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Edição 154
ADEGA

O santuário de Cesar

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Kauã Veronese

Publicado em 24/09/2021


Ele só tomava cerveja. Um belo dia experimentou vinho. Detestou. Hoje é sommelier e juiz internacional de vinhos

Já diz o ditado: “o vinho torna o homem humano”. No caso do empresário Cesar Weyn, 47 anos, isso é a mais pura verdade. Cientista da computação, viveu vários anos numa rotina tão exaustiva que um belo dia teve um “bug”. O esgotamento profissional o transformou. Para relaxar, começou a cozinhar. 

Preparando pratos para a família, aprendeu a tomar  vinho. Missão difícil para quem era fã de cerveja.  Vinho não descia. E ponto final. Cozinhando, combinando pratos, adaptando o paladar, foi aprendendo. Aos poucos. Começava aí sua íntima relação com o mundo dos vinhos. Íntima porque ele não se contenta em apenas degustar. 

Tornou-se um pesquisador. Um viajante dos vinhos. Tanto é que em todas as suas viagens há uma vinícola no roteiro, seja aqui na América Latina, nos Estados Unidos ou na Europa. “Gosto de ouvir as histórias, conhecer as bodegas, muitas delas centenárias. É um mundo envolvente”, afirma.

JUIZ INTERNACIONAL
Mesmo tendo o vinho como hobby, e não como profissão, Cesar buscou formação na área, pois se é para falar de vinhos, que seja com propriedade. Fez curso com nada menos que o papa dos vinhos no mundo, o italiano Roberto Rabachino. Tornar-se sommelier internacional e juiz internacional I.W.T.O (International Wine Tasters Organization) para qualificação de vinhos não mudou em nada sua rotina. Por um simples motivo.  

Chegou a um nível de entendimento da vida que não permite mais estresse. “O que eu quero agora é viver estes momentos de paz que o vinho proporciona e disseminar a cultura do vinho, de forma leve e descontraída”, diz. E conhecimento ele tem. Desde que começou a tomar vinhos, já degustou mais de 3 mil rótulos. E garrafas? “Multiplica isso por seis”, brinca.
 

MELHOR VINHO
O melhor vinho do mundo, segundo Cesar, não existe. O que há é raridade, desejo, marketing e status. Particularmente, ele prefere definir de outra forma: vinho bom é momento. Existem vinhos para cada situação. “Tem vinho para o churrasco, para um jantar romântico, para tomar ao lado da piscina, na praia, em frente da lareira... Eu gosto de todos os vinhos, mas a minha uva preferida é a cabernet.”

E o vinho colonial? “Tomo também”, diz. E aí entra um ingrediente a mais: amor. “Meu pai só toma vinho colonial. Quando ele abre um garrafão e serve com todo o carinho, é claro que eu tomo. Eu vivo aquele momento com ele. E isso é mágico”. 

É este “saber se comportar” que faz de Cesar um sommelier diferente. “Não precisa ser esnobe com vinho. Certamente se eu não tomasse o vinho do meu pai e ainda impusesse o meu gosto, ele nunca mais me chamaria. E aí, qual a graça?”, reflete. 

@ADEGADOCESAR_
Recentemente, influenciado pela filha Stephanie e por alguns amigos que viviam pedindo sugestões, Cesar criou um perfil no Instagram (@adegadocesar). Além de dar dicas de harmonização, fazer boas seleções, trazer curiosidades sobre os diferentes tipos de vinho, regiões vinícolas e compartilhar deliciosas receitas, o perfil é uma excelente fonte de informações. 

Por enquanto, o @adegadocesar é diversão. Mas, se depender de Stephanie, novos projetos virão. “Tenho planos para o futuro, sim. Meu pai tem muito conhecimento na área e por que não aproveitarmos isso, promovendo eventos e cursos?”, diz. 

Mercado tem. O consumo de vinho no Brasil cresceu 18% em 2020, mas ainda há muita dúvida na hora da compra. “Quando você faz uma seleção prévia, dá esta orientação, as pessoas se sentem mais seguras até mesmo na hora de harmonizar com um prato”, explica Cesar, lembrando que quanto mais gente consumindo vinho melhor.

Melhor para o consumidor e melhor para a indústria que também vai evoluindo. “Antigamente, quando se falava em vinhos brasileiros, muita gente torcia o nariz. Hoje não, temos excelentes vinhos nacionais e temos que valorizá-los”. 

Então, fica a dica! Se você está cansado de errar na compra de vinhos, mas também não tem tempo, e nem quer estudar, ou ainda não quer ficar boiando na roda de amigos, siga a @adegadocesar. Ah, prepare-se para entrar num universo de conhecimento infinito. 

E é infinito porque é alquimia. Uma mesma uva e uma mesma safra, explica o sommelier, dão vinhos diferentes. Dificilmente sairão vinhos iguais. Só se forem quimicamente modificados. Aí é outra história! 
 
Cesar Weyn: “Já dormi na adega. É uma espécie de santuário” 

VINHO TODO DIA
Pesquisas contra e a favor do sagrado vinho diário não faltam. Há os que condenam. E há os que defendem. Cesar é um dos que vê benefícios. “Estudos comprovam que tomar 250 ml de vinho por dia faz bem à saúde”, observa. Vale aqui uma consideração: entenda-se “tomar” por “degustar”. “Vinho é celebração. É paz. É para alegrar momentos com amigos, com a família, de forma tranquila, sem pressa”. 

UMA PERGUNTA
Vinho caro é vinho bom? 
Não. A tendência é um vinho caro ser bom. Mas o preço do vinho se dá pela escassez e pelo glamour. O exemplo da champagne Dom Perignon se aplica aos vinhos. Numa incrível jogada de marketing, Marylin Monroe estrelou uma campanha da marca. Foi fotografada na banheira do luxuoso The Beverly Hills Hotel com uma garrafa de Dom Perignon e os seguintes dizeres: “Aguardando meu amor”. O que aconteceu? A Dom Perignon ganhou fama e valor. Dificilmente ela entra para ser avaliada porque se for avaliada e perder para um espumante de R$ 100, perde a magia.  
 

“Vinho é celebração. É paz. É para alegrar momentos com amigos, com a família, de forma tranquila, sem pressa”

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