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Edição 159
ACUMULADORES

Quando tudo começa nas gavetas

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Kauã Veronese

Publicado em 25/03/2022


Agenor Beraldo tem 70 anos e consciência de que é um acumulador compulsivo. Já iniciou vários tratamentos, mas não progrediu. Começou acumulando parafusos na infância. Enchia os bolsos e mochilas. Depois passou a encher as gavetas. 

Num estágio mais avançado, expulsou-se da própria casa, entupindo-a de objetos. Foi morar dentro de um ônibus. Fez a mesma coisa. Agora, está dormindo numa van e, pelo seu histórico, a auto-expulsão é iminente. 
 


No terreno em que mora, desde 1982, tem de tudo. Tudo mesmo. Até carros. Um Ford Ka, dois VW Gol, Corcel, uma van, duas Kombis e um ônibus, todos abandonados, fazem parte do mundo caótico de Beraldo. “Eu perdi a noção do que é certo ou errado. Me reconheci doente faz pouco tempo e tudo piorou com a morte da minha segunda esposa e filha. Elas se desfaziam de algumas coisas escondidas”, diz. 
 

Sem ninguém para controlar, o acúmulo aumentou. “Se desfazer de algo é muito ruim. Eu ajo como a abelha. Quando ameaçada ela toma todo o mel, se mata, mas não se entrega. Eu me defendo como a abelha”, afirma. Vivendo a solidão de todo acumulador, Beraldo tem esperança num tratamento e se revolta quando o chamam de “acumulador de lixo”, como recentemente uma repórter o nominou.
 

“Há uma grande diferença. Sou acumulador compulsivo e não acumulador de lixo. Não pego lixo na rua. Eu pego coisas que, para mim, têm ou terão uma utilidade”.


Diante da situação de Beraldo, que é mais comum do que se imagina, em maior ou menor grau, a Revista Aldeia traz nesta edição uma entrevista com dois profissionais para falar sobre o assunto.

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