Matérias

Edição 146
PÁGINAS AMARELAS

O que a Beth pensa...

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Divulgação

Publicado em 18/12/2020



Pós-doutorada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutora em Direito pelo programa de Pós-Graduação “strictu senso” da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), mestre em Ciências Jurídicas pela UniCesumar de Maringá e professora de Direito no Centro Universitário Univel, Beth Leal agora também é vereadora. Eleita com 1.211 votos pelo Partido Republicanos, é a primeira mulher negra na Câmara de Vereadores de Cascavel. Nesta entrevista, ela fala sobre a sub-representação feminina na política local e perspectivas de seu mandato. Na próxima edição, a entrevista é com Lilian Porto, também eleita vereadora com 2.855 votos pelo Partido dos Trabalhadores.

Vivemos numa cidade em que a sub-representação das mulheres é histórica. Como avalia a eleição de duas mulheres à Câmara de Cascavel?
A eleição de duas mulheres nesse pleito eleitoral representa o anseio das mulheres por mais representatividade; porém, mesmo nesse cenário temos que avançar muito. Devemos trabalhar para que mais mulheres se decidam por participar da política e da vida pública. Durante a campanha ouvi muito as mulheres falarem sobre a necessidade de termos mais representantes femininas, o que me levou a acreditar que elegeríamos pelo menos cinco mulheres. Mas não foi dessa vez. 

Como é ser Beth Leal? 
É viver superando desafios, encarando novas experiências, e buscando novas oportunidades. Provando cotidianamente a minha capacidade. 

O que é ser Beth Leal?
Verdadeira e leal com todos e com meus valores cristãos. Respeitar o outro e valorizar as pessoas buscando sempre a justiça e igualdade.

O que você mais deseja para si mesma como ser humano? 
Desejo contribuir verdadeiramente com a melhoria da qualidade de vida daqueles que mais necessitam, ser um ser humano na essência. Ser capaz de ver para além de mim mesma e não perder a sensibilidade para a realidade humana.

Qual é o maior problema de Cascavel, hoje, na sua opinião?
Cascavel não é diferente do restante do país, infelizmente, a desigualdade social é latente. Muitos sem quase nada, e poucos com muito. Pontuando a partir das conversas que tive ao longo da campanha, o atendimento no setor de saúde é algo que merece maior atenção por parte do Poder Público. 

Todos sabemos que existem interesses internos nos partidos e coligações. Como se posicionará no papel de fiscalizar as ações do executivo? 
Meu compromisso é contribuir com tudo aquilo que possa verdadeiramente trazer melhorias para a coletividade, e não tenho dúvida de que uma atuação fiscalizatória contribuirá tanto para a sociedade como para o próprio Executivo Municipal. Fiscalizar não significa ser contra ou a favor, mas cumprir com uma das principais funções do Poder Legislativo.

Historicamente existe uma conexão de mulheres com a esfera privada e de homens com a esfera pública. Como você analisa isso?
No meu sentir, isso decorre de uma cultura tradicionalmente machista na qual as mulheres não deveriam envolver-se em atividades fora do ambiente doméstico, o que vem sendo rompido ao longo da história, como resultado das lutas das mulheres por mais autonomia e independência.  Essa cultura defendia que apenas os homens estariam preparados para atuar na esfera pública, impedindo assim que as mulheres se envolvessem na vida pública. Tanto é verdade que, em pleno século 21, as pessoas ficam surpresas quando decidimos disputar uma eleição, o que não foi diferente comigo. No entanto, vemos excelentes quadros femininos com resultados extraordinários dentro da política. Aos poucos, a população começa a entender que a diferença não é ser homem ou mulher, mas de competência ou falta dela.

Você é feminista, certo? E por que ainda precisamos falar de feminismo?
Sou uma defensora dos direitos das mulheres na sociedade. Não me intitulo feminista. Diante da realidade de uma sociedade altamente machista, é preciso trabalharmos para o desenvolvimento de uma consciência baseada no equilíbrio, onde as características do sexo feminino que dizem respeito com o cuidado, com o diálogo, com a capacidade de gerir, de orientar, de ser resiliente e ao mesmo tempo determinada, batalhadora e guerreira sejam valorizadas como instrumentos de construção social. 

Por que a violência contra as mulheres não diminui?
Na minha perspectiva, a violência contra a mulher aumenta em razão de uma série de fatores. Dentre os quais o machismo imperante na sociedade, que leva à compreensão, na visão do homem, de que a mulher é sua propriedade. Também o desajuste social, a falta de amparo às mulheres vítimas de violência, que leva estas a permanecerem numa condição de submissão. Felizmente, já temos iniciativas dentro da própria legislação que buscam diminuir esta realidade, mas ainda precisamos de mais.

De quais maneiras os homens podem ajudar na igualdade de gênero?
Quando tivermos sistemas que privilegiem a competência, e não o gênero, teremos condições de buscar esta igualdade. Creio que a manifestação dos homens que reconhecem que não deve haver diferença entre homens e mulheres é fundamental para sensibilizar a sociedade como um todo de que é necessário um comportamento diferente, onde as pessoas devem ser respeitadas indiferentes do gênero, classe social, etnia, religião, entre outros.

O que espera das mulheres no seu mandato? E dos homens?
Espero colaboração e participação de todos. Digo sempre que a participação de todos é fundamental para as transformações que queremos na sociedade, mas não basta apenas ficarmos no discurso, temos que trabalhar. Debater os problemas e buscar conjuntamente as soluções. Espero poder contar com as mulheres e os homens durante essa legislatura. 

Por que você está onde está?
Acredito muito na providência divina, mas sei também que lutei, trabalhei muito para chegar onde cheguei, tracei metas ao longo da minha vida, e fui atingindo cada uma delas. Para cada etapa me dediquei muito, procurei seguir firme em meus propósitos. Quem me conhece sabe que não foi nada fácil, mas minha determinação em não desistir foi fundamental. Sou grata a muitas pessoas boas que cruzaram o meu caminho, e também por saber na hora certa aproveitar as oportunidades. Agradeço aos eleitores e eleitoras de Cascavel que acreditaram em meus compromissos e me permitiram este mandato. A partir de agora, muito trabalho para honrar mais esta oportunidade.

Por fim, o que o dinheiro não compra?
Minha integridade moral.
 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Importante: Comentários com conteúdo sensível, impróprio ou que for considerado inadequado – por qualquer motivo, a critério do moderador – serão sumariamente deletados.

Deixe seu comentário.
×

Assine Aldeia

Por apenas R$ 9,90* / mês.

Deixe seu telefone, nós ligamos para você.
Venha fazer parte da nossa tribo!