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14 anos de história
Edição 159
LIVRO

Ibrahim Faiad - Um homem, vários legados

Texto Rejane Martins Pires
Foto(s) Kauã Veronese

Publicado em 30/03/2022


Escrita pela jornalista Rejane Martins Pires, a narrativa biográfica
foi produzida a partir da maneira pessoal de Ibrahim contar histórias

 
“Nascido em Wenceslau Braz, no interior do Paraná, em 1938, ele saiu de casa cedo para fazer carreira no extinto Bamerindus. Com uma malinha de fibra na mão, pegou o trem rumo ao litoral do Paraná e só não chorou porque 'não sabia chorar’.
Anos depois tornou-se um dos principais líderes do agronegócio brasileiro”

Essa é parte da história retratada na biografia “Ibrahim Faiad – Um homem, vários legados”, escrita pela jornalista Rejane Martins Pires e editada com o Selo Aldeia. O livro narra a trajetória de Ibrahim Faiad, desde o seu nascimento, sua trajetória de 32 anos no Bamerindus, sua passagem pela Coopavel e suas incursões na política até os dias atuais, na Fazenda Iguaçu, seu remanso sagrado. 

Viajar em sua história, segundo a jornalista, é percorrer caminhos árduos e serenos, mas é, sobretudo, conhecer o melhor do ser humano.

“Ibrahim é uma dádiva. Carregando o menino que foi dentro de si, semeou amor por onde passou. E semeou verdade também. Ao contrário de muitos homens, soube florir e nunca perdeu a confiança dos pássaros. Em sua florescência inspirou e inspira gerações. Reconciliado com o tempo, sabe decifrar a melodia de cada estação”, afirma Rejane.

Descendente de libaneses, fez história por onde passou. “É um homem que soube celebrar a vida sem se deslumbrar pela vaidade, que ensina com humildade, que inspira pelo exemplo e, assim, vive a bem-aventurança dos nobres de espírito”.

A obra traz um pouco da sua história, das suas convicções, das suas fragilidades, da sua essência, dos infortúnios da vida e da sua brilhante carreira, fundada na empatia e no entendimento comum. 
 

TRECHOS DO LIVRO
 

“O desfecho do Bamerindus foi muito triste. É como perder um filho. Um banco daquela envergadura, com mais de 2,6 milhões de correntistas e 1.363 agências bancárias em todo o país entrar em colapso é quase que inacreditável. Uma iniciativa louvável do Sr. Avelino foi criar a Fundação já pensando em nosso futuro. Sou aposentado pela fundação”.


 

“Na minha vida de bancário por mais de 30 anos eu vi mais de 50 instituições desaparecerem. Umas incorporadas, outras com intervenção do Banco Central, outras vendidas”.


 

“Digo que não tinha vocação para banco porque eu acho que, quando a pessoa tem vocação pra coisa, ela se aperfeiçoa. Eu era cumpridor de missão, talvez cumpria bem, mas na verdade fazia aquilo porque tinha dever de fazer. Devia fazer bem feito porque senão não teria acontecido tanta coisa na minha carreira”.


 

“A carreira bancária é espinhosa, é difícil. Foi uma luta grande, muitas conquistas, mas também muito sofrimento. Eu gostava de ver as realizações, mas sofria com algumas coisas. Eu achava que o banco tinha que ser forte, mas não da maneira desproporcional que era. Até hoje penso a mesma coisa. Na época, talvez eu não me indignava tanto porque eu fazia parte do sistema”.


 

“Um dos motivos que eu me aposentei era poder viver minha vida, ser eu mesmo, sorrir quando dá vontade, chorar quando dá vontade, não fazer a vontade dos outros. E o banco era isso, ter que sempre trabalhar com a cabeça voltada para os problemas, para as dificuldades, rasteiras... sempre tem alguém querendo subir”.


 

“Se me perguntarem se tenho alguma decepção? Não. Tristeza só. Uma coisa que me abalou muito foi essa tragédia que se abateu sobre o banco, sobre os seus dirigentes. Aquele acidente de avião ceifou não só a história de um banco com 40 mil empregos (aí se vão 200 mil pessoas envolvidas), mas a história do Paraná. Fazendo um paralelo, o Bamerindus foi o nosso Titanic. Afundou.
Hoje eu falo isso por caridade, porque o acidente ceifou a vida das pessoas que dariam continuidade. Por sorte, assisti ao fim de longe. Já estava fora há dez anos”.


 

“Convivi bastante com seo Avelino. Foi meu chefe durante muito tempo. Tinha um carinho muito grande por ele. Foi o que me segurou no Bamerindus, senão teria debandado antes. Poucos sabem, mas o Bamerindus foi o primeiro banco privado a se instalar no Oeste e Sudoeste do Paraná. Havia Banco do Brasil e Banestado. Mas banco privado nenhum”.



QUEM É ELE?
Ibrahim Faiad, casado há 50 anos com Sueli Sossella Faiad, nasceu em Wenceslau Braz em 28 de junho de 1938. Quinto de oito irmãos, é filho de Jorge Abraão Faiad e Badia Faiad. O pai, libanês. A mãe, filha de libaneses. Ele, um brasileiro intercultural que ama quibe e também frango caipira.

Aos 15 anos, começou sua carreira no Banco Bamerindus como auxiliar de contínuo. Construiu uma carreira meteórica, assumindo gerências e regionais. Em 32 anos, atendeu todo o Paraná, parte de São Paulo, Rio Grande do Sul e nordeste brasileiro. 

Aposentou-se em 1985, quando passou a residir na Fazenda Iguaçu, em Céu Azul. Foi presidente da Coopavel, conselheiro da Sociedade Rural do Oeste e da Federação das Indústrias do Paraná.

Foi ainda secretário-chefe de Gabinete do ex-governador Jaime Lerner e secretário nacional de Política Agrícola no governo de Fernando Henrique Cardoso. Atualmente dedica-se à gestão da Fazenda Iguaçu e da Star Milk, e, quando solicitado, nunca nega uma palavra amiga, um bom conselho. Afinal, só quem viveu o que ele viveu para ensinar o principal: a sabedoria da vida!

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