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Edição 154
EMPREENDEDORES DA ALDEIA

O charme do Nick Brechó

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Kauã Veronese

Publicado em 04/10/2021


Com a venda de peças próprias e da mãe, Nicolle Figueiredo Camargo montou o Nick Brechó Feminino. Em um ano, conseguiu triplicar o volume de negócios

Nicolle Figueiredo de Camargo tem 27 anos e muita coragem. Largou a faculdade de Agronomia no terceiro ano para se dedicar integralmente ao próprio negócio, o Nick Brechó. Na verdade, não teve muita escolha. Quando a mãe, Nira, fechou a loja de roupas infantis em que ela ajudava, ficou sem recursos para se manter. 

Como não queria voltar a trabalhar no comércio, com salário e comissão, acatou a sugestão da mãe e montou o brechó em setembro do ano passado, em plena pandemia. “Aproveitei a sala e alguns móveis da loja e comecei com roupas minhas, da minha mãe e alguns garimpos que fiz”.

Tudo estava indo muito bem até o primeiro lockdown. Bateu o desespero. Tentou renegociar o aluguel, sem acordo. O proprietário até reduziria naquele momento, mas ela teria que pagar a diferença lá adiante. “Ia virar uma bola de neve”, diz. Ao mesmo tempo em que precisava mudar, temia um retrocesso. Em sete meses de loja, não tinha uma clientela formada ainda. 

O SEGUNDO ENDEREÇO
Num final de tarde, voltando a pé para casa, viu um sobrado. Avaliou a possibilidade de economizar pagando apenas um aluguel para morar e trabalhar e fechou o contrato. Afastado do centro, com mais vagas de estacionamento, alavancou as vendas. 

Tudo, é claro, impulsionado pelo perfil do Instagram. No início, com vergonha de gravar vídeos, postava fotos e leiloava as peças. Para dar lance, a cliente sinalizava nos comentários. O modelo não vingou. Além de ser muita peça para fotografar e postar, gerava algumas dúvidas. 

Deixou a timidez de lado e, com a ajuda do marido, o engenheiro agrônomo Lucas, estreou nas lives, inicialmente com a participação da família e amigos. Não demorou para atrair clientes de outros estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É sagrado, toda quarta, às 20 horas, tem live da Nick. Mais de 40% das vendas vêm das lives. 
 
Nick Brechó: um salto de 300 para mais de mil peças em um ano 

O TERCEIRO ENDEREÇO
Com o aumento das vendas, o sobrado ficou pequeno. Mudou novamente. No novo endereço, mais espaço para crescer e receber as clientes. O local foi pensado para oferecer a mesma experiência de uma loja comum. 
E isso ajuda a superar o preconceito que existe com as peças de segunda mão.

“As pessoas têm uma ideia errada de brechó. Já pensam em fundo de garagem, naftalina, quinquilharia, roupa de doação. Chegam aqui e se surpreendem”, afirma. 

A empresária aposta também na rotatividade. “Nunca uma roupa fica aqui por mais de 40 dias. Se não vender, vai para doação”. Ela acredita que esta circulação renova a energia do local.

ROUPAS COM CGC
Além do ambiente aconchegante, as peças são cuidadosamente garimpadas, higienizadas e consertadas. Nada passa despercebido pelo olhar de Nick e da sogra Shirley, que sempre dá uma mãozinha.

Outro segredo é a compra, sempre de atacado. São roupas com pouquíssimas marcas de uso, corte e tecido de primeira linha. Tem ainda as peças CGC, ou seja, aquelas produzidas entre os anos de 1960 a 1990, autenticamente vintage!
 

“Todas as peças passam por uma curadoria caprichada. Não costumo olhar estilo, mas vejo se a roupa está em condições, sem avaria e na versatilidade dela para o dia a dia”


INFLUENCIA DA AVÓ
Brechozeira raiz, dona Cida, a avó de Nick, foi a primeira influência. “Quando eu queria alguma roupa e não tinha dinheiro, ela me levava para os bazares de igreja e brechós”. Este olhar para roupas de segunda mão começou na faculdade. “Hoje meu guarda-roupa é 100% brechó”. 
 
Nicolle: “Eu penso em brechó 24 horas. Estou sempre pesquisando tendências, melhorias”

O consumo de peças de segunda mão, em sua opinião, vai superar o fast fashion. “A moda do jeito que é não faz mais sentido. As pessoas estão mais críticas em relação a questões ambientais e condições precárias de trabalho”, diz, lembrando que após entrar no universo do brechó mudou alguns comportamentos, a exemplo da reciclagem do lixo.

Ah, falando em sustentabilidade, se for ao Nick Brechó leve sua ecobag ou sacola, senão vai ter que sair com suas roupas na mão...


 

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