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Edição 158
ENTREVISTA - Ayslan Guetner

Onde investir em 2022?

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Paloma Signori Zampieri 

Publicado em 18/02/2022


O ano de 2022 está começando e a expectativa é de alta volatilidade no mercado financeiro, tanto para o cenário internacional como para o cenário nacional. As eleições, sem dúvida, são um ponto de incerteza, mas a dica é não exagerar sua importância e ficar atento a questões macroeconômicas.

Nesta entrevista, Ayslan Vinicius Guetner, gerente de investimentos do Sicredi e especialista em investimentos certificado pela Anbima, mostra o caminho tanto para investidores iniciantes quanto para investidores mais conservadores ou mais arrojados.

Brasileiros não têm a cultura de investir. Como despertar isso?
Percebo que os brasileiros, de modo geral, são muito imediatistas, ou seja, possuem certa resistência para investir a longo prazo e, como conseguir uma boa rentabilidade em um curto espaço de tempo com segurança é algo improvável, as pessoas optam por consumir ou destinar o recurso para outras finalidades.

Talvez essa cultura mude na medida em que os brasileiros passem a entender a importância de se investir no longo prazo. É possível desenvolver esse hábito investindo valores pequenos para entender toda a dinâmica. Esse é um processo que exige paciência e disciplina e que se inicia com educação financeira.
 
Por que os brasileiros não investem na Bolsa de Valores, por exemplo?
Apesar de o número de brasileiros que investem na Bolsa de Valores ter crescido muito nos últimos três anos, se compararmos com a população do nosso país realmente esse número ainda é pequeno.

A maioria das pessoas ainda acredita que é difícil e burocrático acessar e manipular ativos na Bolsa de Valores, quando, na verdade, o acesso é fácil e democrático, pois não é necessário ter um grande montante para investir. É muito forte ainda a cultura de se investir em produtos que não apresentem oscilações e que trazem previsibilidade no que diz respeito à rentabilidade. 
 
Muita gente ainda perde dinheiro pela ganância?
Infelizmente isso ainda é comum. A redução da taxa de juros iniciada no ano de 2019 e que atingiu o patamar de 2% a.a. durante o ano de 2020 reduziu a atratividade dos investimentos de renda fixa. Esse cenário também coincidiu com uma das melhores performances da história do índice Ibovespa.

Isso fez com que um grande número de investidores migrassem seus investimentos para ativos na Bolsa de Valores para buscar uma rentabilidade maior. Entretanto, percebe-se que fazem isso embasando-se em opiniões de influencers nas redes sociais (muitos deles sem as devidas certificações para conceder orientações relacionadas a investimentos) e em achismos, com pouco conhecimento e pouca instrução. 
 
E qual o resultado disso?
Muitos investidores tendo prejuízos ao saírem da Bolsa por não possuírem o perfil adequado para suportar a volatilidade do mercado. Normalmente, os investimentos em renda variável são sugeridos para quem possui o horizonte de investimento de longo prazo e, como citei anteriormente, os brasileiros de modo geral preferem investir no curto prazo e, assim, operam na Bolsa de maneira especulativa.

Ou seja, operam tentando acertar o momento de comprar e o momento de vender ações, por exemplo, quando na verdade o que deve prevalecer são os fundamentos microeconômicos da empresa da qual o investidor pretende ser acionista. Operar de maneira especulativa é difícil até mesmo para os profissionais do mercado financeiro que tomam suas decisões embasados em análises técnicas e fundamentalistas.
 
O que trava os brasileiros na hora de investir?
Na minha rotina de trabalho o que fica mais evidente é o receio de perder capital. Percebo também que muitos consideram a palavra “investimento” sinônimo de Bolsa de Valores e isso assusta em um primeiro momento. Ao mesmo tempo, quem não possui investimentos relata que tem o interesse de começar a investir, mas esbarra na falta de organização financeira pessoal.

Aí é fundamental a ajuda de consultor de finanças pessoais para orientar e procurar os serviços de um planejador financeiro, que possui a atribuição de auxiliar as pessoas a administrar o seu dinheiro e patrimônio, instruindo sobre a melhor maneira de aplicar seus recursos financeiros.
 
Estamos começando um novo ano. Quais perspectivas?
A expectativa para o ano de 2022 é de alta volatilidade no mercado, tanto para o cenário internacional como para o cenário nacional. Historicamente, anos eleitorais causam muita oscilação nos investimentos.

Além do cenário político interferir muito no mercado brasileiro, o Brasil também sofre com outras variáveis que atingem países emergentes. Para este ano, o Relatório Focus do Banco Central nos mostra uma projeção de juros altos, alta inflação e baixo crescimento do país. 
 
Qual avaliação diante deste cenário?
Desde o último trimestre de 2021 percebemos uma grande movimentação dos investidores reduzindo duas posições em renda variável, alocando seus recursos em investimentos de renda fixa para se proteger da volatilidade e aproveitar a alta da taxa de juros.

Ao mesmo tempo, os investidores mais arrojados podem encontrar boas opções de investimentos na nossa Bolsa de Valores, caso entendam que os fundamentos microeconômicos que envolvem as boas empresas deva prevalecer sobre o cenário macroeconômico.
 
Algum tipo de investimento mais rentável?
Costumo dizer que não existe uma receita pronta capaz de garantir a rentabilidade de certo tipo de investimento. Existe, sim, o investimento mais adequado aos objetivos do investidor, ao seu perfil, à sua realidade financeira e ao prazo que ele pretende manter seus recursos aplicados.

O especialista em investimentos irá conceder orientações com base nessas premissas e o investidor irá escolher o investimento mais rentável dentro do contexto em questão.
 
Como um investidor deve escolher os seus investimentos?
O investidor deve, primeiramente, definir de maneira clara seus objetivos. Por exemplo: adquirir um bem; realizar uma viagem; garantir uma renda extra; etc. No segundo momento, deve estipular o prazo para que alcance esse objetivo e, logo depois, definir a estratégia para atingi-lo.

Digamos que o investidor queira realizar uma viagem internacional nas suas férias em dezembro. Com base nisso, ele pode alocar parte de seus recursos em investimentos correlacionados com o dólar para se proteger da oscilação da moeda estrangeira, e parte dos seus recursos em investimentos mais conservadores para diminuir sua exposição ao risco e proteger seu capital.

É necessário frisar que não existe necessariamente um investimento melhor do que outro, existe o melhor investimento para determinado objetivo.
 
E para investidor iniciante, qual a dica?
Iniciar com investimentos em produtos mais conservadores, de preferência em produtos que não coloquem seu capital em risco e que possuam alta liquidez, ou seja, que permitam que o investidor possa resgatar seus recursos a qualquer momento.

Nesse contexto, os produtos de renda fixa representam uma ótima oportunidade para os investidores iniciantes. Pois esses produtos normalmente possuem menor risco e trazem certa previsibilidade quanto à rentabilidade (é possível saber quanto irá ganhar no momento da aplicação). 
 
Caso o investidor tenha maior tolerância a riscos e queira conhecer melhor o universo da renda variável, qual opção? 
Uma opção é alocar seus recursos em um fundo de investimento, em que o investidor entrega seus recursos na mão de um profissional que irá geri-los de acordo com o regulamento e o objetivo do fundo.

Atualmente existem fundos que permitem investimentos iniciais de apenas um real, e assim o investidor pode se permitir conhecer melhor o mundo dos investimentos alocando valores pequenos para entender a dinâmica do mercado.

É importante lembrar que o primeiro passo é consolidar uma reserva de emergência, posteriormente a melhor alternativa sempre é procurar um especialista em investimentos certificados, que irá auxiliar o investidor a encontrar a melhor opção de investimento de acordo com seus objetivos.
 
O velho ditado de “não colocar os ovos numa mesma cesta” ainda vale?
Sem dúvida. Diversificar os investimentos é a melhor maneira de minimizar os riscos, limitando a exposição a prejuízos no mercado financeiro. Tão importante quanto diversificar é observar a correlação entre os produtos de investimentos. Isso significa dizer que não basta alocar os recursos em produtos diferentes, eles também precisam ter estratégias diferentes.

Digamos que o investidor possua seus recursos alocados em dois fundos de investimentos de ações que busquem acompanhar o desempenho do Ibovespa, por exemplo. Caso o desempenho de um dos fundos seja prejudicado pelas variáveis do mercado, o outro também será e, neste caso, apesar de o investidor estar posicionado em dois fundos ele não obteve o benefício da diversificação.

Colocando os ovos em cestas diferentes o investidor deixa sua carteira mais aderente aos seus objetivos, escolhendo produtos para atender os objetivos de curto, médio e longo prazo, minimizando a exposição aos riscos.

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