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Edição 153
ENTREVISTA – Genesio Pegoraro

Mais gestos que palavras!

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Assessoria Acic

Publicado em 16/08/2021


Ele nasceu no berço da Guerra do Contestado, em Irani, estado de Santa Catarina. Tem 59 anos. Destes, 47 dedicados ao ramo de supermercados, a Rede Irani, fundada por ser pai Otávio Pegoraro em 1973 já em Cascavel. Casado e pai de dois filhos, Genésio Pegoraro, atual presidente da Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic), é um grande defensor do associativismo.

Foi presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), entidade em que ainda atua como diretor, e participou por oito anos do Conselho Econômico Pastoral da Catedral Nossa Senhora Aparecida. É o atual vice-presidente do Cemic. Antes de assumir a presidência da Acic, foi diretor por quatro anos. Nesta entrevista, ele fala sobre o papel da entidade, bem como os desafios de empreender pós-pandemia. 

Você assumiu em plena pandemia. Como presidente, qual a sua grande missão?
A pandemia do coronavírus pegou a todos de surpresa. Há dois anos, não poderíamos imaginar que o mundo seria atingido por algo tão catastrófico. Estávamos no primeiro mandato do presidente Michel Lopes quando as restrições e os lockdowns começaram.

Estive ao lado dele, a exemplo do que fizeram outros diretores, e percebemos que se tratava de algo único, que a nossa geração ainda não tinha vivenciado. A missão primeira da Associação Comercial é defender os interesses da classe empresarial, de estar ao lado dela sempre. 

E o dilema entre salvar vidas ou a economia?
Mesmo priorizando a vida, que é o bem maior, a Acic se aliou à administração pública e a outras entidades na tentativa de, ao mesmo tempo em que tratávamos os doentes, criar um plano para preservar empregos e empresas. É possível, o tempo nos ensinou, de cuidar dessas duas frentes.

Mesmo assim, infelizmente, centenas de milhares de pessoas morreram no Brasil, e mais de um milhão de empresas fecharam, gerando uma enorme onda de desempregados. Apesar das dificuldades, a missão é se manter sereno, agir movido pelas medidas corretas e estimular a solidariedade.

O que muda na atuação da Acic a partir da pandemia?
A Acic também sentiu e ainda sente os reflexos das mudanças. Como as empresas, ela também enfrentou as restrições e precisou adotar as mais diversas medidas sanitárias. Com a pandemia, a Acic se aliou ao Programa de Retomada Econômica, liderado pela administração pública e Sebrae, que contribui para levar novos conhecimentos a empresários, pois mesmo com as dificuldades, precisavam seguir com seus negócios.

O programa ofertou um extenso leque de treinamentos e cursos online para os empresários, sempre tocando em assuntos cruciais para o momento. O foco foi muito forte em gestão, em enxugamento de gastos e em como empregar tecnologias para melhorar a competitividade e a visibilidade da empresa.

Como você define a Acic?
No fim da década de 1950, Cascavel estava em uma situação complicada. Com o fim do ciclo de extração da madeira, que durante anos foi o alicerce da economia local, temia-se que os indicadores recuassem e isso afastasse empresas e anulasse futuros investimentos.

Era necessário contar com uma entidade que pudesse, ao agregar os empresários e outros líderes locais, refletir sobre a atualidade, seus desafios e encontrar soluções que pudessem mostrar novos caminhos para o município.

Nesse cenário nasceu a Acic, em abril de 1960. A Acic é a casa dos empresários, mas mais que isso: é uma entidade que se preocupa em oferecer soluções que ajudem a desenvolver as empresas e fortalecer assim os mais diferentes setores produtivos.

E como define Cascavel?
Cascavel é uma das mais contundentes provas de que união, trabalho e persistência podem construir uma grande cidade. No início, segundo o que os historiadores relatam, as condições não eram das mais favoráveis. Havia muitas coisas que geravam dúvidas sobre o futuro e o êxito do município.

Mas os obstáculos foram vencidos um a um e, gradualmente, brotou aqui, no centro de uma região fabulosa, uma cidade com ar de metrópole, de belos contornos e que tem a superação como marca. Não é por acaso que Cascavel é reconhecida como um dos melhores municípios brasileiros para morar, trabalhar e investir.

Qual é o peso da palavra associativismo para você?
É um movimento de contornos nobres, que pratica o altruísmo e defende projetos e estruturas capazes de contribuir para o desenvolvimento social e econômico de sua comunidade. O associativismo é um agente de transformação, que une as pessoas e extrai delas os melhores sentimentos e as mais criativas ideias para que o todo cresça, se desenvolva e gere ondas de prosperidade.
 
Genesio Pegoraro: “Precisamos alcançar um novo patamar ao empreender”

Alguma iniciativa focada na liderança feminina dentro da entidade?
A ativa participação da mulher no cotidiano da Acic, dos seus núcleos e dos mais diferentes conselhos é incentivada com especial atenção e interesse pelas sucessivas diretorias da entidade. Temos muitas líderes, mulheres que enriquecem o dia a dia da entidade. Posso citar como exemplo o Acic Mulher, um dos núcleos do Programa Empreender que há muitos anos realiza um belíssimo trabalho.

Na década de 1980, a participação da mulher foi estabelecida a partir da criação de um Conselho que há alguns anos se transformou em Núcleo. São diversas as ações e projetos que esse grupo desenvolve, com ótimos resultados. Pedimos que mais empresárias, que atuam nos mais diferentes ramos, busquem conhecer e participar ativamente da associação comercial. 

Você tem alguma empreendedora como referência em sua família ou meio?
Temos mulheres de grande talento e fibra na família. São mulheres incríveis com quem todos nós temos a oportunidade de aprender e compartilhar projetos.

A Acic tem 3,8 mil empresas associadas. O que precisa ser feito para aumentar esta participação?
Quando a Acic foi oficialmente constituída, em abril de 1960, eram 51 os membros fundadores. O crescimento da entidade é gradual e reflete o que a entidade busca oferecer como representatividade, soluções e suporte às empresas.

A Associação Comercial é conhecida por ser uma entidade de vanguarda, por sempre estar à frente do seu tempo de olho em inovações e tendências que, a partir das ferramentas certas, pudessem ser empregadas e incorporadas pelas empresas para o seu crescimento e atualização. 

E em termos de inovação, como a entidade se posiciona?
Uma das inovações mais recentes é o Acic Labs, aceleradora e hub de tecnologia, criado com o propósito de envolver empresários em debates sobre mudanças estruturais que a inovação traz ao cotidiano de quem empreende.

Contamos com um amplo leque de soluções, algumas com mais de 40 anos, a exemplo do SPC, e outras em processo de consolidação, como o Acic Talentos, um banco de currículos online. E outras novidades estão no forno, posso garantir.

Das quase quatro mil empresas associadas à Acic, quantas são lideradas por mulheres?
Não temos esse número com precisão. Mas um trabalho de recadastramento feito recentemente indica que o quadro é melhor do que foi há alguns anos. Mas, sem dúvida, ele pode melhorar sempre.

Falando em empreendedorismo, precisamos de uma nova cultura empreendedora no Brasil?
O brasileiro é um empreendedor por natureza. É criativo, engenhoso, trabalhador e dedicado. Isso é bom e importante, e nos trouxe até aqui. No entanto, precisamos alcançar um novo patamar ao empreender e isso exige investimentos em qualificações, capacitações, parcerias e crédito.

Para atingir novos resultados e para que o País siga em uma crescente contínua, as empresas, a exemplo de outros setores produtivos, precisam incorporar algumas atitudes muito comuns em países desenvolvidos. 

Ou seja, não há mais espaço para improviso?
Não. Em atividade empresarial nenhuma. Por isso, empreender requer informação, conhecimento e adoção de um conjunto de passos que deem mais segurança a quem decide destinar seu capital em um novo negócio. Posso citar entre esses aspectos planejamento, gestão eficiente, fazer e manter reservas e levar ao consumidor produtos de qualidade.
 

“Empreender requer informação, conhecimento e adoção de um conjunto de passos que deem mais segurança ao novo negócio”


Diante do cenário atual, qual é o papel de um líder?
Ao longo de minha carreira como empresário, conheci muitos líderes, de perfis muito diferentes. Mas é possível perceber que algumas virtudes são comuns nessas pessoas que têm a missão de conduzir outros profissionais para potencializar o resultado da empresa ou do empreendimento. Vejo que o líder é alguém que influencia mais com gestos do que com palavras. É aquele que cativa, que incentiva, que valoriza.

O líder é alguém que, com seu talento de observar, sabe extrair o melhor das habilidades de seus comandados. E vejo, com destaque, a serenidade, a coragem e o bom-senso como condições fundamentais para liderar em épocas de dificuldades e incertezas como as de agora.  
 

“O líder é alguém que, com seu talento de observar, sabe extrair o melhor das habilidades de seus comandados”


A Acic completou 61 anos. Como vê o futuro da entidade?
A Associação Comercial consolidou uma caminhada rica e admirada nessas seis décadas de existência. Tenho certeza que, pela dinâmica da entidade, agora se moderniza com a governança corporativa e com o compliance; o futuro será de grandes realizações e resultados.

Quais os pontos críticos da Acic? Como pretende trabalhar neles?
Um dos desafios é chegar de forma ainda mais rápida e assertiva na empresa, fazendo com que o empresário, com informações e soluções certas, possa amenizar as dificuldades que o aflige e assim ajustar a casa e seguir crescendo.

“Um dos desafios é chegar de forma ainda mais rápida e assertiva nas empresas e nos empresários”

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