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Edição 153
B&G

Advocacia 4.0

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Kauã Veronese

Publicado em 13/08/2021


Ao alinhar tecnologia e inovação aos burocráticos procedimentos jurídicos, a B&G – Boschirolli & Gallio garante mais produtividade, precisão e novas oportunidades de negócios

Quando o advogado Marcos Boschirolli convidou o seu antigo estagiário, Alex Gallio, para fundar a “B&G – Boschirolli & Gallio” em 2008, até imaginava algumas mudanças, mas nada tão disruptivo como tem sido. Reconhecido pela sua atuação na advocacia de tribunal, Boschirolli, que antes falava latim, agora está se acostumando a novos termos como blockchain, (AI) inteligência artificial, (IoT) internet das coisas, criptomoeda, smart contracts, lawtechs, legaltechs e fintechs.

Prova clara de que no mundo de emojis e figurinhas, o direito tradicional também está mudando. E quebrar o status quo da advocacia de tribunal é a grande missão do B&G. É aí que entra Alex, o sócio com mentalidade tecnológica. Pois bem, na Cascavel de 2021, este movimento já está lançado. Vanguardistas por natureza, os advogados acreditam que é um caminho sem volta. 

A junção de tecnologia com mundo jurídico e empreendedorismo, explicam, é um fenômeno global. “Não inventamos a roda, apenas estamos buscando o que acontece no mundo. Pode ser algo novo em nossa região, mas a advocacia de negócios já é muito forte nos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo. Nossos clientes ainda nos procuram para tratar de processos, mas nós somos muito mais que administradores de processos”, continuam.
 

“Estamos focados na advocacia de negócios e em oferecer soluções jurídicas inteligentes. É uma quebra do status quo da advocacia de tribunal”


É claro, ainda é cedo para falar em robôs, e, embora o direito seja uma ciência retardatária no movimento de aproximação com as inovações, na B&G isso já está sedimentado. Tanto é que faz parte do planejamento estratégico. Mais que isso, a profissionalização para atender demandas regionais exigiu a presença de uma figura pouco comum nos escritórios tradicionais. 

Lá fora, ‘engenheiro jurídico’. Aqui, um profissional da área de TI que media a relação entre advogados e desenvolvedores, interpreta cenários e facilita a criação de ferramentas jurídicas. O time é composto por um técnico em processamento de dados, uma jornalista e um consultor de negócios.

NOVOS NEGÓCIOS
Conscientes de que o conhecimento das leis não bastará e de que os serviços jurídicos serão impraticáveis sem as estruturas tecnológicas, o primeiro passo dentro da B&G foi a mudança do mindset. Na esteira da inovação e da tecnologia vieram as oportunidades de negócios para o escritório. “Processo judicial é um campo fértil de oportunidades, e, como estamos abertos a diversos contextos empresariais, acabamos atraindo e fazendo links entre uma oportunidade e outra”, afirma Gallio.

E isso acontece de forma muito natural. “Quando analisamos os processos e percebemos interesses de negócios entre uma parte e outra, seja venda, parceria, fusão ou incorporação, promovemos esta transação”, explica Boschirolli. Como o radar está sempre ligado, o escritório tem sido palco das mais diferentes e inusitadas negociações. “Apresentamos aos nossos clientes um grande leque de oportunidades, desde direitos creditórios, fazenda, avião, empresas diversas para fusões e incorporações com a devida assessoria jurídica, até criptomoeda”, acrescenta. 

Vale lembrar que somente no Brasil, em maio de 2021, a maior corretora nacional, somou mais de 10 bilhões de reais em negociações realizadas em criptomoeda. “Inclusive já recebemos uma demanda para assessorar na negociação de uma fazenda que o pagamento seria em bitcoin”. 
 
Gallio e Boschirolli: inovação e geração de novas oportunidades na área advocatícia faz parte do DNA vanguardista da B&G

TECNOLOGIA BLOCKCHAIN 
Recentemente, Marcos e Alex também tornaram-se sócios de uma desenvolvedora que é referência no mercado de blockchain no Brasil, a Iconic Blockchain Labs, com sede em Porto Alegre. Para entender, a tecnologia blockchain, nada mais é do que um livro razão digitalizado de forma descentralizada, ou seja, instalado em milhões de computadores espalhados pelo mundo, que faz o registro de transações de dados, sendo o ecossistema das moedas virtuais (a mais popular delas é o bitcoin). 

Como a governança de todo o sistema é compartilhada pelos agentes inseridos na rede, o que impede e dificulta a tentativa de fraudes, este registro é confiável, imutável e transparente. Gerenciar e analisar dados de inteligência artificial e atuar com soluções de blockchain, explica Gallio, já é uma realidade no dia a dia da profissão. Hoje existem os smart contracts (contratos inteligentes), ou seja, contratos auto executáveis, presente nas mais diversas áreas. “No futuro teremos um departamento somente disso”.
 
ADVOCACIA PREVENTIVA
Enquanto a maioria dos escritórios trabalha em processos, a B&G tem focado em soluções jurídicas inteligentes e também na prevenção de litígios. “Todo advogado faz basicamente a mesma coisa. Nós entendemos que o processo não pode se alongar, pois há custos envolvidos e é preciso extrair o melhor resultado para o cliente”, explicam. Por isso mesmo, investem na mediação, em que os principais serviços demandados são nas áreas de direito societário, patrimonial, sucessório, imobiliário e família. “A essência do escritório é compor com as partes”, observa Boschirolli.

Ele destaca ainda que a equipe conta com a advogada e professora da PUC/PR (graduação e pós-graduação), mestre pela Unioeste e especialista em direito notarial e registral, família e sucessões, Andressa Pfeffer Gallio, que atua com o planejamento patrimonial e sucessório, o qual é uma ferramenta inteligente a ser utilizada para afastar litígios e escapar de processos de inventário, bem como instrumento legalmente apto à redução do custo tributário. 

E cases de sucesso nesta linha é o que não faltam. Um deles foi alinhar o planejamento patrimonial e sucessório de uma empresa de 40 anos de fundação com quatro sócios irmãos, todos com uma visão tradicional do negócio. Implantaram a visão corporativa, criaram um conselho de administração e resolveram um problema familiar. “Ter unido a família novamente foi o melhor feedback que recebemos”, afirma Gallio. “Quando implantamos a governança corporativa é com uma visão de perenidade. A ideia é que as empresas passem de pai para filho e sobrevivam ao longo do tempo”, acrescenta.

POR FIM, A FAMOSA LGPD
Em setembro, a LGPD celebra um ano de sua entrada em vigor. Quem ainda não se atentou para isso, deve ficar alerta. Com o tema ganhando recorrência no mundo empresarial, a adequação à nova lei é urgente. Entender o papel de cada um na engrenagem de proteção de dados foi a primeira lição de casa dentro da B&G. 

Ao implantar a LGPD no escritório, sentiram na pele a dificuldade de entender quais os riscos tecnológicos e o quanto estavam vulneráveis. “Foi aí que trouxemos o profissional de TI, justamente para fazer esta interface com a parte jurídica. Construir a modelagem documental jurídica é fácil porque são metodologias existentes, mas mapear riscos é mais complexo”, afirmam os sócios.

Além disso, não importa o quão robusta seja a política de proteção de dados dentro das empresas, é preciso adesão e engajamento de todos, pois uma vez expostas a uma crise de vazamento, prejuízos virão. “Identificar instrumentos de riscos dentro das empresas – como uma inocente Smart TV, que pode ser um canal de acesso a dados -  também faz parte de nosso trabalho. Esse é um plus que oferecemos para levar segurança aos nossos clientes”, explicam.

Traçando um paralelo com o Código de Defesa do Consumidor, implantado nos anos 1990, uma hora ou outra, as empresas terão que se adequar. “É a mesma situação agora. Aqui na nossa região ainda não se enxerga a LGPD como algo importante, mas assim que a fiscalização começar, com certeza, virá a adequação”, afirma Gallio, prevendo uma mudança cultural empresarial local.

Preparado para atender pequenas, médias e grandes empresas, bem como associações, entidades e cooperativas, o B&G vai além de oferecer um manual para se adequar. “Vai garantir ferramentas para que se cumpra o que pede a lei, até porque existe um programa educativo dentro da LGPD e aí entra também o consultor para desenvolver a parte educacional, fechando o tripé com a parte de tecnologia e jurídica”.

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