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MÚSICA

Um novo rockstar direto de Minas

Texto Gabriel Portella
Foto(s) Alexandre Stehling

Publicado em 09/09/2021


O cantor mineiro Gabriel Froede equilibra sua vida entre a música e a medicina

Qual o preço a ser pago por correr atrás dos seus sonhos? Uma pergunta cuja resposta pode ser difícil para uns, fácil para outros, mas definitivamente inquietante para todos. Entre os toques suaves nas cordas do violão até as passagens rápidas entre as folhas de um caderno repleto de matéria, o mineiro Gabriel Froede rabisca o esboço de um, ou melhor, dois, grandes sonhos.
Um universitário dedicado e um garoto amigável, Gabriel é um estudante de medicina, profissão pela qual ele carrega uma grande paixão, mas também um apaixonado por outro grande amor: a música.

Tentei fugir, mas eu falhei...
Por influência da mãe, Gabriel começou a tocar violão com nove anos e hoje já soma mais de 440 mil ouvintes mensais apenas no Spotify. Com clipe dirigido pelo influenciador Lucas Rangel e canções que fizeram parte das últimas duas edições do programa Big Brother Brasil, Gabriel lançou recentemente seu último single, “Tentei fugir”, que já soma mais de 80 mil visualizações somente no YouTube. 

Filmado no Sul da Bahia, a música fala sobre um garoto que tenta superar um antigo relacionamento, mas não consegue. “Eu fiquei super feliz com a reação do pessoal. Primeiro que ´Tentei fugir´ é uma das minhas favoritas. Eu queria que a música transmitisse uma energia legal porque há tanta coisa ruim rolando no mundo, e a recepção do pessoal está sendo super positiva”, comenta Gabriel, em uma conversa exclusiva com a Revista Aldeia.

O cantor explica que a ideia de gravar o clipe na Bahia surgiu do seu produtor e ele concordou na hora. “Aquele local na Bahia tem um lugarzinho no meu coração”, explica Gabriel, “desde que eu me entendo por gente eu sempre passei a virada do ano, carnaval, feriados em Alcobaça, que é no sul da Bahia, então é um lugar muito especial”.

O mineiro diz que gosta de pensar seus singles como produtos distintos, com identidade visuais únicas e marcantes, mas revela ser fã da estética retrô dos anos 80, que está voltando a se popularizar. Seu gosto musical foi moldado pelos seus pais, nas longas viagens de carro que faziam juntos e que essas referências são sempre bem-vindas no seu trabalho. Humilde em sua colocação, o cantor comenta que os artistas brasileiros tinham um pouco de medo de inovar, mas que isso vem mudando nos últimos tempos, em especial devido ao trabalho da cantora Anitta.

Guitarrista da Lagum
Na sua nova música “Tentei fugir”, ele contou com a colaboração de um nome conhecido pelos fãs do MPB: o Zani, guitarrista da Lagum, que participou do processo final da produção. Questionado sobre um possível feat com a banda, o mineiro comenta que possui uma vontade absurda de colaborar com eles, mas espera poder fazer isso quando estiver mais maduro. 

Lagum, diz Zani, é a banda que mais tem vontade de colaborar. “Conheço eles porque participamos juntos da live do KVSH, no Mineirão, mas eu quero ter uma bagagem um pouco maior para poder contribuir mais. O Zani topou fazer a guitarra para mim e eu fiquei super empolgado porque é um pouquinho da Lagum ali comigo, é um pouquinho da Lagum dentro do meu universo”, comenta.


Conhecendo o Rogério Flausino
Entre confissões sinceras, Gabriel não esconde a admiração que sente por seus ídolos. Eclético em suas referências, não tem nenhum problema em mostrar a sua admiração pelas pessoas que o moldaram como artista: “As inspirações sempre vão estar presentes e eu acho que falar sobre isso é uma maneira de conseguir exaltar o trabalho de outro artista que você gosta”.

Mas e quando um dos seus ídolos se torna seu colega? Foi o que aconteceu quando, em sua apresentação no Mineirão, conheceu o vocalista da banda Jota Quest, Rogério Flausino. “Eu fiquei super empolgado, ele falou para escrevermos alguma coisa juntos e eu por fora estava ‘com certeza cara, vamos sim’ e por dentro ‘caramba, eu tenho que ligar para o meu pai'", comenta o menino.

Além de Rogério, o mineiro confidencia que adoraria colaborar com cantores de diferentes gêneros musicais, como funk, sertanejo e pagode. Ciente de suas origens, relembra um lema muito popular no cenário eletrônico que é “R.I.P. Genres”, que, em tradução livre, seria “fim dos gêneros”, um protesto contra a não colaboração entre os diferentes ritmos musicais.
 
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Veredito: CANCELADO!
Entre provas e gravações para clipes de músicas (sem mencionar os shows que logo acontecerão), uma pergunta é inevitável: como fica a saúde mental? 
Segundo o Ministério da Saúde, os casos de atendimentos do SUS a jovens com depressão cresceram mais de 115% nos últimos quatro anos. Uma pesquisa publicada pela JAMA Pediatrics também apontou que os sintomas de ansiedade nos jovens dobraram após o início da pandemia.

Para Gabriel, nada lhe dá mais paz do que cozinhar e curtir a presença de amigos e familiares, enquanto degusta uma boa garrafa de vinho, em uma boa viagem. 
Ademais, o cantor não esconde como, além de trabalho, tocar e escrever música servem de terapia para ele. “Eu acho que há dias em que você vai conseguir ser o seu melhor, mas há dias em que você não vai querer, e tá tudo bem. A gente tem que se cobrar um pouco menos sabe”, explica o cantor. 

Juízes da internet
A responsabilidade como figura pública na hora de comunicar uma mensagem é outra preocupação. Por isso, ele evita abordar alguns assuntos em suas músicas para não servir de incentivo ao seu público, que é mais juvenil, mas admite sentir medo da atual cultura do cancelamento e dos “juízes” da internet. “Eu e o (Lucas) Rangel conversamos muito em relação a isso e ele falou sobre essa galera do cancelamento. São juízes por trás de um celular, por trás um computador”, comenta, citando o caso cantora Luísa Sonza, que, em junho deste ano, sofreu linchamento online após o falecimento do filho recém-nascido do seu ex-noivo, o comediante Whindersson Nunes, obrigando a cantora a se afastar das redes sociais e adiar o lançamento do seu novo álbum.

Maturidade, novas metas e futuro!
Mesmo com números surpreendentes nas plataformas, Gabriel Froede não esconde sua empolgação para o futuro e garante não se acomodar. Em meio a sorrisos e gargalhadas, acompanhados das lembranças de situações únicas vividas com seus fãs, ele não esconde a alegria de receber o carinho daqueles que acompanham o seu trabalho. “Para mim é algo realmente novo.

Eu não tive muita experiência em fazer shows, foram mais com os meninos do KVSH, mas eu ia muito rapidinho porque eu tinha aula, tinha prova. Essa coisa de rockstar eu não vivi, mas isso me deu uma sensação de responsabilidade muito grande, porque se não fosse isso não conseguiria levar os dois”, explica o cantor, que já está ensaiando para seus primeiros shows solo.

Inicialmente, serão em Belo Horizonte. Depois pretende expandir gradativamente para outras cidades e estados do Brasil. Desde 2019, quando decidiu seguir profissionalmente na área da música, ganhou maturidade. No início da carreira duvidava da sua capacidade e se perguntava se seria capaz de alcançar seus objetivos. ““Eu tenho que confiar em mim, vou fazer isso, vou correr atrás, quem quer dá um jeito. ‘Can’t Get Over You´ foi a música mais ouvida por um milhão de pessoas em 2019. Ver isso é ver meu sonho se concretizando a cada dia que passa e isso me dá mais combustível para seguir”.

 

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