Matérias

Edição 148
ESSAS MULHERES...

Mudar é preciso!

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Kauã Veronese

Publicado em 25/03/2021


 
Aos 46 anos, mais de 20 em bancada de telejornais, Elisangela Fabrini assume o Tarobá Cidade propondo mudanças. Na pauta, quebra de paradigmas

A jornalista e apresentadora Elisangela Fabrini transmite na voz a maturidade dos seus 46 anos. O tom firme e a cadência pausada refletem a postura de quem pensa antes de emitir qualquer opinião. E se a sua voz é, hoje, uma de suas marcas, já lhe incomodou muito. Nada que um pouco de prática não a fizesse superar. “Isso foi durante um programa de rádio que apresentei. Ouvia as gravações e dizia: `não vai dar certo!´”, conta.

E deu. Do outro lado do estúdio, estava Guanair Villaca. Radialista experiente, convenceu-a de que sua voz era linda. Bastava treinar. Aos poucos foi corrigindo o “r” puxado até tudo fluir naturalmente. Paralelo ao rádio, já atuava na televisão. E, desde a sua estreia na extinta TV Carimã, seus passos foram seguidos com expectativa. Principalmente pela mãe, Edileuza Fabrini. Foi ela quem direcionou a filha.

Até os 15 anos, Elis morou em Céu Azul, onde nasceu. Lá, entre irmãos, tios e primos, viveu a alegria de uma infância livre. Nenhum luxo. Poucos sonhos. Alguns deles acalentados pela mãe. Dona Edileuza, numa atitude sábia em relação ao futuro dos filhos, mudou-se para Cascavel. Já sabia da vocação da menina e inscreveu-a num curso de manequim e modelo. Mesmo sendo a sua primeira profissão registrada em carteira, ousou fazer um teste para apresentadora na extinta TV Carimã. Detalhe: a turma toda foi convidada e ela foi selecionada entre mais de 30 meninas.
 
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MAIS DE DUAS DÉCADAS DE BANCADA NA TAROBÁ
O início foi tímido. Ela gravava quadros para um programa dominical de venda de carros. De garagem em garagem, foi se soltando até entrar ao vivo com os classificados. “As pessoas ligavam para a TV querendo comprar ou vender e eu fazia os anúncios”. 

Depois de dois anos na Carimã, a jovem despertou o interesse da concorrência. Recebeu propostas da TV Tarobá e da TV Naipi, de Foz do Iguaçu. Optou por Foz e lá apresentou um programa de variedades. Perto de completar 19 anos retornou e começou sua carreira na Tarobá. 

Foram quatro anos apresentando o Jornal da Noite e 19 anos o Jornal do Meio Dia, dividindo a bancada, em períodos diferentes, com Edson Moraes, Márcio Pina e Luiz Haab. “Toda a minha história está praticamente dentro do telejornalismo, sempre ao vivo. Isso me deu desenvoltura para os programas de entretenimento”, explica. 

NOVOS OLHARES
Foi isso, aliás, que a levou ao Vitrine Revista, programa que comandou até dezembro. No momento, ela saboreia os primeiros dias à frente do Tarobá Cidade, um misto de entretenimento e jornalismo. “Estou ansiosa para incluir novos quadros, novas ideias. É um programa que permite aprofundar mais em alguns temas polêmicos e é isso que quero, propor uma mudança cultural, uma reflexão”. 

Mãe de Leonardo, João, Maria Clara e Henrique, procura trazer as próprias vivências e questionamentos para o debate na TV, a exemplo da igualdade de gênero. “Eu evoluí muito com meus filhos e tenho sede de quebrar alguns paradigmas, como questões culturais e religiosas. Precisamos olhar para o mundo como ele é”, observa.

EXAUSTÃO DA TV
Formada em Pedagogia e Jornalismo, e, mesmo tendo a televisão como a sua casa, nada a impediu de sair quando chegou à exaustão. Uma, duas, três vezes. Se precisar, outras tantas. “Toda as vezes que saí, a ideia era ficar pelo menos três anos fora. Com menos de dois anos, recebia convites, avaliava e voltava”.

Nunca por vaidade. “Sou bem tranquila. Se eu precisar sair do ar, não sofro por isso”, diz. A última tentativa foi para se dedicar a um projeto pessoal nas redes sociais. “Hoje, levo as duas coisas paralelamente”.
 
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MÃE APOIADORA
Casada com o jornalista Jefferson Lobo, sempre quis família grande. Conviver com diferentes personalidades e gerações, explica, é desafiante, porém é o que dá sabor à vida. “Eles me enriquecem, estou o tempo todo me reciclando. São vários discursos, diferentes pensamentos, cada um com sua posição. Diariamente estamos nos 
descontruindo e nos reconstruindo”.

Amar, para ela, é presença. “É o cuidar, querer estar perto, ajudar e ajudar. Assim como minha mãe, eu sou uma grande apoiadora dos meus filhos”, afirma. Outra característica herdada da mãe é a paz. “Ela sempre foi muito carinhosa e não gostava de confusão, resolvia tudo com serenidade. Sou assim”.

POUCA AMBIÇÃO 
Ambição é outra palavra interpretada de forma diferente pela jornalista. “É difícil falar. Meus sonhos são muito pequenos e realizáveis. Só queria uma casa maior por conta das crianças. Conseguimos. Já tá bom”. Carreira em rede nacional também nunca esteve em seus planos. “Gosto de estar aqui, perto da família, e procuro ser feliz com o que está acontecendo, pois lá na frente pode não acontecer”, reflete. 

Naturalmente elegante, Elis não se deixa afetar pela falsa ilusão de glamour. E isso está nítido em sua aparência e em sua expressão. Nada de excesso. Nada muito artificial. “Já fui mais formal, agora procuro não me distanciar daquilo que sou dentro e fora da TV.  Se lacrimejar no ar, tudo bem, afinal sou um ser humano”.

 

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