, então, sua vaca produzindo mais leite, e o porco consumindo a ração da própria cooperativa, melhorando sua conversão em peso”, reforça o vice-presidente Cezar Luiz Dondoni.
 
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COOPERATIVISMO
Cezar, aliás, é própria concretização do conceito de “primazia” que está por trás do nome Primato. Representante comercial, virou produtor de leite graças à cooperativa. Nem tinha esta intenção quando comprou umas vacas com o intuito de produzir apenas para “pagar” o funcionário do sítio. Aos poucos, a produção foi aumentando e, pela necessidade de entregar o produto, se associou à extinta Cooperlac. 

Orientado pela equipe técnica, foi melhorando o plantel, investindo em estrutura e aumentando a produção até chegar aos 2 mil litros diários atualmente. Tudo isso sem precisar desembolsar um centavo. “O próprio animal se pagava com o leite”, conta. Naturalmente, Cezar foi incorporando o espírito cooperativista e não demorou para ser indicado à diretoria. Seu sorriso e entusiasmo mostram que nas cooperativas as pessoas não só adquirem poder de inserção social como também ajudam na construção de uma sociedade mais fraterna, generosa e feliz.

ENTRE O CÉU E A TERRA
Quando a Cooperlac mudou para Primato, o estranhamento foi natural. Na logomarca, as cores marrom, verde e azul pareciam não combinar. Tudo fez sentido, porém, quando se vinculou o céu, a terra, e a produção agrícola. A marca própria refletiu diretamente no entendimento de todos sobre a importância de atuar de forma conjunta e, claro, no desempenho da cooperativa. 

E, se entre o céu e a terra há pessoas, criou-se a partir desta simbologia um sentimento ainda maior de unidade e proximidade. “A história dos cooperados é a nossa história também. Todos aqui vivem o dilema da pequena e média propriedade, cujo caminho, assim como a cooperativa, está na diversificação”, frisa Ilmo. Ao comungarem diálogos simples como: “Será que vai chover?”, diretores, colaboradores e agricultores preservam o que há de mais bonito, a humildade. 
 
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DINHEIRO NÃO É PECADO
Na Primato, falar sobre dinheiro não é tabu. Inclusive, o recado é bem claro. Na recepção da sede administrativa da cooperativa há um quadro exposto com o propósito, missão, visão, valores e o direcionador: gerar lucro e caixa. “Dinheiro não é pecado. A cooperativa tem que dar dinheiro mesmo. Inclusive colocamos de propósito ‘caixa’ antes do ‘lucro’ porque às vezes podemos ter lucro, mas quebramos a empresa porque não geramos caixa”, explica Anderson. 

Numa análise simples, ao desmistificar isso, a cooperativa faz um trabalho orgânico de educação financeira. “Quem trabalha quer resultado financeiro. Não adianta só repetir a missão e os valores, que são lindos, mas não efetivar isso na prática”, complementa. Na mesma dinâmica do lucro, vem a inovação. A tecnologia deixou de ser um bicho de sete cabeças para fazer parte do dia a dia. Nisso, pode-se dizer que a Primato representa a evolução do cooperativismo, pois está com toda estrutura online, e-commerce fortalecido e implantando a comunicação 5.0. “A tecnologia e as pessoas estão no centro do nosso negócio. Queremos ser uma plataforma de negócio rentável para os cooperados”.

A PRIMATO TEM TILÁPIA?
Sim, a Primato tem tilápia! E tem também queijo, erva, suco, azeitona e até sorvete. Tudo isso graças a alianças com outras empresas e cooperativas. Detentora de 11,8% da Frimesa, usa a estrutura física externa para industrializar seus produtos. “Ainda não temos um frigorífico, mas está no nosso planejamento estratégico. Degrau a degrau, estamos evoluindo”, diz Ilmo, lembrando que o cooperativismo precisa ser fortalecido todos os dias e ainda há muito o que fazer. “Em termos de tecnologia e inovação, vamos crescer muito na nossa região, por isso a importância de um trabalho focado com os jovens, tanto na propriedade rural quanto no conselho da diretoria”.

PROJETOS DE EXPANSÃO
Nos próximos dez anos, pelo planejamento da cooperativa, serão investidos mais de R$ 260 milhões na região. Investimentos estes que contemplam projetos nas áreas de piscicultura e gado de corte, frigorífico, uma nova fábrica de ração, quatro unidades de recebimento de grãos, três supermercados, e aumento da estrutura de armazenagem de grãos em Toledo. Cascavel, estrategicamente, também está na mira da Primato. Mas isso é outra história...

Bonjour!
Iniciativas para fomentar a equidade entre gêneros, etnias, classes sociais e necessidade especiais também estão na pauta da Primato. Mais uma vez a diversidade falando alto e colocando a cooperativa num patamar acima. E não é só discurso não. Recentemente, a cooperativa precisou pedir para um cliente retirar-se da sua loja após ações preconceituosas e discriminatórias com um funcionário haitiano. “Veja bem, se a Primato recebeu haitianos é porque quer esta mescla de pessoas, de cultura, de diferentes aprendizados. É na pluralidade que criamos as ideias, que inovamos e crescemos. E, se queremos a mudança, temos que ser a mudança. Se defendemos a inclusão, não podemos tolerar nenhum tipo de preconceito”, conclui Anderson. 
 
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PRIMATO EM NÚMEROS
Associados: 8.726
Colaboradores: 1.218
Faturamento: 737 milhões
Unidades de Negócio: 28 + Corretora de Seguros + Donata Agroindustrial
Área de abrangência: Mais de cem municípios no Paraná, sul do Mato Grosso do Sul e oeste de Santa Catarina 

 
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1 COMENTÁRIO(S)

Vi esta cooperativa nascer e crescer, faço parte dessa história, sou grata por tudo que ela me proporcionou, aprendi e evolui muito tive oportunidade de fazer parte do conselho em vários mandatos, sei dos desafios enfrentados e vitórias conquistadas e que não são poucas com muita gara e suor equipe unida e alinhada sempre com intuito e vontade de vencer, encerando mais um ano de participação no concelho agradeço pelo companheirismo, amizade, compreensão neste ano de 2020.
comentado por Leoni H. F. Arnhold em 17/12/2020
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